Sexta-feira, 14 de Março de 2008
Falando claro
Sexta-feira, 14 Mar, 2008
O amanhã promete. Assim à partida, a frase é de esperança e augura um futuro promissor; mas não neste caso, confesso. Usei-a aqui pelo contraste, com o pensamento em duas acções independentes que terão lugar amanhã, concomitantemente ligadas por um umbigo comum, a saber: no comício nacional do PS, convocado para amanhã no Porto e que contará com a presença de José Sócrates; e na manifestação de contestação que estará a ser convocada, de forma anónima, para ter lugar nas imediações do Pavilhão do Académico. Recorde-se que, nos termos do Decreto-Lei 406/74, as pessoas ou entidades que pretendam realizar reuniões, comícios, manifestações ou desfiles em lugares públicos ou abertos ao público devem avisar por escrito e com antecedência mínima de dois dias o governador civil ou o presidente da câmara municipal, conforme o local da iniciativa se situe ou não na capital do distrito. Ora nada disso aconteceu neste caso. E para amanhã as previsões do barómetro social são mais preocupantes que as metereológicas, mais carregadas no cinzento ameaçador. Porquê? Respondo-vos com a transcrição de um comentário assinado por Nuno Nasoni num post do Corta-Fitas. Uma análise a reter, pelo sim pelo não. E a aplaudir em qualquer dos casos. Ora leiam com atenção.

«Conhecem o pavilhão? Já joguei lá umas futeboladas de domingo. Tem duas particularidades. A primeira é que tem uma entrada directa da rua, mas que é "cega" - obriga a contornar uma parede para se chegar ao recinto. Mas a entrada habitualmente mais utilizada é um portão de ferro, lateral, que dá acesso a um pátio interno que antecede o pavilhão. Esta entrada permite criar um espaço de isolamento entre o pavilhão e a rua. O recinto em si é antiquado, com fracas condições.

A rua em questão - Costa Cabral - é uma rua estreita, de duas faixas e com passeios apertados. E bastante movimentada. Será possível fazer-se uma contra-manifestação nesta rua? Se a polícia mantiver o trânsito a circular, é impossível. Não há espaço. Cortando-se o trânsito, é um belo sítio para quem quiser dar umas assobiadelas. Embora muito próximo da estação de metro do Marquês, fica numa zona de ruas estreitas (perto de um entroncamento com uma rua de sentido único), onde é muito fácil promover-se um confronto.

De todos os pavilhões da cidade, tenho dificuldade em lembrar-me de um mais inadequado para um comício político - para mais numa circunstância de ânimos exaltados.

Depois de cortado o trânsito, é quase inevitável que uma eventual contra-manifestação corte os acessos ao pavilhão. A distância entre os socialistas e os manifestantes será mínima, e propensa a atitudes exaltadas. Para mais, até pela dimensão do recinto, os socialistas serão poucos (e da linha dura, o vulgar eleitor não se mete numa destas). Espero que me engane, mas corremos o risco de ver umas cacetadas na abertura dos telejornais de amanhã.»

Cumprimento o comentador, que não conheço. E bato palmas à análise, nem que seja pela real possibilidade remota que até não me parece ser tão remota assim. Faço sinceros votos que ele esteja redondamente enganado, que não tenha os miolos que aparenta, que seja mais um papagaio que diz coisas só porque sim. O que não me parece, confesso com pena. Por isso faço os tais sinceros votos que, por mais lúcida que aparente ser esta sua leitura dos factos, ela não corresponda a mais uma lamentável teatrice política com as marionetas de sempre, que somos todos nós. Porque isso, independentemente da justeza das causas que dessem um motivo, seria verdadeiramente nojento, certo? Estou enganado?

A ler, sobre o mesmo assunto: «As ovelhas negras da democracia», «O desagravo e a contra-manif».


publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Insaciável a 15 de Março de 2008 às 19:19
Neste caso, e pelo que vejo, a montanha pariu um rato.


De Pi a 14 de Março de 2008 às 20:55
Cá eu tou longe dessa merdice !!!


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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