Piu
Quarta-feira, 12 Jun, 2013
 

Quanto mais leio as notícias menos me apetece escrever sobre elas. Tenho dito. E não fora este desabafo sair-me tão natural que decerto os meus dedos se recusavam a bater teclas a esta hora só para vos dar o recado, por mais prazer que a coisa dê depois de feita, quase como o sexo, que dizem chegar a um ponto da existência em que o prazer que dá não justifica o esforço dispendido para lá chegar, para não falar na posição, que pode ser bastante incómoda se nos concentrarmos na própria e não no propósito da coisa em si... enfim, tudo isto dizem, claro, e seja como fôr o sexo continua imbatível como actividade lúdica e inigualável na relação preço/qualidade, digo eu. Não, não é que saia barato, longe disso, a vida é que está muito cara, queria eu dizer. Mas adiante, afinal tudo o que eu tinha para dizer era mesmo apenas o que já disse, ou seja: que nada tenho a dizer. Por isso pronto, está dito e redito.

 

Escusam assim de me vir falar da nova maldade do Gaspar, dos últimos passos do Coelho, da próxima manifestação de indignados, do novo total de desempregados, da última fraude nas farmácias ou do próximo aumento de impostos que tudo isso é nada mais que Portugal no dia-a-dia, meros detalhes de uma normalidade já comentada por baixo e por cima e pela direita e pela esquerda e por todos os lados  -  o da asneira não só incluído como imbuído de natural e previsível destaque. Perante isto que posso eu dizer, o que esperam que vos diga quando a natureza humana pouco muda a marca que deixa em cada acontecimento a que se dedica? Comentar os pormenores, repetindo o óbvio? Papaguear definições, trinar enciclopédias? Pfff, não, obrigado. Ando de birra com o disparate dos outros, explica em demasia o meu próprio, mesmo ajustado à escala. Não, não tenho nada a dizer e acabou-se. Ou me provam que Cavaco Silva foi apanhado em flagrante tráfico de bolos secos e alcagoitas para o Afeganistão ou então não há conversa para ninguém, nem mais um pio, sequer, sobre esta triste actualidade que é a nossa. A verdade é que não sei que diga por isso não digo, nada, zero, zip, nestum. É esta a situação, lamento informar. E tem mais, mesmo que o Presidente seja apanhado com a mão na alcagoita, por assim dizer, eu cá quero primeiro saber quem foi o agente infiltrado que o denunciou à Justiça. E só, mas só mesmo depois de ficar provado e bem provado que foi D.Maria, imaginem, quem diria, D.Maria a operacional infiltrada envolvida na detenção... só mesmo nessa circunstância me arrancarão uma opiniãozita, talvez mesmo uma opiniãozorra nesse e só nesse caso em particular. Porque por menos do que isso já disse, leiam lá atrás que ficou escrito, não vou dizer outra vez.

 

Não me arrancam um pio.

 



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Crónica do Brufen
Domingo, 13 Jan, 2013

Um espírito sofrido é como um corpo doente, atacado de forte e incapacitante virose (como esta que por aí anda este inverno, por exemplo). Para um e outro, na circunstância, a maior e mais decisiva força curativa estará no passar dos dias, na famosa pomada do tempo que tudo cura, há tempos sem fim. Assim sendo há que confiar nesse trunfo maior: o poder regenerador dos dias que passam, cada um deles mais um passo seguro dado na direcção certa, a caminho da cura que é sabido morar no final de muitos e longos dias de sofrimento, cada instante uma batalha, uma busca contínua por todo e qualquer resquício de força que possa ser puxado e repuxado (Deus, como é poderoso o desespero dos aflitos) até ficar chão, firme e pronto para o instante seguinte e assim sucessivamente, qual maratona de caracol.

 

Tem uma questão, no entanto. É que não obstante ser real a possibilidade de um sucesso culminar todo este esforço de regeneração, a verdade é que a cura não vai aguardar indefinidamente pela reacção das nossas defesas, antes se trata de uma eventualidade com limite no prazo de espera, a partir do qual tudo se fica pela perspectiva, nunca além. É mais uma das muitas ironias do Divino, sempre pródigo em surpresas do género. Com a hora passada ou simplesmente não alcançada, a oportunidade morre na praia e na prática, com todo o capital de esforço e dedicação a esvair-se em cada uma das incontáveis fórmulas do ‘podia ter sido’, nas infinitas variações desse mágico ‘se’ que tudo pode, tudo serve e tudo permite, desde que no cercado da imaginação e não cá fora, no piso duro e áspero da realidade. E assim se escoam os dias, daí para a frente e para lado algum, deambulando sem direcção e sem sentido, numa ida sem volta e sem futuro. E sem cura possível, já, definitivamente.

 

Quando e se chegado a esse ponto o tempo é de rendição, sabemos todos, mais ou menos no fundo de cada um. Assim descobrimos o limite de todos os limites e, na passada, assim somos descobertos pela nossa maior limitação enquanto seres humanos. Depois é uma questão de tempo e de feitio, varia muito de pessoa para pessoa. Por mim entendo que será hora de preparar um adeus de jeito e encomendar uma despedida decente, mais à medida do que gostaríamos de ter sido do que propriamente fazendo jus ao que fomos de facto, o derradeiro luxo de qualquer miserável que se preze. E logo deitar pés ao caminho sem o carrego inútil de culpas, arrependimentos tardios ou ervinhas milagrosas que já nada podem fazer... pois que mesmo sendo certo que um espírito sofrido é como um corpo doente, atacado de forte e incapacitante virose, a verdade é que pouca ou nenhuma utilidade prevejo numa mesma terapêutica anti-inflamatória aplicada ao tratamento de tosse e dor-de-corno, em simultâneo.

 

Sugestões, alguém?



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Eu, pombinha.
Sexta-feira, 04 Jan, 2013

Face à real probabilidade de chumbo do Orçamento de Estado, Portugal entra em 2013 com o Governo nas mãos do Tribunal Constitucional, com os portugueses nas mãos do Governo e com todos nós, governados e governantes, crentes e ateus, honestos e políticos, todos juntos nas mãos de Deus, de quem se espera (por manifesta ausência de eficácia alternativa) o milagre do conserto das finanças públicas.

 

Ora eu, confesso, estou já farto e cansado desta sina de pombinha da catrina a que fui aparentemente condenado por esta matula de habilidosos em cujas mãos jaz a esperança de um país inteiro (enfim, talvez só numa delas, já que a outra passa a vida nos meus bolsos). E agora, dizem, está tudo nas mãos do Tribunal Constitucional, assim o possível próximo culpado de serviço ao balcão da desgraça nacional. Dizem os jornais que PSD e CDS temem a ingovernabilidade, caso o Tribunal Constitucional chumbe o essencial deste Orçamento de Estado 2013. Dizem as televisões que vêem o risco subir com a assinatura do Presidente da República num pedido de fiscalização. E dizem e sabem todos que são 4 mil milhões de euros que estão em causa, embora Passos Coelho tenha pedido silêncio, dizem que para evitar conflito institucional. Afinal há quem fale de um cenário «apocalíptico» em cima desse corte previsto de quatro mil milhões na despesa. Enfim, aos meus ouvidos o que soa é já o refrão do meu destino, por este andar infalível: "Sem ter beira nem patrão, o voar é nossa sina, vão andar de mão em mão, as pombinhas da Catrina".

