Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008
Zero Zero Nunes: ordem para fumar.
Quarta-feira, 02 Jan, 2008
Este da foto é o tal Nunes da ASAE, o homem que fala grosso e diz quem fuma e quem não fuma cá na terra e onde e quando e como e porquê. Para além de ter ficado para a história como o cérebro que descobriu ter Portugal 'três vezes o número de estabelecimentos de restauração da média europeia' e de ser o tolo que garante fechar 'metade desses cafés e restaurantes por não terem viabilidade económica', o Nunes da ASAE conseguiu entrar o ano com os dois pés enterrados na asneira que ele próprio condena e persegue. E ainda bem que o fez, digo eu. Teve assim o condão de reacender a revolta que já marinava no lume brando da costumeira resignação nacional. Pode até ser que o episódio sirva para provar que os portugueses ainda têm salvação.

Zero Zero Nunes foi passar o reveillon ao Casino Estoril (Assis Ferreira continua um mestre a pôr manteiga no lado certo do pão, aposto o meu braço direito como a conta foi direitinha para o bloco de gelo...). Sentadinho no Salão Preto e Prata, divertido na melhor companhia, o Tónunes fez aquilo que nos proíbe a todos: com o entusiasmo, puxou de uma, duas, três belas charutadas e vai de esfumaçar com gosto, baforada à esquerda, baforada à direita, que se lixe a ASAE que eu até sou director e que se lixem os portugueses que até nem vão saber de nada, pobre não vem ao Casino. Deu azar para o Nunes. Não fora o pateta que é e saberia que a bufice, já de si enraizada na alma lusitana por décadas de encorajamento e quiçá até algum gene salazarento, está outra vez na moda por decisão socrática. Resultado? Uma merda, convenhamos. Uma vergonha para quem a tem.

Nina de Sousa Santos, jurista da DGS e responsável pelo estudo interpretativo da malfadada nova lei do tabaco, assegura que «os casinos e as salas de jogo estão abrangidos pela nova lei do tabaco. Esta estabelece como princípio geral o limite do consumo do tabaco em locais fechados de utilização colectiva e, portanto, sendo os casinos e salas de jogo recintos fechados não podem deixar de ser incluídos na lei». A coisa parece clara, quando vista à luz da lógica merdosa do próprio Zero Zero Nunes, se lermos as declarações pomposas que vem repetindo até à agonia em tudo quanto é jornal. Só que - surpresa das surpresas - o Nunes da ASAE afinal não acha bem isso. Apanhado a fumar, já na madrugada do dia 1 de Janeiro de 2008, num espaço fechado como é o Salão Preto e Prata do Casino do Estoril, António Nunes diz que não, pronto, não é bem o que parece, a lei não inclui casinos, sabem, não é bem assim, pois que torna e pois que deixa, coisa e tal e tal e coisa. E dá o segundo mau exemplo do ano em apenas 48 horas.

O ano mudou e as moscas também, mas o Nunes é a mesma. E o resto é o que se vê. Tony Zero Zero Nunes ou o Portugal-do-mete-nojo no seu melhor. Digam-me, é para fugir disto que me querem a fumar às escondidas? Eu é que sou o criminoso? Escrevam o que vos digo, meus amigos: em safando-se desta, este pateta vai a ministro.



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Rui Vasco Neto a 3 de Janeiro de 2008 às 14:06
sharky,
o homem é uma besta.
e a asae, que é um mal necessário, dispensa exageros destes, já tem que se preocupar com o exagero que está a ser a sua própria acção.
eu cá tenho uma ideia onde ele podia meter o charuto.
aceso, claro.

saci,
ainda é pior, lamentavelmente.
ele não diz que não sabia, ele diz que não ´fez nada errado (o que, para além de tr nascido, deve ser verdade).


De Insaciável a 2 de Janeiro de 2008 às 21:24
O mais grave, convenhamos, não foi ele ter fumado o seu belo charuto na noite de ano novo.

Grave, muito grave foi ele ter dito que não sabia que nos casinos também era proibido.

Ou não convinha que soubesse, ou subornaram-me para não saber ou estou a lixar-me para essas tretas do tabaco em sítios públicos porque só dia 2 é que começo a trabalhar.

Qualquer das opções é nojenta...mais do que fumar o seu charuto.


De shark a 2 de Janeiro de 2008 às 16:32
Que lustrosa baforada nas ventas do artolas, pá.
Estou rendido e vou já fumar um cigarrinho no meu local de trabalho em tua homenagem.


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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