Terça-feira, 27 de Novembro de 2007
Macho que é macho
Terça-feira, 27 Nov, 2007
Macho que é macho é assim mesmo. Não vacila, não transige, não facilita. Numa só palavra, não dá abébias. Ponto. Com um macho que é macho, só existem estas duas hipóteses: ou as coisas são como ele quer, ou as coisas são como ele quer. Não há uma outra alternativa. Não se contraria o macho, pode resultar perigoso para quem se arriscar. Se houver uns copitos pelo meio os argumentos podem mesmo ganhar o peso da mão, dos pés ou da cadeira que estiver mais a jeito nessa altura. Quem manda lá em casa é ele e isso não tem discussão, é ponto assente. E ponto final.

Uma médica do centro de saúde de Bragança encaminhou para o Ministério Público um caso de violência doméstica de que foi vítima uma jovem grávida e que levou à morte do feto de 28 semanas. A notícia surge a propósito de mais um dia internacional contra a violência doméstica, divulgada por uma médica do Centro de Saúde de Bragança. Tratou-se de "uma agressão física por parte do companheiro, ela nunca deixou transparecer qualquer indicador de maus tratos, apenas de violência psicológica", explicou Fátima Ramos.

Esta caracterização do caso presente fez-me recordar uma senhora que eu conheci no Funchal. Era empregada doméstica, com vontade e boa disposição, competente no que fazia. Falava pelos cotovelos, é certo, mas trabalhava bem e acabava por ser divertida nos seus dias bons. O resultado prático de tanto palrar é que eu acabei por ouvir um naco substancial dos problemas existenciais da D.Maria, assim se chamava. E no dia em que me apareceu com um olho inchado e a boca ferida, o lado esquerdo da cara todo roxo, a confidência foi inevitavel. Abriu-se-lhe a alma em catadupas de palavras pingando de lágrimas contidas há tempo demais, provavelmente. E lá me contou a história do arrufo do marido, coisa de resto não rara no seu dia a dia.

Aconteceu então que estavam todos á mesa, ela mais o marido e mais três dos cinco filhos do casal. Palavra puxa palavra, lá por causa da sopa que não sei quê ou da carne que não sei quantos, o facto é que o ‘meu João’, como ela dizia, levantou da mão e mandou-a calar com uma chapada que a estendeu de costas no chão. Os filhos berraram, um deles apanhou também, a comida voou para todo o lado, enfim, uma confusão de se lhe tirar o chapéu. Mas o que a D. Maria guardou de mais importante de todo o episódio, aquilo que chegou a ser enternecedor aos seus olhos, era aquilo que ela agora me contava, de lágrima a escorrer sem parar. O seu filho mais velho, numa atitude que a deslumbrou, impôs-se ao pai enraivecido. “Levantou-se, sr. Rui, agarrou no braço do meu marido e disse-lhe: vocemessê só bate na minha mãe quendo ela merecer, ouviu? Ai, sr. Rui, meu rico menino!!”.





publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Rui Vasco Neto a 28 de Novembro de 2007 às 23:56
pearl,
assino em baixo do seu comentário.


saci,
já vi e já comentei.
cá recebi e não comentei.


De Insaciável a 27 de Novembro de 2007 às 22:09
À velocidade que tenho hoje a net, lá para as duas da manhã, irei coloca um post sobre isto.
De maneiras que o comentário serve apenas para deixar um beijinho


De Pearl a 27 de Novembro de 2007 às 21:19
“Levantou-se, sr. Rui, agarrou no braço do meu marido e disse-lhe: vocemessê só bate na minha mãe quendo ela merecer, ouviu? Ai, sr. Rui, meu rico menino!!”
No texto dos direitos e deveres fundamentais da república Portuguesa, até 1976, constava o direito adquirido pelo casamento, do marido bater na mulher. Passaram 31 anos. Todos sabemos que a mudança de mentalidades é a derradeira e também a mais difícil das revoluções.
É preciso primeiro, que a educação para os papéis sociais se altere, sobretudo no que à mulher diz respeito.


De teresa a 27 de Novembro de 2007 às 20:35
anónima,
essa sugestão seria fantástica se um gajo desses tivesse no tal "sitio certo" qualquer coisinha, mesmo que muito pequena, onde se pudesse dar um pontapé mais eficaz...


De Rui Vasco Neto a 27 de Novembro de 2007 às 19:45
do céu,
calma, homem! 40% dos portugueses correm risco de avc, vem na Lusa.

!!!!!?????nónimo,
Avanti, porra!


De Anónimo a 27 de Novembro de 2007 às 16:45
Mas não se arranja uma "Fémea que seja Fémea" que pregue um pontapé no sítio certo do Macho quando ele arma em Macho ?!?!?!?! A coisa está tão feia que até já tem um dia internacional ???? Não sabia ... Mulheres : vamos à luta!!! Vamos fazer tanto até que se arranje tambem o dia internacional do homem !!! Vamos a eles !!!!!!!! Em frente ! Marche !!! Arrasem-nos !!!!


De Skyman a 27 de Novembro de 2007 às 16:40
Triste. Muito triste mesmo. Na verdade sinto alguma vergonha de pertencer à classe dos homens, quando alguns como esse, só o conseguem ser com "h" menor.
Não há, não houve, nem poderá haver justificação para este tipo de canalhas.
sky


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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