Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007
Somos tão felizes, não somos?
Sexta-feira, 02 Nov, 2007
A primeira página do Açoriano Oriental (AO) on line de hoje traz uma manchete de truz. «Ilhas açorianas são as segundas melhores do mundo», garante o jornal, que garante outro jornal, o Times, que por sua vez garante a revista “National Geographic Traveler” onde vem escrito serem os Açores as segundas melhores ilhas do mundo para o turismo.

Numa pontuação de zero a cem, os Açores terão obtido 84 pontos, grande marca, sendo o arquipélago classificado como “um sítio maravilhoso. Ambientalmente em boa forma. Os habitantes são muito sofisticados e a maioria já viveu fora”. Para grande alegria do AO e de todos nós, à frente dos Açores terá apenas ficado a Dinamarca com 87 pontos.

Será difícil encontrar uma primeira página mais exemplar do pensamento geral e da concepção editorial da comunicação social açoriana. Umbiguista e provinciana, a direcção editorial do AO alterna os fretes ao poder com estes apelos ocos ao orgulho bairrista insular. Dirão os do costume que só faz bem exaltar a nossa terra. Claro que sim, por quem sois. As papas e bolos são largamente apreciadas na pátria lusitana. Aquilo de que ninguém gosta é de se abalançar ás grandes questões, não vá a coisa pegar e a gente ficar com a batata quente na mão sem saber o que lhe há-de fazer. E ainda correr o risco dos donos das ilhas não gostarem e as receitas da publicidade cairem a pique. Dia após dia, a revista de imprensa açoriana só nos traz coisas boas e coisas menos boas. Porque nas verdadeiramente más de raiz ninguém mexe, ninguém fala, ninguém investiga. Não é de bom tom.

Vai chegar o dia, estou certo, em que os actuais responsáveis pela imprensa, rádio e televisão açorianas vão ser chamados ao palco do Coliseu Micaelense para receberem as suas medalhas da ordem. Alguns vão recebendo já por conta, dadas por eles próprios a si mesmos como aconteceu com Natalino Viveiros que se auto-classificou de 'prémio revelação' ainda há pouco mais de um ano, numa iniciativa do seu 'Correio dos Açores'. No tal dia das medalhas, nesse dia de grande alegria para todos eles, nessa festa bonita e comovente, eu cá vou bater palmas também, mesmo de longe, que não é obra pequena conseguir enganar toda a gente durante todo o tempo. Normalmente ou se consegue uma coisa ou se consegue outra.

O artigo publicado na revista “National Geographic Traveler” diz que os Açores são um destino “levemente turístico” e com uma “cultura local forte e vibrante”. Eu digo que o jornalismo da minha terra é igual. Levemente informativo. Fortezinho, sim, mas para si próprio. E com uma cultura muito, mas mesmo muito vibrante.

RVN


publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Daniel de Sá a 3 de Novembro de 2007 às 00:52
Se calhar tens razão... Nunca se sabe o que um big father pode fazer.


De Rui Vasco Neto a 2 de Novembro de 2007 às 20:19
daniel,
não recebi cá nada, mas deixa que te diga (a ti e para a geral) que estou também com dificuldades técnicas na postagem de comentários.
uns vão directamente para a caixa de moderação e eu não os vejo, outros são publicados automaticamente e avisam depois. estou a tentar perceber e resolver.
de qualquer forma, no teu caso a explicação é simples. querias meter-te com o nosso alberto joão? cresce e aparece, amigo! ele domina até os comentários dos blogs.


De Daniel de Sá a 2 de Novembro de 2007 às 20:08
Rui
Não sei o que está a contecer... Esta coisa nega-se a aceitar uma mensagem em que eu proponho que mandemos o anónimo para a Madeira, a ver se o AJJ o esteriliza.


De Rui Vasco Neto a 2 de Novembro de 2007 às 18:43
daniel, tens língua de platina?
olha que ta cortam se vens para o bairro alto à noite.


De Anónimo a 2 de Novembro de 2007 às 14:52
linguinhas de platina, hein?
continuem, estou adorando!


De Rui Vasco Neto a 2 de Novembro de 2007 às 12:26
Daniel,
estas mudam pouco, meu amigo. ou nada para ser exacto. seguem uma prática decretada pelo nosso alberto joão quando instalou a primeira fábrica de moscas na madeira, que por um processo biológico produz apenas moscas estéreis para que não se reproduzam.
diz lá agora que o jardim é parvo...


De Daniel de Sá a 2 de Novembro de 2007 às 12:20
Ó Rui, estás pensando bater palmas para ver se apanhas alguma mosca? É que, como nem elas mudam...


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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