Quarta-feira, 14 de Novembro de 2007
Júlio, tem calma. Falta pouco.
Quarta-feira, 14 Nov, 2007
As duas grandes notícias do dia de hoje vêm do Japão. O que são grandes notícias para mim e nesta circunstância? São aquelas que me podem mudar, mais toda a minha vida, de uma forma drástica e não elástica, se é que me faço entender. Na dúvida, passo a explicar.
Diz o 'Telegraph' de hoje que os japoneses inventaram uma estrada que toca música quando nela se passa de carro. Exacto. Uma estrada que toca música quando nela se passa de carro. Não é incrível? Através de ranhuras no alcatrão medidas ao milímetro, o passar das rodas dos carros produz determinadas notas musicais para dentro da viatura que, segundo testemunhos de senhores que já passaram nas três estradas do norte do Japão já feitas com esta técnica, 'dão até para cantar' ao volante. Fantástico, não?
Mas mais e melhor diz o 'Público' de hoje. Cientistas japoneses anunciaram a criação de ratos destemidos, capazes de se aproximarem sem medo no seu inimigo histórico: o gato. O estudo foi desenvolvido na Universidade de Tóquio e publicado na revista científica “Nature”. Segundo os cientistas, ao mexerem num determinado gene dos roedores, conseguiram remover de forma selectiva determinadas células do seu sistema olfactivo, muito importantes para os impulsos nervosos que os ratos recebem através da cavidade nasal. Desta forma, os ratos vão perder a capacidade de associar o cheiro do gato ao medo inato de um predador.

Leio isto e fico a pensar no que o futuro me reserva ainda, nestes anos em que vivo. Condicionar o comportamento humano por meio de estímulos exteriores que interagem connosco pela calada da atenção foi sempre o sonho dos chico espertos que vendem sonhos, política ou aspiradores. Tempos houve em que a introdução de um fotograma em cada vinte e quatro fazia as pessoas sairem do cinema cheias de vontade de beber uma determinada bebida ou comprar outra marca qualquer entretanto sugerida. Tenho essa consciência, sei que sou carta de um jogo que outros baralham. Aceito porque sim e pronto. Não tenho como não aceitar. Mas a possibilidade de uma manipulação das minhas defesas naturais contra predadores, ainda que futura e embrionária nesta fase, aterroriza-me, confesso. É a vida que me foge, o bafo no pescoço que me ameaça, o perigo que se aproxima. Fecho os olhos por um instante e antevejo cenas de puro horror. Vejo-me a sorrir para o Carlos Castro, sei lá, a lê-lo até, quem sabe! Mas mais e pior, pondero a possibilidade de vir a gostar do Júlio Isidro, o que me obriga a uma atitude enérgica: parem com a porra das experiências já! Exijo. Suplico. Arigato.


publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Rui Vasco Neto a 15 de Novembro de 2007 às 12:33
alfredo,
volta pr'aqui já!!!!!
ouviste?


De Alfredo Gago da Câmara a 15 de Novembro de 2007 às 01:52
Que engraçado! Adorei ler estes comentários, assim, de rajada. Deu-me a sensação de estar a observar uma mistura de gatil e ratil, concebido no mesmo espaço de quatro metros quadrados cheio de gatos e ratos à mistura, ainda no seu juízo perfeito. Obs! Acabei, sem querer de entrar gato/ratil. Desculpem, tá? Vou sair. Tchau!


De Rui Vasco Neto a 15 de Novembro de 2007 às 00:17
mr. scrooge,
miau... e obrigadinho.


De EH...EH....EH... a 14 de Novembro de 2007 às 22:06
Quem "condiciona os condicionamentos", é quem se a acondiciona aos condimentos da continência, contigencial do acasalamento, condicionado e condensado na reciclagem de um tubo de ensaio!


De pareço um livro do charles dickens a 14 de Novembro de 2007 às 20:39
ó muito riso pouco siso,

a pergunta é, quem condiciona os condicionamentos?

concorrência?...concorrência??... onde é que está? eu vou-me a ela, que não sou de me ficar...

gato,

prometido. será, a partir d'hoje, aqui e agora, intocável para mim.


De Rui Vasco Neto a 14 de Novembro de 2007 às 19:48
pobrezinha sem doce,
espero ser intocável para si.

ehehnónimo,
acho a concorrência muito saudável, tal como o jogging e o yoga. e o tiro ao bush, claro, a mais saudável das actividades desportivas citadas.


De EH..EH...EH.... a 14 de Novembro de 2007 às 19:41
O ser humano sempre foi "condicionado" por "meio de estímulos" exteriores.
A prová-lo está esta guerra de gatos e ratos (viúvos, orfãos com ou sem chantilly azul...)
Qual é o vosso problema, hem?
Tão com medo da concorrência?!!!!


De sem sobremesa por ter feito asneira a 14 de Novembro de 2007 às 18:54
anónimo lápis azul,

Mas o marido já posso matar sem ofender o seu sentido de humor? tchtchtch....

Pode, por favor, fornecer-me a lista de intocáveis para o meu humor não tornar a ofender o seu bom gosto?


De Rui Vasco Neto a 14 de Novembro de 2007 às 18:06
pypa,
o que são os problemas do rato comparados com os meus? não leu o post? já pensou no que me pode esperar? tenha dó, senhora!


De Rui Vasco Neto a 14 de Novembro de 2007 às 18:03
nónimo,
pois tem, mas eu achava que era dos meus olhos...


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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