Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2007
É de pequenino que se torce o ensino
Quinta-feira, 20 Dez, 2007
«Escolas oficiais escolhem alunos com base em notas e origem social»

«O insucesso escolar é potenciado, em muitas escolas, pela escolha dos alunos com base no seu aproveitamento escolar e na sua origem social. Dois investigadores portugueses, especializados em Sociologia da Educação, constataram a selecção - ao arrepio da legislação existente e da própria Constituição - de alunos com base na análise do percurso escolar.»

«Os estudiosos apontam a existência de estabelecimentos de ensino muito próximos um do outro, mas com populações estudantis muito distintas, fruto de uma selecção que tanto dá origem a "nichos de excelência" como a "guetos de exclusão". Segundo afirmam, o comportamento "pouco democrático" de estabelecimentos de ensino público - que origina grandes assimetrias na rede de ensino - engloba, também, a constituição de turmas com base na diferenciação social e aproveitamento escolar.»


publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Anónimo a 23 de Dezembro de 2007 às 00:39
(...) A crise da escola não é apenas nossa. Quase todos os países da Europa se interrogam sobre o mesmo insucesso. A França está em pé de guerra com a rebelião dos jovens que também acusam a escola. A América grita e diz-se condenada ao fracasso pelo insucesso escolar das novas gerações. (...)e neste mar vertiginoso percebemos a imensa dificuldade de mudar. Dos governantes aos governados.Os governantes? sim, falam de mudança, exigem mudança e no entantonão abrem mão do poder o suficiente para que a comunidade dos professores se possa assumir em plena autonomia.Os governados setem-no e não acreditam. Vão-se se deixando ir porque estão medrosamente presos às directivas emanadas pelos governantes.E, no fundo, todos, uns e outros,estão enleados numa teia viscosa tecida de desperdício.(...) E no entanto todos os dias se renova um frágil compromisso entre o respeito pelas crianças, pelas suas necessidades, pelos seus ritmos, e as exigências colocadas por toda a parafernália da escola.Todos os dias os professores pensam, pensam mesmo, numa quase insuportável tensão entre os projectos de vida que conformam os sonhos das crianças, os desejos de igualdade e de respeito pelas diferenças e os mecanismos oficiais de exclusão contínua.Não poderemos continuar a falar da escola no singular. Importa romper e pensar nas crianças, nos adultos, nas pessoas e nas necessidades actuais, e, por isso mesmo, falar de escolas.Escolas diversas. Falar de professores autónomos, estimulados, organizando escolas autónomas para pensar o futuro verdadeiramente.Temos de ir à procura de escolasbem sucedidas e, essas sim, transformá-las em espectáculo televisivo, premiá-las, reconhecê-las publicamente.
Há um projecto de amor por revelar inscrito em cada ser humano.Um projectoadiado.Importa revelá-lo primeiro para depois convocar a cidade para sonhar as escolas da cultura."


De Rego Costa a 22 de Dezembro de 2007 às 03:21
Rui : lembras-te porque é que o meu menino mudou de Escola na passagem para o 7º ano ? E lembras-te como as coisas correram melhor ? As notas baixaram um pouco, o grau de exigência é outro, mas é isso mesmo que ele precisa, não de andar a marcar passo na matéria que os outros não percebiam. Por mais que se queira, há sempre diferenças, e não são os melhores que têm de piorar, Os piores é que têm de ser puxados para cima. Tarefa difícil, digo por experiência própria, conheces o sítio onde vivo e não há nada a fazer mesmo. Os próprios que estão por baixo não querem subir. Mas não sou eu e muito menos o "meu menino" que vai descer.


De teresa a 22 de Dezembro de 2007 às 01:05
Já te falei na Chaporra? Era colega de carteira do meu irmão. E no Miguel? É colega de carteira da minha filha. E na minha filha C.? É colega de carteira de uma tal Magda.
Assimetrias? Sempre conheci escolas inclusivas, continuo a conhecer e não me queixo. O resto são tailleurs e gravatinhas com Dótor bem escarrapachado no cartão de crédito e almas vazias porque não dão para mais.


De Rui Vasco Neto a 21 de Dezembro de 2007 às 18:08
mifas,

buc!