 

A questão é só uma, bem vistas as coisas: será que ninguém tem mão nisto?



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Falando com o meu cão
Domingo, 09 Dez, 2012

Esta tarde passeei (eu & Gastão, claro, juntos como sempre). Foram horas e horas a fio, passo por passo repassando um dos mais bonitos percursos da minha vida, um sítio alto e arejado de onde se avistam, lá muito ao longe, largos e importantes pedaços de caminhos que já percorri (anos-luz lá atrás, é certo, mas com que estranha nitidez se enxergam daqui), como se no ar de repente fluísse uma qualquer dimensão intemporal onde por obra e graça da memória, apenas, tivéssemos a capacidade de visitar cada pegada deixada no chão há muito pisado, estradas antigas e não mais, nunca mais calcorreadas com a mesma intensidade de outrora… um verdadeiro milagre, digo-vos, até para um descrente empedernido como eu. Só que hoje a evidência calou-me a descrença com aquela força do que não tem discussão porque é e porque está, ali mesmo, entrando não apenas pelos olhos mas por todos e cada um dos cinco sentidos (dos seis, que digo eu?!) para fazer prova de vida a cada instante, a cada passo em frente, sempre em frente como manda a lei do existir neste mundo de Deus ou do diabo... Gastão adorou, em suma, e eu então nem vos falo: que bem me fez passar por ali!

Só para que me entendam melhor: imaginem uma estradinha sinuosa, linda na sua simplicidade, montanha acima, arvoredo a convidar à descoberta de um lado e falésia escarpada do outro, a pique cortando os ésses da subida e sugando do peito todo o oxigénio que cabe em cada respirar só de ver, só de olhar, só de mirar, mesmo de longe... Assim é este troço por onde passeei esta tarde e que faz como que um miradouro do lado da escarpa, como que um balcão com vista para o passado, o meu passado, o melhor da minha vida ali a uma distância segura, sem perigo de velhos e repetidos enganos… e lá muito em baixo, lá bem no fundo, lá muito ao longe, longe, longe, eis que se vê bem (pese a distância de meia vida), eis que sem engano se distingue cada milímetro dos incontáveis quilómetros percorridos em tempos que já lá vão (e eu com eles, credo, e eu com eles!), toda a beleza irrepetível do branco por sujar, da alma virgem, toda a vida sem pecado ali ao alcance de um gesto, de um desejo, de uma recordação…

Assim foi a minha tarde, flutuando feliz no mesmo mar de memórias onde há muito me afundei, puxado para um fundo de culpas pelo peso daquelas que nunca consegui largar mas que hoje, por uma tarde apenas, consegui enganar, esquecendo. E foi assim que de regresso a casa, de volta à cave escura onde todos os dias me sonho varanda, soberba sobre o oceano, chamei o Gastão à parte e ofereci-lhe o desabafo sentido da minha inconfessável verdade como só um grande amigo se entrega a outro grande amigo, nessa união sagrada de almas gémeas que por mais que se entendam nunca se comunicarão no mesmo linguajar, por falha divina na organização das coisas. Foi assim que lhe disse, tonto de felicidade, alma estafada, pingando remorso mas verdadeiramente eufórico por esta nova descoberta de um velho e esquecido sentir: «Cão: temos decididamente que fazer isto mais vezes!» .



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Chove, eu sei, mas tenho provas:
Quarta-feira, 28 Nov, 2012

018.JPG

 

                há dias lindos de sol.



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Maria da Solidariedade
Quinta-feira, 08 Nov, 2012

 

 (sacado aqui, sem dó nem piedade)

 



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Hum, daí o meu dói-dói...
Quarta-feira, 31 Out, 2012

Novos votos

 

(da arte de Henrique Monteiro aqui )



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Portugal sem acordo
Sexta-feira, 28 Set, 2012

Legisladores Impares

 

Pittaco em Mytilene, com cordura

livrou da tyrannia a lesbia gente,

foi Solon en Athenas egualmente

legislador de mão firme e segura.

 

Aqui na terra lusa tal figura

fazem agora sordida, indecente,

do povo os deputados, que somente

p’ra espedaçar carteiras teem bravura.

 

Em palanfrorio inutil gastam mezes,

consumindo ao paíz bom dinheirinho,

e em vez de leis dão piños entremezes.

 

Um qualquer rachador de sobro ou pinho

usa servir melhor os seus freguezes

sem lhes dar grande rombo no bolsinho.

 

 

(in ‘Outomnaes’ de João Patrocínio da Costa,  edição de 1892,

 Typographia Eduardo Roza, Sucessores)

 

 

 

...

 

 

Sim, concedo, confirmo que concordo: salva-nos o Acordo Ortográfico, nunca pensei dizê-lo mas na circunstância é o que é, encontrei-lhe finalmente utilidade. Este paiz, a terra lusa destes versos tem 120 anos, é Portugal d’outros tempos, eram outros deputados, outro espedaçar, outros bolsinhos, outros rombos… e nada de Acordo Ortográfico, vê-se logo, é o que remove a dúvida por inteiro pois que no resto é Portugal da troika por uma pena, digo eu. Tal&qual, não?

 

RVN

 



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Não fui eu que escrevi mas queria, podia, devia ter sido.
Terça-feira, 04 Set, 2012

'Os hipócritas adoram sinais. Adoram mostrar sinais. Possuí-los. Para si e para o seu clã. Os hipócritas precisam dos sinais para se reconhecerem. Reconhecem-se pelos sinais porque o sinal é tudo. Quão mais vistosos, mais hipócritas são os hipócritas que vemos a pavonear os sinais da sua hipocrisia.(..) '

 

( in 'Semiótica dos hipócritasde Valupi. Ler tudo aqui)



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Um dos
Quarta-feira, 29 Ago, 2012



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Abençoados 94, Madiba!
Quarta-feira, 18 Jul, 2012

nelson mandela

"Milhões de sul-africanos celebraram hoje o 94.º aniversário de Nelson Mandela fazendo trabalho comunitário, como construção de casas para sem abrigo ou tarefas diárias em infantários e lares de idosos para os mais desfavorecidos. De norte a sul do "país do arco-íris", brancos e negros viveram um dia intenso de solidariedade social, seguindo à risca a herança do primeiro presidente negro da sua história. Em todas as escolas do país, 12 milhões de alunos e alunas cantaram os "parabéns a você" exactamente às 08h00 (07h00 em Lisboa) e em muitas empresas a cena repetiu-se no início do dia de trabalho."

