Quinta-feira, 3 de Abril de 2008
Os cavalos também se abatem
Quinta-feira, 03 Abr, 2008
De repente aconteceu. Anos e anos a fio a falar de corrupção no futebol, incontáveis testemunhos e acusações que se perderam da memória colectiva por nunca terem pisado palco processual, um mar de suspeitas nunca concretizadas em gota de prova, sequer. E de repente aconteceu. Duas concretizações, dois nacos de evidência esfregados na penca da nação. Onde? A norte, claro. Quem? Pinto da Costa e o Boavista, imaginem, quem diria. É um mundo cruel, eu sei.

É sobre o Boavista que pendem as acusações mais graves de coacção sobre árbitros e é o clube axadrezado que corre mais sérios riscos de descida de divisão. O clube assumiu ontem que foi notificado em três processos pela Comissão Disciplinar da Liga, todos arquivados pelos tribunais civis, um deles já sob o comando da equipa especial nomeada pelo PGR e liderada por Maria José Morgado. Apesar disso, a Comissão Disciplinar da Liga considerou existir matéria para procedimento disciplinar e o clube recebeu notas de culpa por alegada coacção consumada sobre as equipas de arbitragem nos jogos Benfica-Boavista (3-2), Belenenses-Boavista (1-1) e Boavista-Académica (0-0), todos da época 2003/04. Comprovada a culpa dos factos, o Boavista pode ser punido com a descida de divisão.

Já o Futebol Clube do Porto, a braços com seis pontos de castigo por (finalmente?) comprovada corrupção de arbitragens, parece colocar a hipótese de não recorrer de uma eventual sentença desfavorável, "aceitando" a perda de seis pontos ainda na presente época, o que não colocaria em causa o tricampeonato. É Pinto da Costa a gerir a crise, chutando o passado para o lado e de olho no futuro, confiante na tradicional inconstância e falta de memória do abençoado povinho pagante. Curiosamente, segundo o JN, se no Dragão há a ideia que será muito difícil escapar à penalização da Liga, também há a confiança de absolvição no plano criminal, quando Pinto da Costa for julgado por crime de corrupção desportiva, alusivo ao Beira-Mar-F. C. Porto (0-0), de 2003/04, um dos jogos constantes das notas de culpa da Liga. O outro desafio é o F. C. Porto-E. Amadora (2-0), da mesma temporada.

Ou seja: na práctica, verdade, verdadinha mesmo, ninguém está preocupado por aí além com esta bagatela judicial. Por mais que Maria José Morgado se torça na cadeira para não dizer o que pensa ou fazer o que lhe apeteceria, o facto é que a situação está perfeitamente controlada. Pelo Estado? Não, disparate, claro que não. Por quem manda na bola, os donos da relva, padrinhos do jogo, isso sim. Está tudo bem explicadinho, por exemplo, nos comentários do inacreditável Pôncio Monteiro, virgem ofendida, ontem aos telejornais. Ou, melhor, muito melhor, o próprio, o único, o inimitável, o imbatível, inacusável, o incomparável Jorge Nuno Pinto da Costa, em conferência de imprensa, que passo a citar: «Ninguém pode fugir ao seu destino. E o nosso destino é ganhar, quer queiram, quer não.» E está tudo dito.


publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Alfredo Gago da Câmara a 3 de Abril de 2008 às 16:18
Eu substituiria o nome de "cavalos", pelo de "bestas".


De samuel a 3 de Abril de 2008 às 12:10
Rui
Tudo a correr bem... acho.


De Daniel de Sá a 3 de Abril de 2008 às 02:59
Bush, Valentim, Pinto, Pôncio... não tens melhor de quem falar aqui?


De Rui Vasco Neto a 3 de Abril de 2008 às 01:57
sam,
os ensaios para a noite de 4, estão a ir ou quê? adriano oblige...


De samuel a 3 de Abril de 2008 às 01:49
Não sei se o meu destino era ser adepto, filiado, espectador, ou lá como se chama, mas se era, fintei-o bem fintado!


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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