Terça-feira, 18 de Março de 2008
Um ménage pocariço, ou a América do costume.
Terça-feira, 18 Mar, 2008
A demissão de Eliot Spitzer, Governador de Nova York, continua a ter ainda assunto para os americanos, gente que só larga um pitéu destes depois de convenientemente espremido e retorcido até nem um pingo mais de sémen cair. O follow up informativo das quecas que custaram o cargo a Eliot vem sendo feito nos media com os comentários e testemunhos de figuras repescadas à memória das suas próprias escandaleiras pessoais já passadas. E foi essa maré que devolveu à praia a luso-americana Dana Matos McGreevey, ex-mulher do senador gay Jim McGreevey, recentemente saído do armário (e do casamento) e cuja história já foi contada aqui. A portuguesa que viveu o sonho americano por casamento, da Pocariça para os salões de Washington por obra e graça de uma paixão assolapada, como nos filmes, vê-se agora novamente apanhada nas malhas da badalhoquice senatorial norte-americana, pela divulgação de mais pormenores escabrosos do seu passado com o senador. Tal como nos filmes, também.

Desde que o seu caso se tornou público que Jim e Dina fazem a vida negra um ao outro. Os dois lavaram roupa suja na TV, os dois escarrapacharam a sua intimidade nos jornais com todos os dirty details, os dois escreveram livros a contar a versão de cada um, muito juicy nos dois casos. Agora a iniciativa terá partido de Jim McGreevey, que teve desta vez a gentileza de vir contar que Dina Matos sabia perfeitamente da sua homossexualidade e que por isso terá concordado em manter uma relação sexual a três com o colaborador de campanha Pedersen, durante dois anos, até à sua eleição para governador de Nova Jérsia em 2001. Mas, segundo Dina, quando Jim era presidente da Câmara de Woodbridge já se entendia intimamente com Teddy, relação que continuou enquanto desempenhou o cargo de governador de Nova Jérsia, até à sua demissão em 2004, e mesmo depois. Um encanto, este vai-vem de ternuras. Recorde-se que a demissão do governador McGreevey foi justificada pelo próprio como única saída para um caso de chantagem económica de que estaria a ser vítima por parte de um seu funcionário, o qual se queixou, por sua vez, de ser alvo de um assédio sexual insuportável. Outro vai-vem, outro encanto, naturalmente.

Agora, Jim considera que o ménage à trois com Dina «já aconteceu há muito tempo» e, portanto, é preciso «seguir em frente» para bem da única filha do casal, uma menina de seis anos que só mais tarde terá capacidade para entender mais esta revelação paterna. Pedersen, por seu turno, diz que não sabia se Jim era ou não homossexual. O seu móbil ao denunciar o ménage à trois com Dina foi, imagine-se, a raiva que diz ter sentido ao vê-la na televisão a comentar a demissão de Eliot Spitzer, governador de Nova Iorque. Durante essa intervenção, Dina terá recordado que ficou «pasmada» ao saber da homossexualidade do ex-marido quando este, ao apresentar a demissão de governador de Nova Jérsia, se assumiu como gay.

Disse e repito, para mim os americanos têm uma cultura de escândalo que os faz gente que só larga um pitéu destes depois de convenientemente espremido e retorcido até nem mais um pinguinho de sémen cair. Por isso acredito que o follow up informativo das quecas de Mr.Spitzer ainda terá muita surpresa por revelar, todas e cada uma com este tipo de repercussão à escala mundial que junta Nova York e a Pocariça num mesmo abraço lúbrico.


publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Rui Vasco Neto a 21 de Março de 2008 às 13:27
fredo,
pode até ser, mas lá que ficavas jeitoso com um piercingzinho, lá isso...


De Alfredo Gago da Câmara a 18 de Março de 2008 às 03:22
Depois de ler isto, a colocação de um piercing na lingua, passa a ser um acto sublime, louvável e de grande prestígio. Será apenas um aromático e inofensivo grão de pólen deixado por estas duas florzinhas.


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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