Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2008
Elas
Sexta-feira, 11 Jan, 2008
Eu não consigo imaginar um mundo desprovido da omnipresença da mulher que há neste nossso. Como seria esta vida que vivemos se não respirássemos, a cada passo, o perfume subtil do sexo que de facto manda no destino da Humanidade, se não adivinhássemos o toque da sua mão numa infinidade de pormenores que assim passaram de insignificantes a indispensáveis? Onde beberia a sua força o sexo forte se não houvesse um sexo fraco? E como seriam as noites de um universo só de machos, meu Deus? Como acordar todas as manhãs para um mundo só com barbas e bigodes e coisos? E o que faríamos todos no dia de S. Valentim? A perspectiva das respostas possíveis para estas e outras questões aterroriza-me, confesso.

Brejeirices à parte, eu cá gosto de mulheres. Desiludam-se os mais atrevidotes, que este não é o ponto de partida para fantasias inconfessáveis, nem a afirmação de uma machice politicamente correcta. Esta é a constatação de um facto incontornável, que ultrapassa a minha responsabilidade mas determina e condiciona as minhas opções mais diversas. Gosto porque gosto e pronto. Mas há mais. Gosto de tudo o que a mulher representa todos os dias, beleza, encanto, sacrifício, determinação, maternidade, mesquinhez, lealdade, instinto, sedução, personalidade, traição, requinte, inteligência, grandeza de alma e visão larga desde que o mundo é mundo. Não existe um estereotipo de mulher, de tão diferentes que são entre si, como é de resto de supor seja apanágio da espécie humana, independentemente de vestir cor de rosa ou azul. A diferença no feminino é de outro quilate e não se procura na ribalta.

Em situações extremas, a mulher tem a força da própria vida e uma vontade igual à que faz nascer o sol todos os dias, desde o princípio dos tempos. E em tempo de paz, revela a capacidade camaleónica de se diluir até quase se apagar num encaixe discreto da sombra do seu homem. Ela é desespero e paixão, é preto e é branco, é baixaria e requinte, é o cèu e o inferno e nem sempre á vez. É mulher e sim, a prova indiscutível de que Deus possui um curioso sentido de humor, ao mear a nossa existência masculina com um ser que não só nos dá a Vida como faz o possível para que ela não faça de todo sentido ser vivida sem a sua superior influência.

Pelo preço módico de uma costela, para mim não tem dúvida: mesmo descontando as dores de cabeça e as pensões de alimentos, foi uma pechincha.


publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar

Comentários:
De Mar a 13 de Janeiro de 2008 às 12:32
"Ela é desespero e paixão, é preto e é branco, é baixaria e requinte, é o cèu e o inferno e nem sempre á vez."

Este trecho é fantástico. Esta capacidade de ser tanta coisa (ao mesmo tempo) é que torna irresistível esta condição de mulher. (e não é qualquer homem que a sabe discernir e descrever desta forma)


De Piedade a 12 de Janeiro de 2008 às 03:31
Puxa, macho que é macho, tava a ver que nunca mais davas a mão à palmatória !!!


De carmo rosa a 12 de Janeiro de 2008 às 01:42
Rui Vasco Neto,
Mais um daqueles textos seus que dá gosto ler, um verdadeiro poema de amor às mulheres.
Cumprimento-o sinceramente.


De samuel a 12 de Janeiro de 2008 às 00:54
Este post bate qualquer ramo de flores manhoso... ou mesmo dos assim... melhorzinhos.


De mifá a 11 de Janeiro de 2008 às 23:53
Parece que sim. E com bastante fêbra e fibra!


De ernesta a 11 de Janeiro de 2008 às 23:29
Chegou o resto do entrecosto?


De prima do Mestre d'obra a 11 de Janeiro de 2008 às 22:42
nada me move contra este post mas, também, ele não me comove... talvez por ser, simplesmente, prima(bem afastada) do Mestre d'obra...
A sério:está lindooooooooooooo!