 

(fonte: Lusa)

 



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Sôdade
Sábado, 17 Dez, 2011


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Não vás as mar, Tòino... Não vás ao mar, Tereskov Yadyslav...
Sábado, 03 Dez, 2011

Em Caxinas a morte foi hoje batida por seis a zero, num desafio emocionante transmitido em direto pela televisão. Primeiro um naufrágio, depois sessenta horas perdidos no mar, seis vidas à deriva no capricho das àguas, numa pequena balsa, nas mãos de Deus. E depois o fim, mas feliz. Desta vez feliz. «'O Senhor chamou todos para irem para a beira d'Ele', foi logo o que pensámos», diz uma das mulheres de Caxinas na hora do milagre. a fazer recordar outras mulheres nas palavras de Chico Buarque... 'mirem e sigam o exemplo dessas mulheres de Atenas, sofrem pelos seus maridos, bravos guerreiros de Atenas'... Com voz tremida diz outra, já no autocarro de regresso a casa e com o marido ao lado: «Obrigado nosso Senhor que me destes o meu homem de volta, querido Senhor..» É Portugal profundo, o tal país, o nosso país que ajoelha para celebrar a gratidão e vai tangendo o seu fado mais alegre, tocado numa das suas cordas mais sensíveis: a alma de homens do mar. Nada mais nosso, marinheiro, nada mais português.

 

Portugal acompanhou pela televisão a tragédia que podia ter acontecido. Foi assim que fomos aos poucos tomando consciência da imensa dádiva destas seis vidas, que fomos passando de leve pela noção da possibilidade milagrosa. De como poderia não ter sido assim, como podia ter acabado diferente, mais igual ao que é costume, esta história tantas vezes já ouvida e cantada em português. Não vás ao mar, Toino... Foi um barco de pesca que naufragou e desapareceu nas águas, e com ele desapareceram os seus pescadores, seis homens... um dia e nada, dois dias e nada, três dias e de repente, hoje a meio da manhã, depois de sessenta horas à deriva, no mar e na esperança, os seis homens foram encontrados e resgatados com vida. Fim. E um final feliz, para variar.

 

Portugal tem por isso razões para sorrir, hoje. Para rir e para chorar de alegria e para cantar o seu fado, agora de esperança renovada nessa benção divina que nos protege quando partimos para o mar, queremos muito acreditar. Hoje a coisa correu bem, muito bem mesmo. É que foi um dia e nada, dois dias e nada, três dias e de repente, hoje a meio da manhã, depois de sessenta horas à deriva, no mar e na esperança, os nossos seis pescadores foram encontrados e resgatados com vida, o país acompanhou pela televisão a tragédia que podia ter acontecido e teve a prova de vida dos nossos homens em direto e pela voz de um deles, o primeiro pescador a ser ouvido sobre o que aconteceu. 'Estamos todos vivinhos', disse ele, emocionado. E eu ouvi com igual emoção, senti o alívio genuíno na voz daquele homem resgatado à morte dos homens do mar, fixei a expressão do seu rosto que era o rosto do naufrágio do 'Virgem do Sameiro', pescadores de Caxinas, gente da minha terra. Este chamava-se Tereskov Yadyslav, os outros não fixei. Ligo pouco a nomes se há vidas em risco, mas sinceramente prefiro Tòinos. São mais fado. 



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Ofertas FNAC: pare, escute e olhe.
Terça-feira, 22 Nov, 2011

N'A Barbearia pode e deve ler-se esta experiência do Luís Novaes Tito, contada pelo próprio com um rigor factual constatável, logo incontestável. O post em questão data de 26 de Outubro, tem volta à carga a 7 de Novembro e até hoje nada, nem uma carta, nem um postal, nem uma explicação, nem uma solução. Com o Natal à porta torna-se cada vez mais uma leitura oportuna, para não dizer obrigatória, especialmente aconselhada aos incautos que somos todos nós. E um aviso importante a pedir consequência para que a expressão 'defesa do consumidor' queira de facto dizer alguma coisa e não passe de um mero tique de modernidade no marketing sempre igual do vale tudo.

 



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Reflexão de domingo, pergunta do dia, conversa de café.
Domingo, 20 Nov, 2011

Notícia:

«Assunção Esteves não tem ordenado pois optou por reforma de 7 mil euros»

 

Esta notícia é notícia.

Esta notícia reporta informação que tem relevância, importância e oportunidade. 

Esta notícia reporta factos para lá do facto que faz a notícia e todos eles se justificam, à luz de qualquer critério editorial de qualquer editor competente, que sejam levados ao conhecimento do público. 

Esta notícia está redigida e apresentada de forma correta, objectiva, informativa.

É uma notícia que é o que é, é o que diz, vale o que vale.

Tudo nela é verdade, tudo o que reporta é correto e legal. 

Esta notícia é apenas mais uma notícia.

 

Porque nos choca, então?

O que tanto poderá indignar e revoltar Portugal quando ler esta notícia?



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É preciso é calma, já se sabe. E estudos, ajuda muito.
Sexta-feira, 18 Nov, 2011

Confirma-se: hoje é uma sexta feira dezoito e não treze, por isso atenção, não vale gritar azar às notícias do dia que não cola nesta circunstância e que também dificilmente colaria noutra circunstância qualquer, convenhamos. Assim, o grosso da informação que hoje resume a actualidade das escandaleiras várias que fazem o grande escândalo que somos por estes dias não é mais que Portugal a ser Portugal  -  essa sim, a nossa crise maior. Só que desta vez é um Portugal particularmente sofrido e magoado quem reage, um país zangado e dorido, troikado e mal pago, sedento de uma justiça popular que fosse passível de ser aplicada a eito e num estilo doa a quem doer' desde que num 'deles' e não apenas em mais um dos do costume. Estes alegadamente culpados que hoje vão a julgamento servem por isso muito bem para começar, na rua o que se ouve é já que este e aquele têm pinta de culpado e tudo, o que sempre ajuda, melhor ainda, mas se fossem outros também serviriam, teriam que servir que a gente já não aguenta mais tanto agravo sem resposta, tanta penalização sem culpa correspondente e ainda esta espécie de greve de lixo que sobra sempre para os de sempre, hoje como ontem, hoje como sempre. O facto é que Portugal está a rebentar de indignação debaixo da tampa, que tarda a saltar, felizmente. Felizmente? Bom, ter sido um dos 'eles' veio mesmo a calhar, a uns e a outros, cai que nem ginjas por cair com tamanho estrondo, o que já alivia parte da raiva de uns e sempre desvia um pouco o olhar posto fixo nos outros, com uma folga tão mínima que mal se dá pela sua existência no fragor da contenda. O que nos traz de regresso às notícias do dia.

