Quarta-feira, 9 de Abril de 2008
Jardim para sempre
Quarta-feira, 09 Abr, 2008
A Assembleia Legislativa da Madeira (ALM) tem agendados para hoje dois projectos de resolução que têm característica comum: visam ambos homenagear Alberto João Jardim e os seus trinta anos de governação. Um é da autoria do PSD/M e o outro da responsabilidade de Baltasar Aguiar, deputado do PND que, aproveitando a maré de homenagem ao líder, proposta para hoje pelos social-democratas, requereu ontem mesmo a apreciação conjunta de um projecto da sua autoria, subordinado ao singelo título "Construção de uma estátua do dr. Alberto João Jardim", tendo os serviços da ALM solicitado parecer jurídico prévio à sua admissibilidade. O título ajuda, mais ou menos, sempre dá uma vaga ideia da coisa.

Vale a pena esmiuçar os pormenores deste projecto, acreditem. Por isso mãos à obra. Dizem Baltasar Aguiar e o PND que Jardim é uma "figura incontornável da nossa história recente, nomeadamente pelas muitas obras públicas que tem realizado por toda a ilha". Diz o projecto que "este ilustre e intrépido guia e mentor do Madeirense Novo merece uma mais significativa homenagem, que lhe é devida em plenitude do seu Governo, não depois da sua jubilação" e que, por isso mesmo, se propõe que a ALM recomende ao Governo Regional a "construção de uma estátua em bronze ou outro metal nobre, com cerca de 50 metros de altura, que represente o amado líder da Madeira Nova, dr. Alberto João Jardim". O PND defende que essa estátua "seja colocada no cimo do antigo Forte de S. José, na entrada do porto do Funchal (Pontinha); que seja concebida de forma a possuir uma escada interior que permita aos visitantes a subida até à altura da cabeça dessa obra de arte, de onde poderão observar a baía e a mui nobre cidade do Funchal, através dos olhos do seu amado líder". O que deve ser uma experiência fascinante, convenhamos.

Mas o melhor está para vir, ora vejam se não. Quer o PND: "Que, na base do pedestal, sejam colocadas pequenas rodas em aço, como nos antigos moinhos da ilha do Porto Santo, ligadas por correias transmissoras a um mecanismo propulsor interno, que permita que a estátua acompanhe o movimento do sol, como fazem os girassóis; que, na altura do zénite do astro-rei, emita a estátua um forte silvo, que simbolize para as gerações vindouras os imortais dotes oratórios de Jardim; que a energia necessária ao movimento de rotação e apito da estátua seja fornecida pelas ondas do mar". E acaba assim, neste 'para sempre' que me encanta. Eu não vos tinha dito? É ou não absolutamente fabuloso, este projecto de Baltasar Aguiar e do seu PND? Pois eu cá tenho apenas um pequeno acrescento que gostaria de propor a esta singela e tão original homenagem. Ora ouçam, então e se na 'altura do zénite do astro-rei', a par com o 'forte silvo que simbolize para as gerações vindouras os imortais dotes oratórios de Jardim', a estátua 'emitisse' também um sonoro traque, pelo mesmo 'mecanismo propulsor interno', que fosse símbolo da forma como Jardim viveu os seus trinta anos de poder na Madeira, cagando para a democracia portuguesa. Os senhores acham mal?


publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De pirate a 10 de Abril de 2008 às 14:05
Só me ocorre uma expressão:
Puro surrealismo !
Um case study, sem dúvida... :-)


De Ângela a 10 de Abril de 2008 às 10:14
Não sei porquê, mas esta conversa só me faz lembrar das estátuas que os ditadores desse nosso pequeno mundo têm a mania de construir e inaugurar dizendo que foi a pedido do povo amado.
Eles que construam a estátua. O amiguinho da tua mensagem anterior tem um hobby muito engraçado: mandar abaixo estátuas dessas...
Seria giro, não concordas?


De samuel a 10 de Abril de 2008 às 00:55
Acho justo! Na verdade, eu próprio não fiz melhor em homenagem à grande figura durante os últimos trinta anos.


De piedade a 9 de Abril de 2008 às 19:51
Sim, sim, acho óptimo, muitas flatulências para S.Exa.. Mas inodoras, convém que inodoras !!!


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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