Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008
Pestalinhe de Mercúrie
Quinta-feira, 17 Jan, 2008
Querida Amélinha:

Espere que têjão tôdes bên, tu e más o Águste, o Vô Zéi e más a avó Lucilina e os gaiates. Nós cá por Mercúrie tôdes bên, tambên. Mande-te este pestalinhe da nossa nova terra qué pra vêres côme é tude tã benite, tude cinzentinhe que dá gost' acordar aqui, filha! (vê lá tu qu'até o mê João nã me larga de manhã, deve ser do ári, ráie do home, parece qu' éi o mercúro que lhe sobe o tremómetre, ê sê lá, sempre de roda, sempre de roda, já nã tênhe paciência, filhâ!). Êsti é o primêre retrate qu'o mundo tá vénde aqui de Mercúrie e ê quis logue mandar pra ti e pró tê espôse, quê sê que gosta muite destas coisas do espaçe.

Só sê que tãmes tôdes muite felizes. A casinha é muite jêtosa, neste retrate vê-se máli, mas ali ó pé do tercêre buraque, tás vénde?, fica o caminhe que vá dar à quintinha daquele senhor careca, (lá daquele olival ên frent'ó chaparre da Ti Estrudes, nã sabes?, aquêli, qu' a mulher fugiu c' o Zé da Burra, que tinha os pés tortes, alembras-ti?) Pôs ên encontrande esse caminhe nã tên qu' enganari: é sempr'im frente até à nossa casinha. Pôs se te perdêres vás ó gugli, ó nã têns gêpê éssi?

Tambên vês logue, tên a becicleta d' Alicinha à porta encostada ao jêpê éssi do mê João, ó lade d' uma coisa assim grande com'à porra qu' é a perfuradora do Mané Manêta, quêle trusse do Kóvaite e a gente apruvêtou pra tentar prantar alfácis, qu'aqui o chão é rije que nên córnes, filha, nên im
aginas. Se nã vires a becicleta tambên nã faz máli. Procuras uma casita assim benitinha, toda ên alumínie galvanizade e c' os pánés selares ên cima. Vês logue, que ná outra num ráie de quinhentes e óitentissês kilómetres.

Prantes, ê tenhe é que me despâchar a fazer o almôçe qu' o mê João tá chegande, já ê o tou ouvinde gritande c' o róbôt (é tã parva, aquela lata!, vê lá tu filha que nên uma sepinha de Beldroegas sabe fazêri, ê é que
cozinhe que nên uma moura e inda tênhe que lhe dar o Castróli, qu' ele nên isse faz sózinhe, nã consegue abrir as latas, diz êli).

Amélinha, muites bêjinhes, filha, pra ti e pra tôdes. No próxime sputniki qu' abalar daqui ê mande más retrates. Bêjinhes, filh
a. Bêjinhes.

tua ês vezinha muntamiga



Soraia Márléne



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De maya a 18 de Janeiro de 2008 às 14:44
eheheh isto está: d'ardê!


De Daniel de Sá a 17 de Janeiro de 2008 às 14:05
P.S. - Iste aqui é linde de morrêri.


De Ângela a 17 de Janeiro de 2008 às 13:36
Ri até me doer a barriga. Principalmente porque imaginei a Senhora D. Violante a ler-me esse postalinho.
E depois...
Vieram as saudades...
Kiss


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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