Duarte Lima é hoje o Carlos Cruz de serviço para os lados da Gomes Freire e do Campus de Justiça, a ele ninguém tira o prime time da atenção nacional em todos os telejornais. Ninguém quer perder os pormenores mais gulosos, viste o carro da PJ? E a cara dele, viste? Então e a casa na Quinta do Lago, só aqueles portões, aquele jardim... Seis milhões de euros, ouvi eu, vê lá tu! É certo que ainda faltam falar o Cláudio Ramos e a Cinha Jardim, falta saber o que pensam a Maya, a Júlia e o Goucha, naturalmente, mas mesmo assim eu arrisco acreditar que o ex-deputado seja o culpado preferido dos portugueses, que juntam Rosalina e BPN no mesmo embrulho para não perder tempo com ninharias e ver a coisa resolvida. Mas hoje em Aveiro há mais, mais apelidos sonantes naqueles bancos de tribunal e ainda um brinde, promessa de melhor à espreita no fel da nação; pois que se é certo que José Penedo e Manuel Godinho serão as figuras do dia em tribunal, não é menos verdade que as escutas feitas a José Sócrates são simultâneamente cenoura de engodo e cereja de sobremesa, se calhar cair deste bolo repleto de fruta grada e suculenta, alguma podre para uns por isto, para outros por aquilo e para todos porque outros já nos foram ao bolso neste Natal deixando garantia de que váo passar a aparecer mais vezes e com factura em dobro  -  tudo regular, legal e habitual. Alguém tem que pagar por tanto sofrimento e tanto sacrifício. E quantos mais melhor, caramba, mais alivia. Zangados estamos todos, os que protestam e gritam e os que pagam e calam, por uma questão de educação, afinal há que ter maneiras, é preciso é calma, ou por pura cobardia, o que é preciso é calma, agora e sempre haja respeito. Eles é que mandam, a gente é mais para obedecer e comentar no café. E tudo passa, vão ver, tudo passará. No fundo cá se vai andando na graça de Deus, lá vai dando para o tabaco e para regar a salada, tudo se cria, melhores tempos virão. O que é preciso é calma, tudo se resolve.

 

Eu é que ando para aqui a pensar há uns tempos, mais ou menos desde a recente coelhada fatal, a dos passos da crise, aquela dos impostos e dos subsídios e das borlas laborais e da dignidade nacional... É mais ou menos daí para cá que se me instalou esta dúvida histórica para a qual a minha ignorância não tem resposta que me elucide de vez. Ora digam-me, no antigamente, no tempo do pau e espada ou antes ou depois, assim exactamente como é que começavam as revoluções? Quando é que o povo se atrevia ao 'não'? Quanto aguentava sofrer até explodir, no limite do limite dos seus limites? Quanto era preciso engolir e sofrer até o povo rebentar, já feito em pedaços? Quanto tempo, mais ou menos? Quanta humilhação, já agora? Ignorância, é o que eu digo, ou eu próprio saberia a resposta, quem sabe senti-la-ia até, já, na pele. Lá diz o outro, pendurado pelos suspensórios num armazém até ao Verão. Pois, se eu tivesse estudado...



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Definição de sacrifício no país da austeridade
Sexta-feira, 14 Out, 2011

«Portugal vai defrontar a Bósnia no play-off de acesso ao campeonato europeu de futebol 2012. Jogadores ganham 112 mil euros com a qualificação.»



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A questão
Quinta-feira, 13 Out, 2011

Portugal perdeu com a Dinamarca, ontem à noite. Falo da selecção portuguesa, da equipa que nos representa a todos e à alma lusitana, juntos a suar aquela camisola que nos destaca no mappa mundi do futebol de alta competição. Destaque de equipa, naturalmente, já que em termos individuais é o que se sabe, não são poucos os portugueses mundialmente reconhecidos como excepcionais na prática deste desporto que dizem rei e alucina milhões. São os nossos craques, as nossas estrelas emigrantes que ontem passaram cá por casa e vestiram as cores nacionais mas nem por isso nos salvaram dos dois quase secos que estávamos a embuchar até que um pingo de Ronaldo marcou a diferença com uma gota de génio, um golaço feito lágrima solitária sobre o que podia ter sido mas não foi, não chegou a ser, temos pena. Não aconteceu. E assim Portugal perdeu, dirão os títulos do que ficar escrito. Entretanto o Presidente da República promulgou a redução das compensações por despedimento para novos contratos de trabalho, o Primeiro Ministro prepara o país para o Orçamento de Estado para 2012, o Governo prepara novos cortes salariais para a função pública e é também anunciada a exclusão das despesas com a habitação nas deduções do IRS, entre muitas outras medidas de uma austeridade justificada pelo rigor e contenção que fomos todos forçados a assumir como obrigação nacional, face às circunstâncias do momento. Enfim, quase todos, que hoje também é notícia a incrível descoberta da remuneração ilegal de dois destacados membros deste Governo com 1.150 euros mensais de subsídio de alojamento, apesar de serem ambos possuidores de casa própria na capital. Ou seja, no geral é mais do mesmo: é Portugal a perder. Mas sabem, já nem é a questão dos números da derrota, ou das derrotas, que merece sequer a tinta do que aqui escrevo na ressaca de tanta marretada. A questão é outra, digo eu. Qual, alguém tem ideia?



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E pronto, eis que descubro...
Terça-feira, 11 Out, 2011

 

 

... vai quase meado, Outubro.



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.......
Terça-feira, 11 Out, 2011

 

 



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Bom dia. Se bem me lembro...
Quinta-feira, 01 Set, 2011

... hoje começa Setembro.



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O princípio do fim
Terça-feira, 30 Ago, 2011

«O ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, declarou hoje  que “não é possível” manter a RTP Madeira e a RTP Açores a funcionar custando 24,7 milhões de euros por ano.»



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E, de repente.
Sexta-feira, 12 Ago, 2011

«Carlos e a filha de 11 anos estavam ontem à tarde a brincar na água, quando a menina sentiu que se ia afogar e gritou pelo pai. O homem, de 35 anos, não pensou duas vezes. Conseguiu salvar a criança, mas acabou ele por desaparecer nas águas do rio Tejo, em Valada do Ribatejo, no Cartaxo. A mulher e a filha mais nova, de nove anos, estavam na areia e assistiram à tragédia. Nenhum deles sabia nadar.»



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Um azar nunca vem só
Sexta-feira, 12 Ago, 2011

«Uma explosão de uma botija de gás num café em Estoi, no Algarve, deixou o proprietário do café Micks, de 50 anos, com queimaduras de 1.º e 2.º graus. A vítima foi transportada para o Hospital de Faro.»



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Diz que é uma espécie de férias...
Sexta-feira, 05 Ago, 2011

... é o título não de um novo programa dos 'Gato Fedorento' (sempre achei o nome do grupo... hum... sublime) mas sim deste post que faz o que faz falta, que é avisar a malta, naturalmente. De quê? Bem, que durante este mês de Agosto o 7Vidas vai a banhos, enfim, mais ou menos, vai de passeio atrás do sol, digamos. Objectivamente a notícia é que a produção cá da casa entra no modo 'Verão', com tudo o que isso implica e que eu não faço ideia o que seja, aqui entre nós. Diz que é uma espécie de férias, pronto, foi o que me ocorreu... mas eu vou aparecendo, hei-de ir passando e dizendo umas coisitas, o tal modo 'Verão'.

