Domingo, 18 de Novembro de 2007
Também quero ser adoptado e a minha mãe deixa
Domingo, 18 Nov, 2007
(SOL,17Nov)
«Mãe biológica concorda com adopção da filha por Jolie»

publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Anónimo a 19 de Novembro de 2007 às 16:55
RVN e Teresa

Há parideiras que nem conhecem os anónimos, nem as "jolies"!

Apenas a "carga" que eles pariram e da qual se querem livrar.

Cruel demais? Sei que sim! Pareço-o, de facto....

A propósito da história do sargento, lembrei-me de uma outra....daquela miúda (creio que da Covoada) a quem a mãe descarregou, à nascença, nos braços da madrinha...

Veio o rendimento minímo e, a mãe "lambeu-se" toda e tratou de arregaçar as mangas e lembrar-se que era mãe.
Com a ajuda de um juíz fabricou-se um colo (legal)!

Chorando, em vão, a menina saltou do colo/colo da madrinha....para o colo (legal, pois claro) da "mãe".

Poucos dias depois (creio que não mais que dois) a criança deu entrada no hospital morta à pancada!

O colo legal materno não aguentou com os incomodos do seu choro de criança! Desfez-se dele...arremessando-o contra a parede...calando-o de vez na penumbra da morte!

Até hoje o colo/colo (natural e não legal), da madrinha, ainda chora de saudades e o juíz continua fabricando sentenças, todas elas legais (naturais de preferência) e atoladas de papéis e burocracias que impedem as "jolies" de descer a uma rua qualquer e abrir, o seu colo, na primeira esquina orfã!

Adoraria ser apenas uma anónima com pretensões a jolie....se daí resultasse a falsidade desta "história".

Lamentavelmente...não posso.

É tarde demais....

Um beijo aos dois


De Rui Vasco Neto a 19 de Novembro de 2007 às 16:25
teresa,
grato pelo tratamento diferenciado. sabe sempre bem, lenine que se lixe com o contrário.


De teresa a 19 de Novembro de 2007 às 16:19
Anónimo/a,

Obrigada pela simpatia.

Sabe, tenho para mim que mãe não é um qualificativo de pessoa nem implica uma transcendencia em relação ao resto dos mortais. Assim, há tantas mães e com tantas vidas como as pessoas que elas são.

O que tenho posto em causa nesta notícia e nesta fotografia é a bondade que lhe tem servido de legenda. Venham com os velhos chavões de que quem salva um homem salva a humanidade, que é uma chamada de atenção para o drama africano, que até a ONU lhes dá o pomposo titulo de embaixadoras de boa-vontade, que me custa muito, mas muito, a comprar todo este amor ao próximo.

(rvn, a si já lhe respondo, que eu volto)


De Rui Vasco Neto a 19 de Novembro de 2007 às 16:12
A decisão de entregar um filho, seja a quem fôr, deve ser das mais terríveis de tomar e parece-me demasiado obsceno este "concorda" da notícia. Pois senhores, não há-de concordar? Se sempre levar uns anónimos deste mundo a querem sentir-se nobremente jolies, será razão suficiente para a chacina do coração de mãe.
A pergunta é como é que podemos olhar para aquela fotografia sem corarmos de vergonha. A resposta é: de uma única maneira, alinhando na única parada que vai a passar para ver se ela ao menos reduz um pelo à cabeleira de escândalo universal deste assunto. Há outra maneira, claro. Ir para o terreno e ajudar lá, no local, dar tudo de nós áqueles outros. Você, está disposta a ir? E se estiver, vai mesmo? Quando?

É um mundo cão este nosso, teresa. Compreendo o que disse e entendo o que quis dizer. E quando o acordo é assim, sobra pouco para discutir.
Volte sempre.


De Anónimo a 19 de Novembro de 2007 às 15:47
Teresa,

Consigo perceber a beleza do seu discurso e do seu pensamento!

Consigo perceber a sua preocupação com as mães "salomão"!

Porém....infelizmente, há mães que nada autorizam, nada sacrificam, nada autorizam porque nada têm de seu.... nem berço, nem colo nem herança....

Pariram, sem nunca ser mães!
Lamentavelmente....

Creia-me.....