De mifá a 11 de Janeiro de 2008 às 21:56
Rui,
isto não é de gato. É de tigre.

Costela,
isto não é de costela. É de coluna vertebral.

Parabéns. A ambos, claro!


De costela a 11 de Janeiro de 2008 às 19:53
comentário copy/paste para um post copy/paste:

Bem sabia que vos faltava algo. E costela deve, então, ser um eufemismo para “custa ela”…

(agora explique lá, porque corta nas brejeirices e aumenta nas pensões de alimentos? E dá um desconto às dores de cabeça dela ou lá em casa é o gato que as tem?)

Pronto, está bem, brigadinha e, para o dia de S. Valentim já tenho programa e dois presentes prometidos…


Comentar post

Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
mais sobre mim
vidas passadas

Piu

Crónica do Brufen

Eu, pombinha.

Falando com o meu cão

Chove, eu sei, mas tenho ...

Maria da Solidariedade

Hum, daí o meu dói-dói...

Portugal sem acordo

Não fui eu que escrevi ma...

Um dos

Abençoados 94, Madiba!

Sôdade

Não vás as mar, Tòino... ...

Ofertas FNAC: pare, escut...

Reflexão de domingo, perg...

É preciso é calma, já se ...

Definição de sacrifício n...

A questão

E pronto, eis que descubr...

.......

Bom dia. Se bem me lembro...

O princípio do fim

E, de repente.

Um azar nunca vem só

Diz que é uma espécie de ...

Força na buzina!!

Bom dia. Hoje chove em Li...

Depois do homem que morde...

Bom dia. É hoje, é hoje!!...

Boga ou Beluga?

arquivos

Junho 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Janeiro 2011

Novembro 2010

Outubro 2010

Abril 2010

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Restaurantes para fumadores
Consulte aqui a lista de restaurantes onde os fumadores também têm direito à vida.
sete vidas mais uma: Daniel de Sá
Um Nobel na Maia
Lagoa
Ribeira Grande
Vila Franca do Campo
Do Nordeste à Povoação
Dias de Melo, escritor livre
E se a Igreja se calasse?
O outro lado das tragédias
O meu Brasil português
A menina amarga (II)
A menina amarga (I)
Pelas cinzas de uma bandeira
O caso da Escola do Magistério
Uma confissão desdobrável
O gato e o rato
Contra a Inquisição
D.Diogo
Uma carta de Fradique Mendes
Acróstico
Monotonia
Maia (II)
Maia
Um nome acima de todos os nomes
Um palhaço de Deus
A ópera em Portugal - Conclusão (VIII)
A ópera em Portugal - Um novo estilo, Alfredo Keil (VII)
A ópera em Portugal - O Teatro de S.Carlos (VI)
A ópera em Portugal - Os Intérpretes: Luísa Todi e os Irmãos Andrade (V)
A ópera em Portugal - Marcos Portugal: vida e obra (IV)
A ópera em Portugal - Primeiros tempos / o triunfo (III)
A ópera em Portugal - Introdução da ópera em Portugal (II)
A ópera em Portugal - As origens da ópera (I)
Dois sonetos à maneira de Natália Correia
Duas garrafas de Macieira
As esponjas das lágrimas
Lição de Português
500 000 soldados
Depois do portão da casa
Auto da Mazurca
Auto da Barca de Bruxelas
Malino
Romance da Bicha-Fera
A Casa
Tremor de terra, temor do céu.
Cântico da mãe escrava ao filho morto
Passos Perdidos
A Lenda dos Reis
Daniel de Sá
Um sítio chamado Aqui
O protesto do burrinho
Sete vidas mais uma: Soledade Martinho Costa
Poema renascido
Sete vidas mais uma: Pedro Bicudo
RTP, Açores
As vidas dos outros
subscrever feeds
Sete vidas, sete notas