Que verão, prometo.

 



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Força na buzina!!
Segunda-feira, 01 Ago, 2011

Protestos na ponte 25 de Abril

  «Depois de uma manhã de protesto tímido, milhares de automobilistas puseram ao final da tarde a mão na buzina para dar força aos argumentos contra as portagens na ponte 25 de Abril e contra o aumento dos preços dos transportes.»

 

(nota do autor: PiiiiPiiiiiiiiiiiiiiiiii)



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Bom dia. Hoje chove em Lisboa...
Segunda-feira, 01 Ago, 2011

Intensificam-se operações contra efeitos da seca que atinge 12 milhões de pessoas no Corno de África.

As organizações humanitárias intensificaram hoje as operações contra os efeitos da seca que atinge milhões de pessoas na África Oriental. A situação é particularmente crítica na Somália

onde a ONU decretou  que duas províncias do sul são zonas de fome.



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Depois do homem que mordeu o cão...
Domingo, 31 Jul, 2011

... temos o cão que mordeu o tubarão. Inacreditável? Sem dúvida, mas uma realidade registada em video e tudo. Só visto, aqui.

 

nota pós publicação: É de registar que o tubarão foi mordido mas sobreviveu. E mais, e melhor: o tubarão andava na blogosfera quando este post foi publicado. É verdade sim senhor. E tal como temos o video a provar a dentada, temos também prova do tubarão na bloga pelo rasto que deixou aqui mesmo, nos comentários a este post... três minutos após publicação. Irra, mordido mas atento!

Bem bom que este é amigo... welcome back, shark!



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Bom dia. É hoje, é hoje!!!
Domingo, 31 Jul, 2011

Foi há bem pouco tempo que se falou aqui dos Dias Mundiais deste mundo e da imensa hipocrisia que, regra geral, acompanha esse tipo de efeméride. É que vem o dia mundial da árvore e toda a gente ama a natureza, vem o dia mundial da SIDA e toda a gente esquece o preconceito, vem o dia mundial da música e pótchim tchipum pótchim, vira o disco e toca o mesmo. E eu na minha, a ver a banda passar e o povo a bater palminhas ao que se recorda hoje para logo esquecer amanhã. E hoje calha a vez ao Dia Mundial do Orgasmo, os senhores acreditam? Se não acreditarem eu compreendo, afinal orgasmos e mentiras confundem-se tantas vezes e há tanto tempo que haverá muito boa gente que certamente reconhecerá o nome mas só de ouvir falar... porque falar sim, fala-se muito. Nos dias que correm o que sobra é informação sobre aquilo que a prática não reconhece, talvez por falta de prática, na maioria dos casos. Veja-se o caso do famoso ponto G, por exemplo, que ainda recentemente aprendemos(?) situar-se 'na parede de trás da vagina, a cerca de três centímetros adentro' do orifício vaginal e que não é um ponto mas sim uma 'zona circular com o diâmetro de uma moeda de vinte cêntimos'... Pfff, e então? Será uma informação preciosa(?) para quem saiba o que fazer com ela, ou pelo menos para quem queira aprender mais sobre como lidar com esse eterno mistério que é o universo feminino, melhorando assim substancialmente as ralações entre lençóis, talvez. Temos então assim que informação não falta, ou seja, que não será por falta de se falar no assunto que eles não aprendem de uma vez por todas a lidar com elas... aliás é tanta a informação que anda no ar que agora até existe um Dia Mundial do Orgasmo, para que pelo menos uma vez por ano as pobres possam vislumbrar o funcionário da panificação tradicionalmente desaparecido em combate.

E é hoje, pessoal, é hoje. É hoje!!!



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Boga ou Beluga?
Sábado, 30 Jul, 2011

 

A notícia foi notícia há quinze dias atrás, pelo que fresca já não será, propriamente. Mas continua a ser um bom exemplo do grande mistério nacional que é esta extraordinária capacidade que o meu povo tem de engolir toda a boga que lhe é impingida como ova do mais fino esturjão e ainda bater palmas no final do embuste, por entre arrotinhos de gratidão. Reza então assim, esta notícia que é um teste, um desafio à credulidade do indígena: «Uma sondagem da Aximage revela que 45% dos inquiridos considera boa a decisão do Governo em aplicar um imposto extraordinário sobre o subsídio de Natal». Dá para acreditar? A mim custa-me, confesso... e não, não acredito, nada a fazer. Mas e você, que me diz? Será possível, Portugal?



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Era menos, menos...
Quinta-feira, 28 Jul, 2011

«Passos empenhado num "acordo de médio prazo" com parceiros sociais» 

É o mal dos títulos longos, sempre achei. Bastava «Passos empenhado» e teríamos finalmente um primeiro ministro com quem o povo se identificava na perfeição. Assim...pfff.



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O que diz o senhor da fotografia
Quarta-feira, 27 Jul, 2011

 

Este senhor da fotografia é Mario Borghezio, um eurodeputado eleito pela Liga Norte, partido aliado de Silvio Berlusconi, que hoje disse simpatizar com algumas das ideias do terrorista norueguês Anders Breivik, em declarações feitas a uma rádio italiana. "Algumas das ideias que exprime são boas, retirando a violência, e algumas delas são excelentes", afirmou. Assim como quem diz que gosta muito de pastéis de bacalhau, retirando o bacalhau, naturalmente. Ou de gemadas, retirando os ovos, claro.

 

A acreditar no senhor da fotografia ficará tudo muito bom, talvez excelente. Eu não sei, será questão de gosto mas dou por mim a achar que o senhor da fotografia ficou muito mal na fotografia quando abriu a boca para a opinião alarve. Para a opinião que é alarve na minha opinião, atenção, haverá quem ache que sim, haverá quem ache que não... e bastaria embalar um nadita no raciocínio e de repente todo o episódio se deixaria resumir a este opinar desconforme, apenas mais um diz-que-disse da política partidária, por acaso italiana. Podia ser assim. E assim será sem dúvida para todos aqueles que vão depreciar o desconchavo de Mario Borghezio e arrumar rapidamente o episódio na folha do esquecimento, por conveniência política, má fé ou estupidez. "Algumas das ideias que exprime são boas, retirando a violência, e algumas delas são excelentes"? Vale o que vale, apenas mais um sound byte entre tantos outros, nada mais. Nada mais?

