Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007
Salvar a face
Sexta-feira, 09 Nov, 2007
O senhor ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira, afirmou hoje ter dado ordens à Força Aérea Portuguesa (FAP) para desistir de dois casos de cobrança de operações de resgate no mar e defendeu um "estudo sério" sobre as responsabilidades das entidades envolvidas no socorro. Um dos processos, que se encontra a aguardar marcação da data de julgamento, foi interposto pela FAP contra um armador de pesca por este não ter pago uma operação de socorro a um pescador em alto-mar, numa situação em que utilizou um helicóptero Puma durante quatro horas. Um outro caso, já arquivado, envolvia uma exigência de pagamento à FAP de uma verba superior a 13 mil euros por uma operação semelhante ocorrida em Outubro de 2002.

"O que é preciso é fazer um estudo sério, aprofundado, seguindo este princípio: não deve haver discriminação quando um cidadão está em terra ou quando está no mar", afirmou Nuno Severiano Teixeira, para quem "há uma grande diversidade" de casos de salvamento que é preciso ter em conta, garantindo que "as situações de socorro e de salvamento são e continuarão a ser uma responsabilidade indissociável do Estado - da Marinha e da Força Aérea".

Num país onde a prestação pública dos nossos governantes prima com tanta frequência por um registo algures entre a desculpa de mau pagador e a imbecilidade plena, este gesto de Nuno Severiano Teixeira não pode passar despercebido. Não é feitio do Estado corrigir injustiças, sejam elas flagrantes ou não. E a Defesa nacional é parca em actos de contrição, uma farda é uma farda. Estas festinhas de bem querer só têm que ser aplaudidas. Por uma vez.


publicado por Rui Vasco Neto
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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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