Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008
Tantos, já?
Quarta-feira, 16 Jan, 2008
Lembro-me dela antes de todas as lembranças. Do quente, do fofo, do seguro. Da sua beleza e juventude, do seu sorriso, da sua figura altiva e elegante à porta da minha escola. E da vaidade que eu tinha em que os outros vissem como ela era linda, linda. E minha, só minha.

Lembro-me das broncas, das festas, das zangas, das alegrias, das ciumeiras, dos risos e das lágrimas que marcaram quase cinquenta anos de vidas próximas, demasiado próximas, talvez. Para depois me esquecer de tudo, até do mundo e das horas, sempre que ainda hoje ela sorri para mim.

É a única pessoa do mundo que o consegue, sem querer. Chega e eu já não sei onde pôr as mãos, nem como estar, nem que mais fazer para agradar e a merecer, proeza que nunca conseguirei. Fosse eu cãozito e abanaria o rabo por uma festa na cabeça, ou por um osso de carinho, até, mesmo atirado de longe, para eu roer na minha solidão sem ela.

Continua doce, altiva e elegante. Linda, sempre. Chata, mais. Faz hoje setenta anos, a minha rosa. E rosa há só uma, claro, já se sabe.

Até porque ninguém aguentaria duas, convenhamos.


publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar

Comentários:
De Rui Vasco Neto a 20 de Fevereiro de 2008 às 00:24
Sol,
engana-se, cara amiga. Leio todas as letras que aparecem neste espaço. Todas. E fico feliz por estas suas.
Abraço.


De Anónimo a 20 de Fevereiro de 2008 às 00:19
E cá estou eu, caro RVN:

As palavras que escreveu, da maneira como se expressou, penso que melhor que ninguém as entendo eu. Não vou dizer-lhe porquê. Você sabe.
Acho que nem sequer irá ler este comentário. Mas foi lindo o texto que ofereceu a sua mãe. Fez-me lembrar o meu filho.

Abraço da Sol


De mifá a 17 de Janeiro de 2008 às 11:00
ups, lá venho eu atrasada. Logo eu que sou tão pontual!( espero que não venha aqui ninguém de família ou que me conheça...).
Como tarde é o que não chega, aí vão os meus parabéns para a D. Violante, que, além de simpática, é galante e também para o gato que, esse sim, é que é chato ( foi só por exigência rimática ).
Vejamos, agora, o que dizem os astros. Ora bem, capricórnio, virgem é terra a mais. Para fugir ao excesso de terra-a-terra, há que amenizar com um pouco de poesia e de loucura. Na devida dose, qualquer um beneficiará. Em caso de excesso, ambos se ressentirão. Dar o tempêro mas não salgar. E, cuidado com o excesso de picante, caso contrário alguém suará as estopinhas.
No geral, os astros são favoráveis.


De Jumpseat a 17 de Janeiro de 2008 às 04:18
Tão lindo! :)

Parabéns!!

... pelo texto e pelo aniversário!


(Curioso :) hoje é também o aniversário do meu pai :)


De Daniel de Sá a 16 de Janeiro de 2008 às 23:21
Rui, tenho a certeza de que a tua é, como muitas outras felizmente, a melhor Mãe do Mundo. Não a conheço, mas as mães dos nossos amigos têm um lugar especial no nosso coração. Porque merecem o reconhecimento de lhes terem dado vida e de nos permitirem ser felizes com a felicidade deles.


De samuel a 16 de Janeiro de 2008 às 21:17
Parabéns!


De Anónimo a 16 de Janeiro de 2008 às 15:54
"Fosse" eu cãozito ...... "abanaria" o rabo ......... "na minha solidão sem ela" .
Marianónimo : podem ser frases infelizes, ou não, depende da interpretação que se quiser dar.