 

Podia ser assim, de facto, podia ser só isto e nada mais, e tudo na vida podia ser bonito e cor de rosa como seria o mundo de Alice sem a Rainha de Copas. Podia, mas não é. E só o facto do senhor Borghezio ter posto Anders Breivik na fotografia e ainda ter oferecido um enquadramento político-aceitável para as opiniões expressas no seu manifesto parece-me deveras preocupante, confesso. Em termos sociais, se é que me faço entender. Não por consequência factual imediata, que imagino nula ou quase... e o senhor Borghezio parece-me perfeitamente capaz de dizer mais disparates que façam esquecer este em particular, também por aí não vejo problema de maior. Onde eu vejo problema sério é num eventual efeito de libertação prolongada que esta afirmação possa ter para emprestar uma falsa decência ao acordo tácito de políticos em aceitar um diálogo político que traga de reserva um recurso à bomba, opcional e condenado apenas em princípio. Mas aceite, enfim. Publicitar simpatia pessoal e concordância ideológica com as opiniões de Anders Breivik, mesmo numa utópica versão não violenta, é introduzir na opinião pública aquilo que pode soar como oferta de legitimidade e aceitação aos ouvidos de todos os potenciais Anders Breivik deste mundo louco em que vivemos, conforme prova a primeira página de qualquer jornal norueguês dos últimos dias. E é isso que me parece grave no dislate proferido por este Mario Borghezio, o senhor eurodeputado e retratado imbecil desta fotografia. Só isso, nada mais.



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Régio dixit... e bem.
Quarta-feira, 27 Jul, 2011

 


Sim, foi por mim que gritei.
declamei,
atirei frases em volta.
...cego de angústia e de revolta.

 

Foi em meu nome que fiz, 

a carvão, a sangue, a giz,
sátiras e epigramas nas paredes
que não vi serem necessárias e vós vedes.

 

Foi quando compreendi
que nada me dariam do infinito que pedi,
que ergui mais alto o meu grito 

e pedi mais infinito!

 

Eu, o meu eu rico de baixas e grandezas,
eis a razão das épi trági-cómicas empresas
que, sem rumo,
levantei com sarcasmo, sonho, fumo...

 

O que buscava
era, como qualquer, ter o que desejava.
febres de Mais. ânsias de Altura e Abismo,
tinham raízes banalíssimas de egoísmo.

 

Que só por me ser vedado
sair deste meu ser formal e condenado,
erigi contra os céus o meu imenso Engano
de tentar o ultra-humano, eu que sou tão humano!

 

Senhor meu Deus em que não creio!
Nu a teus pés, abro o meu seio
procurei fugir de mim,
mas sei que sou meu exclusivo fim.

 

Sofro, assim, pelo que sou,
sofro por este chão que aos pés se me pegou,
sofro por não poder fugir.
sofro por ter prazer em me acusar e me exibir!

 

Senhor meu Deus em que não creio, porque és minha criação!
(Deus, para mim, sou eu chegado à perfeição...)
Senhor dá-me o poder de estar calado,
quieto, maniatado, iluminado.

 

Se os gestos e as palavras que sonhei,
nunca os usei nem usarei,
se nada do que levo a efeito vale,
que eu me não mova! que eu não fale!

 

Ah! também sei que, trabalhando só por mim,
era por um de nós. E assim,
neste meu vão assalto a nem sei que felicidade,
lutava um homem pela humanidade.

 

Mas o meu sonho megalómano é maior
do que a própria imensa dor
de compreender como é egoísta 

a minha máxima conquista...

 

Senhor! que nunca mais meus versos ávidos e impuros
me rasguem! e meus lábios cerrarão como dois muros, 

e o meu Silêncio, como incenso, atingir-te-á, 

e sobre mim de novo descerá...

 

Sim, descerá da tua mão compadecida,
meu Deus em que não creio! e porá fim à minha vida. 

e uma terra sem flor e uma pedra sem nome
saciarão a minha fome.


José Régio (Poema do Silêncio)



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Viver a morte
Terça-feira, 26 Jul, 2011

«Um homem que se julgava estar morto acordou numa morgue na África do Sul, depois de ter passado quase 24 horas no interior de um compartimento antes de acordar e gritar por ajuda. A morgue privada, situada na localidade de Libone, província de Eastern Cape, tinha sido chamada pela sua família que o julgava morto. Ao acordar, o indivíduo começou a gritar e assustou dois funcionários, que fugiram. Só após algum tempo é que os mesmos funcionários regressaram ao local e retiraram o homem do interior do compartimento onde se encontrava alojado.»



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Viagens na minha terra...
Segunda-feira, 25 Jul, 2011

«A oitava expedição científica 'Paleontologia em Ilhas Atlânticas', que terminou no fim de semana em Santa Maria, Açores, permitiu encontrar espécies novas para a ciência, maioritariamente moluscos marinhos com mais de cinco milhões de anos.»

 



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Sem palavras
Domingo, 24 Jul, 2011

 

 

Fica entretanto por saber se houve vencedor deste mórbido passatempo, «Predict Amy's dead and win a Ipod touch», on line desde Maio de 2007, pelo menos, e que oferecia um Ipod a quem acertasse no dia e hora da morte de Amy Winehouse, algo dado já na altura como sendo para muito breve face aos indicadores de comportamento da cantora britânica: «We’ll all have a date with our maker someday, but Amy Winehouse just can’t seem to wait.», explicam os criadores deste concurso imbecil. O pequeno texto introdutório vai ainda mais longe na ironia mordaz, «for some reason Amy has landed in a self-destruction derby. It is even rumoured that Amy and Pete are keeping the Colombian economy going»para terminar com esta pérola, absolutamente imbatível: «Guess her final breath and be crowned Mr. Or Mrs. Death»  Se por um lado a página vale o que vale enquanto passatempo, tem por outro lado uma impressionante sequência fotográfica com instantâneos da cantora que nos ajudam a perceber o caminho pisado pela jovem até ao trágico desfecho de ontem. Sem palavras, só a mágoa em imagens.



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E pronto, caiu.
Domingo, 24 Jul, 2011

Foi estrela cintilante na constelação da pop mundial. Rara. Excessiva. Brilhante. Amy Winehouse apagou-se ontem, aos 27 anos de idade, a mesma idade fatídica com que morreram Kurt Cobain, Jim Morrison, Brian Jones, Jimmy Hendrix e Janis Joplin, cinco nomes lendários para cinco vidas excessivas, cinco existências igualmente marcadas pela genialidade e pela tragédia. Pelo abuso do álcool e das drogas, também. E pela morte precoce, após uns escassos 27 anos de vida e depois de maravilharem o mundo com o seu talento, imorredouro nos registos que nos deixaram. Amy Winehouse foi como eles uma estrela maior, é certo, mas uma estrela sempre cadente, até mesmo no auge. E mais, e pior: tão progressivamente decadente (e a uma tal velocidade) que a notícia do seu fim acaba por pouco espantar, como se um final trágico fosse o único culminar aceitável na performance desta artista... e a dor da separação um encanto para saborear, entre os fãs.

