Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007
Informação exclusiva
Quinta-feira, 08 Nov, 2007
O miúdo de 12 anos não tem nome mas a miúda de 11 anos tem. Chama-se Matilde. O miúdo de 12 anos terá dito não sei quê à Matilde de 11 anos. A Matilde disse não sei quê ao pai. O pai da Matilde fez não sei quê ao miúdo e o pai do miúdo disse não sei o quê ao pai da Matilde. A escola dos dois miúdos chamou os dois pais mais os dois miúdos e toda a gente falou com toda a gente. No final, a directora da escola foi clara: "Não houve uma agressão física no sentido literal do termo". O pai do miúdo foi mais claro ainda: "Está tudo perfeitamente resolvido. Para mim, o assunto não tem assim tanta importância". Porquê então toda esta conversa? Por três razões.

A primeira é porque o pai da miúda se chama José Mourinho. A segunda é porque o pai da miúda se chama José Mourinho. E a terceira é porque o pai da miúda se chama José Mourinho e a notícia da 'agressão' saiu em exclusivo no Correio da Manhã, que cada vez mais parece alinhar ao lado dos jornais que assumem ter a nobre e necessária missão de informar Portugal sobre a côr escolhida pelos 'famosos' para as cuecas que vão usar nesse dia. A bem do interesse público, naturalmente. E é assim, fiel a esse nobre princípio da comunicação social da moda, que se constroem os mitos à prova de toda a verdade. E que todos os 'famosos' deixam de ser quem são de facto, para passarem a ser quem os outros acham que eles devem ser com toda a certeza. Quem é José Mourinho? Ora, toda a gente sabe. E quem não sabe que leia os jornais e verá que fica a saber tudo o que houver para saber sobre este homem terrível que vale muitos milhões e espanca criancinhas. Quando não está a interromper o Dr. Santana Lopes, evidentemente.
RVN


publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Rui Vasco Neto a 8 de Novembro de 2007 às 17:58
sam,
fica oficialmente proibido de ter mais graça do que eu.


De samuel a 8 de Novembro de 2007 às 17:19
Já se tivesse dado um sopapo no Santana Lopes e interrompido o miúdo...


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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