Quarta-feira, 24 de Outubro de 2007
Advogados. Esses cómicos...
Quarta-feira, 24 Out, 2007
Digam o que disserem, para mim os advogados são os mais cómicos e equilibristas de todas as profissões, incluindo as circenses. Procure-se nos árticos da vida; se no meio de um continente de gelo estiver alguém a defender o frigorífico, esse é advogado pela certa. Não é um tanguista amador. Ou então não vamos tão longe.

Fiquemos cá por Peniche, onde a 11 deste mês o advogado João Manuel Frazão, ao defender um guarda da GNR que desviou 4,4 kg de cocaína de um fardo que deu à costa, alegou três factores para absolvição do seu cliente. A saber: "o comportamento exemplar que o cabo tinha perante a sociedade e dentro da própria GNR", em primeiro lugar, a "ingenuidade em guardar produto estupefaciente dentro da sua viatura" em segundo, e isto tudo "além de a ter vendido a 25 mil euros quando valeria 200 mil", rematou em glória. Impressionados? Calma. Esperem pela próxima.
Notícia de hoje mesmo, alegações de defesa no Tribunal de Monção onde se julga um caso que chocou o país. Uma mãe confessou ter morto a sua filha de dois anos com pontapés na barriga. Contrapondo argumentos aos 16 anos de prisão pedidos pelo Ministéio Público, o advogado de defesa, Mota Vieira, depois de ter repetidamente frisado 'não ter ficado provado se foram dois pontapés se apenas um', ressalva a grande incógnita deste julgamento: "Não foi possível apurar qual teria sido o móbil do crime".

RVN


publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar

Comentários:
De Rui Vasco Neto a 26 de Outubro de 2007 às 09:22
There is no human problem which could not be solved if people would simply do as I advise.
Gore Vidal


De Anónimo a 26 de Outubro de 2007 às 00:53
Parece que algumas pedras cairam em telhado de vidro.E, depois, todos esses "faits divers" são manobras para desviar do âmago da questão? Ou é verborreia crónica?
É típico!
Já agora, e para poder ombrear com tanta erudiçaõ, aí vai: "The most perfidious way of harming a cause consists of defending it deliberately with faulty arguments".
Nictzche ( não é o meu preferido mas sempre o prefiro a Oscar Wilde...)


De Rui Vasco Neto a 25 de Outubro de 2007 às 22:58
It takes two for tango.
As for cards.


De Anónimo a 25 de Outubro de 2007 às 22:55
One should always play fairly when one has the winning cards.
Oscar Wilde


De Rui Vasco Neto a 25 de Outubro de 2007 às 22:32
"Vou ali já venho. Não se mace. Vá para dentro."
Rui Vasco Neto


De Anónimo a 25 de Outubro de 2007 às 22:28
Illusion is the first of all pleasures.
Oscar Wilde

Como já disse, é o meu preferido.


De Rui Vasco Neto a 25 de Outubro de 2007 às 21:52
É por essas e outras que eu, lacrau, fujo das rãs que me incomodam com o seu coaxar incessante. E que eu, rã, quero distância dos lacraus, por mais doce que seja a sua conversa.
É que tal como diz, quando a ruindade está na massa do sangue, é ela que manda.

rvn


De Anónimo a 25 de Outubro de 2007 às 20:55
Andava um lacrau, margem acima, margem abaixo, esperando encontrar um meio que o transportasse para o outro lado do rio. Mas quando o desespero começava a ser do tamanho da sua ruindade, eis que o destino lhe colocou uma rã na margem. E dirigindo-se para a rã: os deuses trouxeram-te, junto de mim, para me transportares para a outra margem. Os deuses, perguntou ela? O destino trágico, sim. Como posso confiar em ti? Estranha pergunta, ripostou o lacrau: se, ao me levares no teu dorso, te fizesse mal, o teu mal não seria, também, o meu mal? Perante argumento tão sólido, a rã anuiu em transportá-lo. A meio do rio, a tentação foi mais forte do que ele e da sua própria sobrevivência, e injectou o seu letal veneno na prestável rã. Quando a ruindade está na massa do sangue é ela que manda, mesmo quando a própria vida está em perigo.

