Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007
Portugal de pé atrás
Sexta-feira, 02 Nov, 2007

Com a pedofilia diariamente em todos os telejornais, o dia a dia de quem gosta genuinamente de crianças ficou complicado. Sobre os putos, em vez do sol de todas as alegrias, paira neste momento uma sombra terrível de desconfiança generalizada. Olhar para crianças, sobretudo se não forem as nossas, tornou-se uma possível fonte de sarilhos. Tocar-lhes, então, é uma iniciativa de risco, mesmo que seja para as levantar do chão porque cairam a correr. Ou simplesmente porque são tão fofas que apetece agarrar e dar beijos nas bochechas.

Os tempos não estão para isso, é um facto. E justifica-se a apreensão, vamos lá a ser objectivos e coerentes. Quando verdadeiros pilares da comunidade se revelaram monstros nojentos em privado, babando sobre fotos e filmes de práticas sabujas com menores, tudo é de suspeitar, tudo é de recear, todos os olhos são poucos sobre as nossas crianças. Mas se a apreensão é justificável, a histeria já não o é de todo. Muito menos nas forças de segurança que têm por missão zelar pela ordem pública e fazê-lo de acordo com as regras de procedimento policial previstas nos seus manuais operativos, ás quais é suposto juntarem uma certa dose de bom senso na avaliação das situações.

Este fotógrafo amador acusa hoje a PSP de Faro de o ter detido ilegalmente durante quatro horas e confiscado a sua máquina fotográfica, alegando que estaria a fotografar menores em carrosséis de uma feira naquela cidade. Manuel Cortez Baptista, de 50 anos, garantiu à agência Lusa que se limitava a tirar fotografias na Feira de Santa Iria por ser fotógrafo amador"."Fotografava os divertimentos porque têm cor e movimento. Nunca tinha sido alvo de uma acção e uma acusação tão absurda", declarou. «Quando me contactaram nem sequer estava a fotografar. Estava sentado junto aos divertimentos, com a máquina ao colo e senti uma mão no ombro".


Os agentes à paisana das Brigadas de Investigação Criminal da PSP de Faro levaram-no então para outro local onde lhe pediram a identificação. "Quando ia a tirar o telemóvel do bolso para ligar à minha família fui agarrado por trás, colocaram-me as algemas e começaram a tratar-me por tu", conta Manuel Cortez. "Questionaram-me sobre a minha vida íntima, tentando descortinar se tinha inclinações pedófilas. Tiraram-me fotos, as impressões digitais e passadas quatro horas mandaram-me embora, mas sem a máquina". Posteriormente o fotógrafo amador tentou recuperar o equipamento , mas até ao momento ainda não o conseguiu. A PSP exige uma prova de que este lhe pertence.

Casado e pai de um rapaz, Manuel Cortez Baptista assegura que não teve quaisquer "segundas intenções" com o seu passatempo, lamentando a "caça às bruxas" em que considera ter-se convertido a procura de alegados pedófilos. Pode estar a mentir, é um facto. E pode estar a falar verdade, é outro facto. Aquilo por que passou, mais a suspeita de ser pedófilo, isso já ninguém lhe tira.

O Correio da Manhã ouviu a PSP de Faro, que explicou não ter sido o indivíduo detido mas sim "levado para a esquadra para identificação por estar a recolher fotografias na via pública sem autorização". Até agora, ao que consta, o carrocel ainda não foi interrogado para saber se autorizava ou não as fotos. Mas fica aqui amplamente comprovada a sombra da dúvida que de repente desceu sobre toda esta sociedade tradicionalmente hipócrita com os seus mais novos mas agora particularmente atenta aos mais carinhosos. O dia a dia de quem gosta genuinamente de crianças ficou complicado. Suspeito que tivesse Santo António vivido nesta era de Bibis e quejandos e nunca o deixariam andar com o menino ao colo nas imagens da comunidade cristã. E ainda teria de fazer prova que tinha comprado a batina.

RVN


publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar

Comentários:
De Rui Vasco Neto a 4 de Novembro de 2007 às 13:13
maria,
muito provavelmente.
é por essas e por outras que eu tenho sempre o cuidado de mandar bugiar antes que me mandem a mim.
acredite.

rvn


De Maria a 2 de Novembro de 2007 às 22:10
essa agora....
e seu eu estiver calmamente sentada na esplanada e quiser fotografar o bugio....
... às tantas ainda me mandam bugiar.... hehehehe


De Rui Vasco Neto a 2 de Novembro de 2007 às 20:34
t,
claro que sim. terceira nuvem à esquerda. eu vou de branco e sou o gajo das asas.


