Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008
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Quinta-feira, 28 Fev, 2008
Ando avesso às palavras, escondido das ideias, arredio da escrita, fugido do teclado. Um autêntico clandestino dentro mim próprio, nesta deslumbrante e cansativa viagem que nem sequer programei. Mas onde vou e sigo, por escassez de opção, pronto, está bem, não se discute. Às vezes assim, como estou agora. Cansam-me os outros, quase tanto como eu me canso a mim próprio. Aborrecem-me as suas vidas, adormecem-me as suas histórias, irritam-me as suas raivas, entediam-me os seus dramas. Não me arrancam um esgar as suas graças, muito menos um sorriso, que é o que me faz falta. Estou anti-outros, quase carente de açaime para socializar com os que habitualmente me encantam com as suas fraquezas, as suas merdas, as suas humanices, enfim. Estou que nem posso, impróprio para consumo. Todas as reclamações pelo meu estado actual, bem como todas as reclamações pelos meus estados passados e (porque não, já agora?) por todos os meus estados futuros, reais ou imaginários, devem ser endereçadas a Deus, Céu, (código postal desconhecido), ao António Nunes da ASAE, ao Gabinete de Defesa do Consumidor, à minha mãe ou ao meu cão, aqui na terra. E muito obrigado a todos, naturalmente. Tenho dito.


publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Eu com os pés assentes no chão e sem ter a cabeça nas nuvens a 29 de Fevereiro de 2008 às 17:14
Imodium rápido, para parar a diarréia, antes que a diarréia nos pare a nós !


De Anónimo a 29 de Fevereiro de 2008 às 12:13
O que há em mim é sobretudo cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
-Alvaro de Campos

Há dias assim...meu caro amigo!
Aquele abraço,
maya


De Alfredo Gago da Câmara a 29 de Fevereiro de 2008 às 03:22
Quer dizer... Eu que já tenho os meus grandes problemas, venho aqui às duas e vinte da madrugada para relaxar, e tenho que aturar as tuas lamexices... Eme vá te catá...


De Rui Vasco Neto a 29 de Fevereiro de 2008 às 01:22
mestre,
Obrigado, claro. Estou tolo mas não sou parvo, para desdenhar prenda assim de jeito. Outro.


De Confúcio Costa a 29 de Fevereiro de 2008 às 01:00
Tenho dito, Rui. Venha dizer comigo.

Grande abraço (mesmo que o não queira).


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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