De Anónimo a 16 de Janeiro de 2008 às 13:41
Senti-me muito desconfortável só de imaginar o meu filho como um cãozito a abanar o rabo para ter direito a uma festa na cabeça ou à espera que lhe atire um “osso” de longe.
Se pretende ser uma homenagem as palavres não são muito felizes
Maria


De Piedade a 16 de Janeiro de 2008 às 12:57
Vou telefonar-lhe já !!! E tu, continuas a achar que ninguém aguentaria duas ... e ensinaste o teu amiguinho a dizer o mesmo !!!
Só espero que aos meus setenta ele sinta da mesma forma que tu sentes hoje. Parabéns e dá-lhe hoje o teu melhor sorriso !!!


De Insaciável a 16 de Janeiro de 2008 às 11:51
Parabéns!

(é a única coisa que se pode dizer diante de uma homenagem tão bonita)

Beijos
Saci


Comentar post

Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
mais sobre mim
vidas passadas

Piu

Crónica do Brufen

Eu, pombinha.

Falando com o meu cão

Chove, eu sei, mas tenho ...

Maria da Solidariedade

Hum, daí o meu dói-dói...

Portugal sem acordo

Não fui eu que escrevi ma...

Um dos

Abençoados 94, Madiba!

Sôdade

Não vás as mar, Tòino... ...

Ofertas FNAC: pare, escut...

Reflexão de domingo, perg...

É preciso é calma, já se ...

Definição de sacrifício n...

A questão

E pronto, eis que descubr...

.......

Bom dia. Se bem me lembro...

O princípio do fim

E, de repente.

Um azar nunca vem só

Diz que é uma espécie de ...

Força na buzina!!

Bom dia. Hoje chove em Li...

Depois do homem que morde...

Bom dia. É hoje, é hoje!!...

Boga ou Beluga?

arquivos

Junho 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Janeiro 2011

Novembro 2010

Outubro 2010

Abril 2010

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Restaurantes para fumadores
Consulte aqui a lista de restaurantes onde os fumadores também têm direito à vida.
sete vidas mais uma: Daniel de Sá
Um Nobel na Maia
Lagoa
Ribeira Grande
Vila Franca do Campo
Do Nordeste à Povoação
Dias de Melo, escritor livre
E se a Igreja se calasse?
O outro lado das tragédias
O meu Brasil português
A menina amarga (II)
A menina amarga (I)
Pelas cinzas de uma bandeira
O caso da Escola do Magistério
Uma confissão desdobrável
O gato e o rato
Contra a Inquisição
D.Diogo
Uma carta de Fradique Mendes
Acróstico
Monotonia
Maia (II)
Maia
Um nome acima de todos os nomes
Um palhaço de Deus
A ópera em Portugal - Conclusão (VIII)
A ópera em Portugal - Um novo estilo, Alfredo Keil (VII)
A ópera em Portugal - O Teatro de S.Carlos (VI)
A ópera em Portugal - Os Intérpretes: Luísa Todi e os Irmãos Andrade (V)
A ópera em Portugal - Marcos Portugal: vida e obra (IV)
A ópera em Portugal - Primeiros tempos / o triunfo (III)
A ópera em Portugal - Introdução da ópera em Portugal (II)
A ópera em Portugal - As origens da ópera (I)
Dois sonetos à maneira de Natália Correia
Duas garrafas de Macieira
As esponjas das lágrimas
Lição de Português
500 000 soldados
Depois do portão da casa
Auto da Mazurca
Auto da Barca de Bruxelas
Malino
Romance da Bicha-Fera
A Casa
Tremor de terra, temor do céu.
Cântico da mãe escrava ao filho morto
Passos Perdidos
A Lenda dos Reis
Daniel de Sá
Um sítio chamado Aqui
O protesto do burrinho
Sete vidas mais uma: Soledade Martinho Costa
Poema renascido
Sete vidas mais uma: Pedro Bicudo
RTP, Açores
As vidas dos outros
subscrever feeds
Sete vidas, sete notas