De mifá a 21 de Dezembro de 2007 às 17:56
Calma, mifá, respira fundo e pensa duas vezes que não deves pensar duas vezes antes de comentares este post. Pois, cá vai de jacto, antes que me arrependa. Turmas de elite, escolas selectivas? Sim, é verdade que há ambas e muitas outras ambas que, se calhar, não cabem aqui. Indignados? Também eu ficava e fiquei, anos a fio, quando, em conselhos pedagógicos e em outros espaços propícios, me insurgia, com a veemência do verdor dos anos e do vermelho da indignação, contra essa e outras manobras segregacionistas. Eu sei que usei tempos do passado e assumo e não os rectifico. É que, efectivamente, se dantes pensava assim, agora, penso assado ou, se calhar, nem assado nem assim. E não me venham com lengalengas e palavras chochas e moles sobre pedagogias, igualdade de direitos, exclusão e outros rebeubéus levianos ditados pela ignorância!
Vou, até, mais longe: há alunos que não só não deviam estar em turmas com um perfil específico, mas sim em turma NUNHUMA. De facto, actualmente, quase arriscaria dizer que são mais as criaturas que frequentam escolas do que as que são estudantes. Eu explico: ou é porque é "fixe" ser estudante, ou é porque há que manter os filhos nesses armazéns designados por escolas a fim de se receber o rendimento mínimo, ou por mil e uma razões das quais, as mais das vezes, o gosto pelo conhecimento e pelo estudo está arredado milhas, o facto é que as escolas se enchem de uma população desinteressada e desinteressante, inadaptada e inadaptável, ignorante, insurrecta e perniciosa. Admirados? Mas, acaso, não está assim a sociedade portuguesa?! Que espanta, então, se a escola a espelha?! Ainda têm dúvidas, meus amigos, que por cada família que educa os filhos há noventa e nove que, se não deseducar os seus, pelo menos, não os educa?! E sobre quem recai a responsabilidade de o fazer? Sobre os professores, pois claro, ou pois escuro. Ora, educar é tarefa a tempo inteiro, como se sabe. E os professores têm a sua profissão que é polivalente mas não é nem deve ser sacerdócio. Além disso, o "produto" com que trabalham está longe de ser o bom selvagem de Rousseau, da tal alegoria da tábua rasa. Trata-se de muitas tábuas com muitas escritas mal escritas. Há que apagá-las e escrever por cima, muitas das vezes.Da enormidade do esforço, julgo que, sem esforço, qualquer pode ajuizar.
E que dizer do sistema a que um desgoverno, assustadoramente arrogante e prepotente, imprime as mais embasbacantes medidas?! Ele é os alunos que não podem ser excluídos por faltas e porque (coitadinhos!) faltaram sem motivo, o que também é um motivo, têm direito a um exame final que os professores elaborarão e corrigirão (pois então!), tudo isso à revelia dos preceitos pedagógicos mais elementares como seja a avaliação na progressão e na continuidade.Sempre os medíocres os incumpridores a serem tratados nas palmas das mãos!
Não é o mesmo que se vê, aliás em tantos outros campos, nomeadamente, na justiça: não traumatizar os delinquentes, salvaguardar, a todo o custo, mesmo à custa do apuramento da verdade e da consequente reposição da ordem, os bandidos. Se um arguido quer colaborar com a justiça, é-lhe vedado fazê-lo porque, na salvaguarda dos direitos dos que andam tortos, ele não poderá fazer depoimentos alheios àqueles e, logicamente, perde toda a vontade de colaborar sabendo, de antemão, que se o fizer, os tais tortos dos diretos salvaguardados, limpam-lhe o sebo numa oportunidade não longe. Sempre o mesmo lema : paninhos quentes e papas para os bandidos infractores e multas e mão pesada para os cumpridores que cometam a enormidade de, por exemplo, estacionar a viatura num sítio, por poucos minutos que sejam, onde não estorva. Sempre o mesmo: rigor para com a pequena infracão; tolerância para com o banditismo.
Sempre as mesmas conclusões: ser mau compensa, já que perfeito é impossível ser-se e se estiveres a meio lixas-te.
Pois, então, voltemos à escola, depois deste ziguezaguear que não é tão desoportuno como parece. Ponha-se, portanto, os meninos maus em turmas boas. Resultado: os meninos bons saem prejudicados ( o ritmo de aprendizagem tem que ser reajustado por baixo ), os bons alunos desmotivam-se por ouvir repetir mil vezes o que já sabem, os meninos mais ou menos bons ficam mais maus e menos bons e por aí fora, que uma maçã pôdre perde um cento... Depois há aqueles meninos muito (des)informados e (de)formados e (mal)formados que desinformam, deformam e malformam. O que não seria grave , se não estivessemos a falar de miúdos em níveis etários em que três ou quatro anos de diferença fazem toda a diferença.
Afinal, em que é que ficamos? Eu, muito honestamente, por mais que pense no assunto( e não o faço pouco!) não consigo atinar com uma solução que me agrade. Segregar uns com o prejuízo acrescido que isso lhes acarreta? Preservar outros, com o benefício dos próprios e prejuízo dos outros?Tudo a molhe e fé em Deus e nos professores?
O que sei, isso sim, com toda a convicção, é que medidas como as preconizadas pelo ME, que impedem um professor do primeiro ciclo de reter ( eufemismo para "chumbar") um aluno sem o consentimento dos pais e nunca excedendo uma percentagem de retenções de 5 por cento ( ou seja, em 20 alunos só 1 poderá ser retido ) não visam nem cointribuem para a melhoria do sistema nem para a felicidade deste povo mas, apenas, almejam números e percentagens para ostentar hipocritamente. Não, essa das percentagens de retenções, da aquiescência dos pais, não é enfabulação. Também eu pensei que era, quando me contaram um caso de uma professora do 1º ciclo que, apesar de ter seguido à risca, os procedimentos impostos para reter um aluno, se viu a braços com problemas criados por instâncias superiores à própria escola onde se deu a ocorrência, por causa dos números. Fiquei, assim, a partir daí, confesso, com menos acrimónia contra os professores desse ciclo, e a perceber melhor porque tenho alunos do 10º ano a escreverem "axo" e do 11 , "quoucha" ( coxa ) e outras palavras de sonoridade bárbara que eu tento repetir para mim a ver se, ouvida, se parece com alguma cois conhecida.
Entretanto, vivam os acordos de Bolonha, que isto de 5 anos na Universidade e mais 2 anos de estágio é tempo demais para se formar "doitores"!
Se for com algum erro ( além dos de raciocínio ), não se admirem: contágio ou pressa. Ou ambos!


