Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008
Ter uma praga na vida
Quarta-feira, 13 Fev, 2008
Ter uma praga na vida é ter uma carga de trabalhos nas costas, uma canga que se carrega dobrado e sem hipótese de escolha. Praga não tem primavera, é nada mais que um longo inverno de tempestades, raios e trovões alternados com aguaceiros ligeiros, a suplicar abrigo e a pedir solzinho por favor. E depois lá vem tromba de água outra vez, quando a gente já está esquecida e de calção novo, a banhos noutra praia. É molhado que não seca por mais calor que apanhe. Ter uma praga na vida é uma porra, acreditem.

O ódio é reconhecidamente uma praga, é certo, mas eu cá pergunto a mim próprio se o amor não poderá ser praga pior e mais corrosiva. Ser objecto da paixão assolapada de alguém é tragédia que nos deixa gregos. É nunca saber sequer que se deseja, é ter cá dentro um astro que bem podia ir flamejar outro, se faz favor, vá lá, irra, por obséquio, facilite e areje, pelo amor da santa! Mas nada feito. Foi uma atracção fatal assim que matou o gato ao Michael Douglas, quando Glenn Close acabou com o mito das sete vidas numa panela de água a ferver lá de casa. Não é a curiosidade que mata, é a paranóia. E ser o rosto fixado na imagem do acordar e deitar de alguém que não queremos em nós, mais a sua razão de viver para o resto dos dias, é mais e pior que telepatia de feira, é doença do foro psiquiátrico. Não é caso para brincadeiras.

Ser pragado é pior que ser praxado, na dureza e no tempo da provação. É explicar que não, não, desculpe, não, não dá. E ouvir que sim, sim, desculpe, sim, sim mas. É aparar golpe atrás de golpe sem estocar a espadeirada redentora do contra-ataque, insistindo na defesa por pruridos de nojo que nos vão levando à falência, moedinha por moedinha. E é carregar a cruz de Cristo numa via pouco sacra, onde nada é sagrado para a impiedade de quem nos nega descanso. Pura obessão, teimosia, cegueira, despeito, loucura. Uma tristeza. Uma praga.


publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De sempre à espreita, muito atenta a 14 de Fevereiro de 2008 às 03:04
cou-cou, trás-trás, senhora da casa de respeito !!!!! Albergaria. agora, é ????

Senhora alvíssaras !!!! Pra que é que quer a praga ????


De alvíssaras a 14 de Fevereiro de 2008 às 01:20
Procura-se:

Praga.

Dá-se alvíssaras a quem encontrar.


De casa-de-respeito a 14 de Fevereiro de 2008 às 01:17
alberga-se homens perseguidos por mulheres.


De mifá a 14 de Fevereiro de 2008 às 01:08
Ó deuses, tenham calma, que, desta maneira, o Olimpo está pior que a Feira da Ladra e quase, quase, como a Assembleia da República.


De piedade a 14 de Fevereiro de 2008 às 01:07
Cá pra mim, tenho na minha, que sei quem é essa do "rebimbómalho", não te assustes, Rui. Quanto ao Alfredo, não se lembrou que o membro aí tem outro nome. Mas tu que sabes o nome do membro aqui, segue-lhe o conselho. E não rebimbes, não vá a água ferver. É que panelas , com derivação, podem ser perigosas. E a do malho é amiga, tem calma, respira fundo. Pronto, já passou. Boa noite.


De Alfredo Gago da Câmara a 13 de Fevereiro de 2008 às 22:35
Ó Rui, foge, tranca já as portas de casa, põe veneno debaixo do tapete da entrada, trinca o coiso na porta para ficar avariado de vez, se aches que doi muito põe a belica à venda já!!! Depressa!!!


De Anónimo a 13 de Fevereiro de 2008 às 19:23
Ai, ai, deve haver por a� uma HERA (deusa do Ci�me) enfurecida!
Todos os deuses e deusas s�o capazes de f�rias e obsess�es que os levam � viol�ncia. Neste cen�rio destaca-se Hera, a esposa de Zeus. Est� sempre na imin�ncia de ter um ataque de ci�mes por causa do marido, um sedutor por excel�ncia. A hist�ria tem apontado um dedo cr�tico a Zeus, descrevendo-o como uma grande divindade, mas tamb�m como um amante infiel, um sedutor incorr�g�vel. se o encararmos com um olhar po�tico, perceberemos que, para o gato,digo, senhor do universo, o desejo de estabelecer uma liga�o er�tica com Afrodite, Artemis e todas as deusas do universo faz sentido:
Como se aguentaria Hera esposa deste gato,digo, senhor de um desejo er�tico ilimitado?
O amor � uma esp�cie de loucura, uma loucura divina, j� dizia Plat�o e o ci�me � o seu veneno regenerador.


De mifá a 13 de Fevereiro de 2008 às 18:34
ó psst sr anónimo (que cá pra mim é mais senhora que senhor), não bastava o Fernando ter-me tirado as palavras da boca, há cerca de um século, tê-las posto na boca do Ricardo, para o sr. ou a srª mas tirarem agora?!

Vasquinho, estou preocupada.
Deixas transparecer inequívocos sinais de assédio sexual. E estou duplamente preocupada. Eu explico: aqui atrás, num comentário, oferecia-te " janta e caminha". Se bem que devidamente contextualizada, a oferta, não posso deixar de me apoquentar com o que esses senhores e senhoras vão pensar.
Por isso, é bom que declares alto e bom som, aos quatro ventos, que NÃO SOU EU.
Mas, já agora, do mesmo senhor dos versos anteriores mas noutro senhor de que aquele senhor se assenhoreou, aí te deixo estes :

Quando passo um dia inteiro
sem ver o meu amorzinho
cobre-me um frio de Janeiro
no Junho do meu caminho.

Consta que não resultou. Não sei se por ele se pela ofeliazinha ( mas desconfio que por ele, que era esquisito).
Mas, quando não se pode ter um calor de estio, um solzito de inverno também aquece a alma, que:

Não sei se é amor que tens, ou amor que finges,/ o que me dás. Dás-mo. Tanto me basta.
(...)
Pouco os deuses nos dão, e o pouco é falso./
Porém, se o dão, falso que seja, a dádiva/ é verdadeira. Aceito, / cerro os olhos : é bastante./ Que mais quero?

E é assim que o sr Ricardo Reis termina o poema citado pelo sr/sra anónimo/a.
Acho que acabei de ganhar o direito a conhecer o "happy end".


De Anónimo a 13 de Fevereiro de 2008 às 18:30
Boas notícias... boas notícias!

OS SEUS PROBLEMAS TÊM SOLUÇÃO, com o professor Rebimb'ómalho, grande vidente,especializado em "Castrologia"!

Se responder já, pode usufruir da fantástica promoção:

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De yinyang a 13 de Fevereiro de 2008 às 17:24
Muito bem escrito mas apenas um reparo... não era um gato mas sim um coelho...


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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