 Em 2007 Amy Winehouse recebia seis indicações para os Grammy's, incluindo as quatro principais (Revelação do Ano, Álbum do Ano, Gravação do Ano e Música do Ano), se bem se recordam. Acabou rainha da noite, contemplada com cinco estatuetas numa cerimónia realizada em Los Angeles e a que Amy não pôde assistir por lhe ter sido recusado o visto de entrada nos EUA, em função do seu comportamento habitualmente escandaloso. Foi por essa altura que escrevi este texto, de onde retirei agora estas palavras dedicadas à estrela da noite, estrela maior, extravagante, genial. 

A mesma estrela que ontem, de tão cadente, caiu.

 

"Aos ouvidos de Amy sopram agora as mesmas vozes que sempre se encontram ao redor de um vencedor, os que dizem só o que sabem ser do agrado de quem ouve, sem risco de contraditório. Take it for granted, dir-lhe-ão. E ela vai gostar de ouvir, pelo que if they want to send me for rehab I'll say no, no, no... Em volta de uma Amy já em desequilíbrio estão agora os pesos mortos, rapaziada do elogio, pessoal da lingua no coiso, mestres da graxa e sugadores de luxo em qualquer palhinha que se ponha a jeito. O peso de todos, num equilíbrio já de si precário, fará cair o chão e desabar o tecto do sucesso. Depois pôr-se-ão a milhas. E só na solidão do abandono das sanguessugas e dos cínicos, dos lacaios e dos bobos, dos falsos e dos merdas, é que Amy Winehouse vai encontrar um dia o seu caminho da glória. Ou não, quem sabe fica pelo caminho, como tantos outros fenómenos que não se souberam gerir enquanto tal. Que só deram pelo valor do seu talento quando já toda a gente tinha secado as lágrimas por este se ter suicidado. Será uma pena se assim for também com esta garota, pouco mais, brinquedo nas mãos das bruxas que batem palmas ao petisco da rentável novidade. E que querem tanto rehab como ela, alucinada. Amy Winehouse sem drogas? Podia até ser engraçado, mas não vendia. Amy é mais que a pessoa que canta, é o boneco escandaloso que pisca o olho à moda, que é quem paga as contas. Do encanto do espectáculo faz parte a sua própria degradação, que o público paga para ver como quem vai ao circo ver o leão comer o prior, neste moderno freak-show global.

Amy Winehouse é um fenómeno da pop, uma genuína alma de artista perdida numa embalagem de sofrimento e desespero. Uma voz de timbre único, uma sensibilidade selvagem e um ritmo original, próprio, inventado, criado, seu de berço. Uma eleita, inocente dessa culpa. O que ela tem que a faz genial ela não domina, não compreende, não vê e não valoriza. Para ela, tal como está, a felicidade ainda mora no nevoeiro e o amanhã não existe. Aos 24 anos, Amy segue em rota de colisão com o seu próprio futuro, embalada na asneira por não conseguir chegar com o pé ao travão da maturidade. A noite de ontem, ao carregá-la com mais cinco pesos de estrelato, só chamou mais gente para ajudar a empurrar a tragédia. Só deu velocidade ao inevitável, suspeito. Porque o espectáculo, esse, tem que continuar sempre, custe o que custar. E custe quem custar no caminho."

 



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O rosto de noventa e três mortes
Domingo, 24 Jul, 2011

 

 

 

 



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O jogo da vida
Quarta-feira, 20 Jul, 2011

 



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Bom dia. Hoje é trágico porque a malta é nova, não pensa...
Sábado, 16 Jul, 2011

A época balnear começou há apenas um mês, mas já se revelou trágica para, pelo menos, 20 jovens que devido a mergulhos mal calculados sofreram lesões graves na coluna cervical. Os dados foram avançados ao SOL por Nuno Leitão, porta-voz do Instituto de Socorros a Náufragos (ISN). «São quase todos rapazes entre os 10 e os 20 anos», esclarece o responsável, explicando que os acidentes ocorreram porque os adolescentes mergulharam em locais com rochas no fundo ou poucos profundos. Quando foram levadas pelas equipas médicas, estas 20 vítimas já «não sentiam os membros inferiores pelo que a probabilidade de ficarem paraplégicos é grande».



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Hoje, meu amor
Terça-feira, 12 Jul, 2011

Tenho (tive sempre) uma predilecção especial por este poema, que escrevi há mais de vinte anos para um instrumental de guitarra portuguesa da autoria do meu amigo Paulo Jorge Santos, guitarrista de eleição e meu co-autor neste tema que viria a fazer parte do CD 'Vidas', editado pela Ovação em 2004 e gravado com a participação à viola de outro grande amigo e instrumentista de topo, o meu queridíssimo Carlos Manuel Proença.

Deixo-vos as palavras, para saborear.

 

 

 

Hoje, meu amor, esquece o meu nome

não me esperes mais que eu vou para a rua

fugir de mim, beber, gritar à Lua

brincar de faz-de-conta até poder

 

Hoje eu digo a todos os meus medos

que em noites de festa eu sou perfeito

e deixo em casa as mágoas e os segredos

que pesam toneladas no meu peito

 

Sinto um recado no ar:

«que os ventos da loucura te protejam,

que os sonhos sejam sonhos que se vejam,

que vidas pequeninas temos nós!»

 

Sigo a voz que sopra aos meus ouvidos

os mais belos versos que há memória

e deixo-me ir no embalo dos sentidos

sonhar dias de sol, noites de glória.

 

Sempre iguais os dias continuam

mal acaba a noite lá vou eu

dizer-te que a manhã escondeu a Lua

e a voz dos versos desapareceu

o sonho que eu sonhava amanheceu

e a minha fantasia adormeceu.



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Bom dia. Hoje a coisa está feia.
Segunda-feira, 11 Jul, 2011

Pânico nas bolsas leva PSI20 a afundar mais de 4 %. É o maior 'sell'off' em Lisboa desde Maio de 2010. Os títulos da banca são os mais castigados. O BCP derrapa 7%. Lisboa protagoniza o pior desempenho na Europa, num dia de fortes quedas.



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Puro requinte lusitano
Sábado, 09 Jul, 2011

Esta ideia de cada português enviar um saco de lixo à Moody's é bem a expressão do mais puro requinte lusitano, vejamos: em vez de os mandar à merda mandamos-lhes a dita e eles que façam o que quiserem...

Ah, como é linda a nacional subtileza!



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Fuck you very much, Moody's.
Sábado, 09 Jul, 2011

Vale a pena ver este video realizado por uma dupla de criativos da filial portuguesa da agência de publicidade BBDO, Pedro e Hugo, que decidiram enviar um saco de lixo para a sede da Moody's em Boston, Massachusetts, mais exactamente no nº 175 da Federal Street.