Um beijo


De Rui Vasco Neto a 19 de Novembro de 2007 às 14:50
teresa,
fiz bem, como se pode ver pela nova prosa, em esperar mais e melhor de si. foi exactamente o que obtive. muito mais e infinitamente melhor.
li e vou ler mais. levanta questões que têm a pertinência das coisas evidentes e incontornáveis. serão lados de uma mesma questão, mas devem ser pensados com tempo e cabeça. é o que vou fazer.

deixo apenas uma concordância imediata e sem discussão: «Digam-me, o grande gesto, a profunda beleza do acto, o enorme sacrifício feito por aquela criança estará do lado de quem a deu ou do lado de quem a recebeu e sorridente posa com ela?» Sem dúvida de quem não está nem nunca estará nesta ou em qualquer outra fotografia. Sem dúvida nenhuma.


De teresa a 19 de Novembro de 2007 às 14:27
Gato e Anónimo/a,
Lembram-se de um sargento rosadinho, não tão fotogénico como a Jolie, que também se vooluntariou para dar um colo com a devida autorização da mãe da criança? Pois foi, muita tinta correu depois disso a discutir colos, crianças, pais, mães e quartos com peluches ou casas de banho no quintal. Se bem me recordo o tão discutido interesse da criança não passava, nem pode passar, pela qualidade do pano que cobre o colo que a segura.
Volto a dizer, as minhas filhas também ficavam mais deslumbrantes e menos ranhosas num colo estrelado, mas isso justifica o quê? Quem perdoaria o meu concordo se as deixasse ir para ficarem melhor na fotografia? No entanto, tenho a certeza que a minha decisão teria sido muito mais livre que a da mãe dessa menina. Teria uma razão fútil? De acordo. Este concordo terá sido por uma questão de sobrevivência? Infelizmente, deve ter sido. Digam-me, o grande gesto, a profunda beleza do acto, o enorme sacrifício feito por aquela criança estará do lado de quem a deu ou do lado de quem a recebeu e sorridente posa com ela? Claro que na película, para a posteridade e para o exemplo a seguir, fica melhor a beleza do colo que o drama da mãe. E sempre leva uns anónimos deste mundo a querem sentir-se nobremente jolies.
A decisão de entregar um filho, seja a quem fôr, deve ser das mais terríveis de tomar e parece-me demasiado obsceno este "concorda" da notícia. Pois senhores, não há-de concordar? A outra mãe, a tal do Salomão, percebeu bem onde passava o fio e, pelo que rezam as crónicas, devia ser bem afiado. Não sei, mas algo me diz, que deve ser o afiado do fio que faz estas mães concordarem tão depressa.
A pergunta, rvn, é como se pode decidir entre dois males.
A pergunta é como se pode estar sorridente e a segurar ao colo uma criança porque a mãe "autorizou" que fosse adoptada.
A pergunta é como é que podemos olhar para aquela fotografia sem corarmos de vergonha.
Sim, seguramente que a vida daquela criança, aquela, a do colo da Jolie, mudou. Mudou a vida, mudou a mãe, mudou a língua, mudou o sítio, mudaram os laços. Mas mudou para melhor, não se aflijam, que a jolie é generosa e boa pessoa. Podia, mas quem sou eu para sugerir isto, era não se cansar tanto, porque estou certa que, se descesse a rua, encontraria várias crianças que não lhe recusariam o colo. E já agora, rvn ajude-me, quantas sacas de milho ou remédios se podem comprar com o dinheiro de uma viagem intercontinental em primeira classe? E as sacas de milho, também dão bons bonecos para a fotografia?
Continuo a achar que Hollywood e África é a combinação perfeita – todas as estrelas precisam da noite para brilhar e a noite, assim iluminada, fica muito mais bonita.


De Anónimo a 19 de Novembro de 2007 às 03:58
Teresa,

Para a sua pergunta "por onde passa o fio...?" parece-me que a resposta é, óbviamente:-pelos adultos.

Não me parece que a diferença se situe na "criança" mas sim no "colo" que a segura!

Alguma vez contribuiu para que uma criança mudasse (ou ganhasse o primeiro) "colo" e as "peles" ficassem?

A resposta em nada mudará o "ranho das suas filhas" mas nela, a Teresa, poderá encontrar-se mais ou menos "jolie".


De Rui Vasco Neto a 18 de Novembro de 2007 às 21:08
teresa, teresa..
vá lá!
espero mais e melhor de si, depois de ler o que li.


De teresa a 18 de Novembro de 2007 às 21:02
E se fosse uma das minhas filhas? Estaria menos ranhosa e mais deslumbrante ao colo da Jolie? Tenho a certeza que sim. Por onde passa o fio que separa o ranho ranho do não tão ranho assim?


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