Sexta-feira, 25 de Abril de 2008
Bom dia. Hoje é dia 25 Abril, sim. De resto é o costume.
Sexta-feira, 25 Abr, 2008
«Governo e Igreja entendem-se.»
(Sol, hoje)


publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Anónimo a 25 de Abril de 2008 às 20:48
Caro anónimo libertador : já reparou como essa linda Trova de Manuel Alegre continua actual ?


De Anónimo a 25 de Abril de 2008 às 15:43
RVN:
Não sou pessoa para rejeitar desafios: desafio aceite!
Aqui está o poema, escrito hoje, «com a visão mais recente do meu Abril». Fica a seu cargo resolver se merece, ou não, a publicação no seu blog. Só nesta data estará adequado. Mas se houver arrependimento em relação ao convite, não levo a mal. Caso contrário, só peço uma pequenina introdução,pode ser?

Abraço da Sol


POEMA RENASCIDO

Se Abril voltasse
A percorrer as ruas
E com ele na mão
Um cravo rubro
Os sonhos que nascessem
Nesse dia
Trariam a certeza
De que os homens
Nem sempre procuram
A magia
Que faz dormir em paz
As consciências.

Se o outro Abril
Não passou de um sonho
Se respiramos hoje
Esta amargura
E os cravos se tornaram
Cor de bruma
A seara continua
A dar ao vento
O dourado do manto
E a formosura.

A murmurar, talvez
Que o Norte anda à deriva
Sem rota, sem leme ou timoneiro
Mas que resiste em nós.

A segredar ao coração
A tempo inteiro
Que é urgente
Ir em busca da bonança
E deixar que o Sol
Rompa o nevoeiro.

A fé não está perdida
É urgente ir em busca do poema
Que se fez bandeira
E fez canção
Em nossa voz
Agora adormecida
À espera de a ouvirmos
Renascida
Cantada noutro tom
Em vez primeira.

Soledade Martinho Costa

P.S. «Que é urgente ir em busca da bonança» e «E deixar que o Sol rompa o nevoeiro», deveriam ficar num só verso. Mas na caixa não dá. Tome isso em consideração, sim?


De Anónimo a 25 de Abril de 2008 às 13:54
Hoje vou comemorar o 25 de Abril indo almoçar um bifinho com a família, de sabor a "Mandarina" e acompanhado de uma jovem simpática de 70 anos.
Vai lá, vai. Roi-te de inveja.


De Anónimo a 25 de Abril de 2008 às 03:49
CANTAR A LIBERDADE

«Trova do Vento que Passa»

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre

DE RESTO ... NÃO É O COSTUME, NÃO!


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