A acompanhar o lixo nacional a rapaziada da BBDO fez questão de enviar também o video que documenta todas as etapas desta original iniciativa e cuja banda sonora, qual cereja no bolo, elimina quaisquer dúvidas que pudessem existir quanto ao espírito que presidiu a esta criação promocional: falo da música de Cee Lo Green chamada 'Fuck You', um título que singela e delicadamente exprime na perfeição o sentimento de todo um país agradecido. Para completar a encomenda dirigida à agencia de rating, a dupla de criativos juntou nesta 'carta com um pedaço de Portugal como ele é visto pela Moody's' a mensagem que aparece na imagem final do video: «Só para que saibam que estamos a trabalhar para elevar o nosso rating». Para acabar em beleza, Pedro e Hugo deixam o convite a todos os portugueses para que lhes sigam o exemplo, com instruções precisas em http://lixoparaamoodys.com/.

Os senhores que me dizem, vamos a isto?



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Bom dia. Hoje eu bato palmas à mudança, se for verdade.
Sexta-feira, 08 Jul, 2011

«Passos Coelho decidiu acabar com as regalias nos ministérios. O primeiro-ministro quer que seja o Governo a dar o exemplo e vai cortar a eito nas despesas dos vários gabinetes. Assim, proibiu os ministros e todos os membros do Governo de usarem viaturas oficiais ao fim-de-semana ou nas deslocações pessoais. Os onze ministros de Passos Coelho, bem como todos os outros membros dos respectivos gabinetes, deixam também de ter direito ao uso de cartão de crédito para despesas de representação. No âmbito da política de contenção e de austeridade imposta no interior do próprio Governo, Passos Coelho deu também orientações expressas para limitar as nomeações ao estritamente necessários e estabelece limites salariais para os requisitados. Segundo as novas regras, um requisitado que opte por manter o salário de origem só poderá fazê-lo se este não ultrapassar em mais de 50% o vencimento correspondente ao cargo que vai ocupar. Qualquer excepção pontual terá obrigatoriamente de ser autorizada pelo próprio primeiro-ministro, estando os ministros inibidos de tal poder.»

 

 



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Confissões de uma pila doida
Quinta-feira, 07 Jul, 2011

É mais uma estória de doença e bizarria, se quisermos ver assim. Porque no facto é tão somente mais um crime, é certo que particularmente repulsivo na intenção canalha mas depois estupidamente desastrado na execução e no final apenas porco. Falo deste episódio, noticiado naturalmente pelo Correio da Manhã que nos conta a triste história de Marco M., 29 anos, um predador sexual que atacava em cemitérios e que anteontem foi finalmente detido pela PJ de Vila Real em Sande, Lamego, onde residia.

É sabido que Marco atacava pelo menos desde Abril de 2009, data da primeira queixa apresentada e a que se seguiram mais quatro, a última das quais em Março deste ano. Todos os dados apurados são extremamente parecidos no relato da execução demente. Uma das vítimas, uma senhora de 70 anos de idade que visitava o cemitério de Corvelinhos, em Peso da Régua, conta o que aconteceu quando lhe surgiu pela frente aquele rapaz nu da cintura para baixo e de sexo erecto vindo na sua direcção. «Estive a arranjar a campa do meu filho e quando ia a sair vi aquele rapaz. Atirou-me ao chão, tentou tocar-me mas magoou-se e consegui fugir nesse instante». Sabe-se agora, pela confissão do próprio, que Marco terá ficado para trás a masturbar-se como de resto fez em todos os outros ataques, cinco tentativas de violação e nenhuma consumada. Em todas actuou de modo igual, meio nu da cintura para baixo e meio louco da cintura para cima. Sobre todas fez uma confissão patética e detalhada, todos os patéticos detalhes do desempenho criminoso de um caso clínico, quase mais que um caso de polícia. E digo quase, atenção, que nem por isso este Marco M., 29 anos, predador sexual e desiquilibrado mental resulta menos criminoso e até perigoso em algum grau. Seguramente que é uma coisa e outra e não será pouco, sequer. Mas há que distinguir quem sai magoado e batido em combate de um recontro com uma anciã de 70 anos, da bestialidade in factu com danos de outro nível provocados por sociopatias infinitamente mais sérias, uma distinção que foi de resto levada em conta pelo juiz de instrução deste caso, a julgar pela medida mínima de coacção aplicada ao infeliz.

Bem ou mal venha quem julgue diferente (uma sentença por cabeça, já diz o povo) esta que é mais uma estória de doença e bizarria, particularmente repulsiva na intenção canalha e logo no local escolhido para o crime, é certo. Mas um crime que é depois estupidamente desastrado na execução, valha-nos isso. E que é no final o exacto retrato do seu autor: apenas porco.



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Wise words, wise guys.
Quinta-feira, 07 Jul, 2011

«Estamos a assistir a um embuste vitorioso e a União Europeia não é uma potência, é uma impotência. (..) Este corte de "rating" é grave. É uma decisão gratuita que nos sai muito cara. Portugal é o lixo da Europa. As agências de "rating" são os cangalheiros, ricos e eufóricos, de um sistema ridiculamente inexpugnável. As agências garantem que nada têm contra Portugal. Como dizia alguém, "isto não é pessoal, apenas negócios". Esse alguém era um padrinho da máfia.» 

 

Pedro Santos Guerreiro no Jornal de Negócios.



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Portugal, para adultos.
Quinta-feira, 07 Jul, 2011



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URGENTE
Quarta-feira, 06 Jul, 2011

 



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Fernando sim, nobre pouco.
Segunda-feira, 04 Jul, 2011

E pronto, chegou finalmente a confirmação oficial do que se aguardava sem surpresa e sem emoção: Fernando Nobre não vai regressar à Assembleia da República para cumprir o mandato de deputado para que foi eleito. Menos de um mês após as legislativas de 5 de Junho o deputado independente eleito pelo PSD sai de cena pela porta dos fundos da dignidade parlamentar, depois de dizer uma coisa e o seu contrário e de protagonizar uma das mais tristes figuras de que há memória num candidato ao segundo lugar da hierarquia do Estado, mesmo um tão putativo como este foi. 

E acaba por ser pena, no fundo. Porque neste país em desespero de gente séria Fernando Nobre teve tudo para ser o nome, houve um tempo e uma circunstância em que parecia reunir todas as condições para ser o tal. Hoje caiu o pano, desempenho pífio, nem se fez notícia. É assim, foi assim. Não tinha nobreza, afinal.



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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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A ópera em Portugal - Primeiros tempos / o triunfo (III)
A ópera em Portugal - Introdução da ópera em Portugal (II)
A ópera em Portugal - As origens da ópera (I)
Dois sonetos à maneira de Natália Correia
Duas garrafas de Macieira
As esponjas das lágrimas
Lição de Português
500 000 soldados
Depois do portão da casa
Auto da Mazurca
Auto da Barca de Bruxelas
Malino
Romance da Bicha-Fera
A Casa
Tremor de terra, temor do céu.
Cântico da mãe escrava ao filho morto
Passos Perdidos
A Lenda dos Reis
Daniel de Sá
Um sítio chamado Aqui
O protesto do burrinho
Sete vidas mais uma: Soledade Martinho Costa
Poema renascido
Sete vidas mais uma: Pedro Bicudo
RTP, Açores
As vidas dos outros
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Sete vidas, sete notas