De Rui Vasco Neto a 21 de Dezembro de 2007 às 07:09
pearl,

Em resumo temos um problema agrícola. Semeamos disparate, mas esperamos frutos de sensatez e cultura, nada menos, nas sucessivas colheitas anuais.
Cá para mim pode ser um problema de adubo a mais, também. Muito estrume na horta, se é que me faço entender. Entranha-se na terra, no sistema, e desmoraliza qualquer jardineiro que se preze, a si e à sua arte de jardinar. O pior é que não vejo pesticida eficaz para esta praga, nem sequer vontade de usar um.


De Pearl a 21 de Dezembro de 2007 às 04:00
Sempre escolheram. E dentro das escolas, a segregação continua. Há turmas constituídas por alunos que são preparados para o sucesso, para o ensino superior (entenda-se: escolhem-se os professores que leccionarão nessas turmas por se considerarem os mais aptos na preparação de alunos de acordo com as exigências do seu futuro escolar) e outros cujos destino, diz-se, será o mercado de trabalho.
Em muitos casos, são as escolas privadas e cooperativas que recebem os excluídos, aqueles que foram "convidados a sair" de quase todos os estabelecimentos de ensino estatal por onde passaram, por evidente "desadequação" de comportamento. E o curioso é que as queixas de agressão e maus tratos divulgadas nos media por parte de alunos para com os professores nunca são deste tipo de estabelecimentos escolares, mas sim dos estatais. Várias ilações podem ser tiradas, mas creio que o facto de se conhecer o patrão e ter de lhe prestar contas olhando nos olhos, obriga os profissionais do ensino não estatal a exercícos de imaginação e criatividade apesar de Dantescos, não impossíveis.


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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