Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2008
Dívidas pagas
Sexta-feira, 08 Fev, 2008
Soube hoje, há poucos minutos. Um destes dois saiu em liberdade esta semana, o outro morreu entretanto. O mais velho? Não, o mais novo. Publiquei este texto há dois anos, exactamente. Quando foram os dois condenados a quatro anos de cadeia cada um.

Sempre ouvi dizer, não é a idade que conta, o que conta é o espírito. É ou não é assim? Uma pessoa pode ser jovem aos 80 e um velho aos 24, dependendo da forma como olha e vive a vida. A juventude é um estado de espírito que não tem data marcada para terminar. As pessoas não têm um prazo de validade, que diabo, há uma diferença entre a impagável Lili Caneças e um yogurte de aroma sem pedaços. Eu cá gostava de ter um espírito sempre jovem e sei que isso é possível, que acontece aos outros. Veja-se o caso daqueles dois jovens que foram ontem condenados a penas de prisão efectiva pelo assalto a uma pastelaria, de onde roubaram chocolates, rebuçados e pastilhas elásticas em quantidade suficiente para o Tribunal os condenar a quatro anos de cadeia, cada um. Os dois jovens em questão chamam-se António e Artur e têm 84 e 73 anos de idade, respectivamente. António vai juntar estes quatro anos, que vai cumprir, aos vinte e um anos que já cumpriu de xilindró, em penas várias ao longo dos seus já 73 anos de vida. E havia ainda um terceiro rapaz envolvido no assalto, também com 75 anitos, mas logo por azar morreu antes do dia do julgamento. “Era o especialista dos materiais e das novas tecnologias”, confessou o António á reportagem da TVI, ontem, no Jornal da Noite. Por aqui se vê que até no crime as novas tecnologias são indispensáveis, mesmo que seja só para roubar chocolates, rebuçados e pastilhas elásticas.



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Rui Vasco Neto a 10 de Fevereiro de 2008 às 13:41
mifas, daniel,
ponham os olhos no meu futuro, aos 87 vou andar a gamar rebuçados e a apalpar sopeiras de 85...


De Daniel de Sá a 9 de Fevereiro de 2008 às 02:13
Não sabia que os irmãos Dalton viveram até ao nosso tempo.


De mifá a 8 de Fevereiro de 2008 às 23:57
Não sei porquê fiquei com a boca amarga, ao ler isso...


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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