Esopo


De Rui Vasco Neto a 25 de Outubro de 2007 às 20:26
Olhe amigo lobo, disse o cão com ar conselheiro - o que é preciso é saber viver.A gente com maus modos não leva a melhor, tudo o que é bom foge de nós.Porque não se resolve a fazer como eu e a acabar de vez com esse mau hábito de atacar, de morder e matar? Deixe-se de ser fera, domine a sua maldade, afeiçoe-se a alguém e verá como arranja quem o queira e o sustente.

Esopo e La Fontaine


De Anónimo a 25 de Outubro de 2007 às 20:20
It is always a silly thing to give advice, but to give good advice is fatal.
Oscar Wilde


Comentar post

Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
mais sobre mim
vidas passadas

Piu

Crónica do Brufen

Eu, pombinha.

Falando com o meu cão

Chove, eu sei, mas tenho ...

Maria da Solidariedade

Hum, daí o meu dói-dói...

Portugal sem acordo

Não fui eu que escrevi ma...

Um dos

Abençoados 94, Madiba!

Sôdade

Não vás as mar, Tòino... ...

Ofertas FNAC: pare, escut...

Reflexão de domingo, perg...

É preciso é calma, já se ...

Definição de sacrifício n...

A questão

E pronto, eis que descubr...

.......

Bom dia. Se bem me lembro...

O princípio do fim

E, de repente.

Um azar nunca vem só

Diz que é uma espécie de ...

Força na buzina!!

Bom dia. Hoje chove em Li...

Depois do homem que morde...

Bom dia. É hoje, é hoje!!...

Boga ou Beluga?

arquivos

Junho 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Janeiro 2011

Novembro 2010

Outubro 2010

Abril 2010

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Restaurantes para fumadores
Consulte aqui a lista de restaurantes onde os fumadores também têm direito à vida.
sete vidas mais uma: Daniel de Sá
Um Nobel na Maia
Lagoa
Ribeira Grande
Vila Franca do Campo
Do Nordeste à Povoação
Dias de Melo, escritor livre
E se a Igreja se calasse?
O outro lado das tragédias
O meu Brasil português
A menina amarga (II)
A menina amarga (I)
Pelas cinzas de uma bandeira
O caso da Escola do Magistério
Uma confissão desdobrável
O gato e o rato
Contra a Inquisição
D.Diogo
Uma carta de Fradique Mendes
Acróstico
Monotonia
Maia (II)
Maia
Um nome acima de todos os nomes
Um palhaço de Deus
A ópera em Portugal - Conclusão (VIII)
A ópera em Portugal - Um novo estilo, Alfredo Keil (VII)
A ópera em Portugal - O Teatro de S.Carlos (VI)
A ópera em Portugal - Os Intérpretes: Luísa Todi e os Irmãos Andrade (V)
A ópera em Portugal - Marcos Portugal: vida e obra (IV)
A ópera em Portugal - Primeiros tempos / o triunfo (III)
A ópera em Portugal - Introdução da ópera em Portugal (II)
A ópera em Portugal - As origens da ópera (I)
Dois sonetos à maneira de Natália Correia
Duas garrafas de Macieira
As esponjas das lágrimas
Lição de Português
500 000 soldados
Depois do portão da casa
Auto da Mazurca
Auto da Barca de Bruxelas
Malino
Romance da Bicha-Fera
A Casa
Tremor de terra, temor do céu.
Cântico da mãe escrava ao filho morto
Passos Perdidos
A Lenda dos Reis
Daniel de Sá
Um sítio chamado Aqui
O protesto do burrinho
Sete vidas mais uma: Soledade Martinho Costa
Poema renascido
Sete vidas mais uma: Pedro Bicudo
RTP, Açores
As vidas dos outros
subscrever feeds
Sete vidas, sete notas