De Rui Vasco Neto a 2 de Novembro de 2007 às 20:15
teresa,
para algo completamente diferente, deixe que lhe diga que já sabia.
ainda o natal passado houve um que não me quis ao colo...


De teresa a 2 de Novembro de 2007 às 20:14
e pronto, lá vou ter de levar consigo. Encontramo-nos no bar do costume?


De Rui Vasco Neto a 2 de Novembro de 2007 às 20:10
teresa,
eu já tinha poucas dúvidas mas agora só tenho certezas.
detesto ser eu a dar a notícia, mas não vejo chance de vê-la chegar ao céu.


De teresa a 2 de Novembro de 2007 às 19:36
E agora para algo completamente diferente, sabias que o ano passado na suiça os pais natais de rua estavam proibidos pela policia de sentar as crianças no colo?


De teresa a 2 de Novembro de 2007 às 19:33
...até já me contaram, e era de certezinha, visto pelos olhos que a terra há-de comer e jurado pelas cinco chagas, que as civis brigadas andam para aí a recolher uns livros estranhos onde aparece um tipo a dizer deixai vir a mim as criancinhas...


Comentar post

Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
mais sobre mim
vidas passadas

Piu

Crónica do Brufen

Eu, pombinha.

Falando com o meu cão

Chove, eu sei, mas tenho ...

Maria da Solidariedade

Hum, daí o meu dói-dói...

Portugal sem acordo

Não fui eu que escrevi ma...

Um dos

Abençoados 94, Madiba!

Sôdade

Não vás as mar, Tòino... ...

Ofertas FNAC: pare, escut...

Reflexão de domingo, perg...

É preciso é calma, já se ...

Definição de sacrifício n...

A questão

E pronto, eis que descubr...

.......

Bom dia. Se bem me lembro...

O princípio do fim

E, de repente.

Um azar nunca vem só

Diz que é uma espécie de ...

Força na buzina!!

Bom dia. Hoje chove em Li...

Depois do homem que morde...

Bom dia. É hoje, é hoje!!...

Boga ou Beluga?

arquivos

Junho 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Janeiro 2011

Novembro 2010

Outubro 2010

Abril 2010

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Restaurantes para fumadores
Consulte aqui a lista de restaurantes onde os fumadores também têm direito à vida.
sete vidas mais uma: Daniel de Sá
Um Nobel na Maia
Lagoa
Ribeira Grande
Vila Franca do Campo
Do Nordeste à Povoação
Dias de Melo, escritor livre
E se a Igreja se calasse?
O outro lado das tragédias
O meu Brasil português
A menina amarga (II)
A menina amarga (I)
Pelas cinzas de uma bandeira
O caso da Escola do Magistério
Uma confissão desdobrável
O gato e o rato
Contra a Inquisição
D.Diogo
Uma carta de Fradique Mendes
Acróstico
Monotonia
Maia (II)
Maia
Um nome acima de todos os nomes
Um palhaço de Deus
A ópera em Portugal - Conclusão (VIII)
A ópera em Portugal - Um novo estilo, Alfredo Keil (VII)
A ópera em Portugal - O Teatro de S.Carlos (VI)
A ópera em Portugal - Os Intérpretes: Luísa Todi e os Irmãos Andrade (V)
A ópera em Portugal - Marcos Portugal: vida e obra (IV)
A ópera em Portugal - Primeiros tempos / o triunfo (III)
A ópera em Portugal - Introdução da ópera em Portugal (II)
A ópera em Portugal - As origens da ópera (I)
Dois sonetos à maneira de Natália Correia
Duas garrafas de Macieira
As esponjas das lágrimas
Lição de Português
500 000 soldados
Depois do portão da casa
Auto da Mazurca
Auto da Barca de Bruxelas
Malino
Romance da Bicha-Fera
A Casa
Tremor de terra, temor do céu.
Cântico da mãe escrava ao filho morto
Passos Perdidos
A Lenda dos Reis
Daniel de Sá
Um sítio chamado Aqui
O protesto do burrinho
Sete vidas mais uma: Soledade Martinho Costa
Poema renascido
Sete vidas mais uma: Pedro Bicudo
RTP, Açores
As vidas dos outros
subscrever feeds
Sete vidas, sete notas