Quarta-feira, 12 de Março de 2008
24 Notícias, Diário das Horas
Quarta-feira, 12 Mar, 2008
A publicação desta foto de Fernanda Tadeu, mulher de António Costa, tirada em plena manifestação de professores do passado domingo, na capa do Diário de Notícias desta terça-feira, é para mim mais um passo na aparente vinteequatrohorização crescente do maior jornal diário de referência do nosso país. Não está em causa o valor da cacha de Rodrigo Cabrita, o autor da foto, mas antes a oportunidade e o valor (em termos de destaque editorial) que o DN lhe dá. Não está em causa a motivação de Fernanda Tadeu para estar presente nesta marcha de indignação, mas sim a motivação do DN para assim fazer presente uma qualquer atitude de António Costa através da indignação da sua cara metade. A opção editorial da direcção do DN é passível de leituras várias, algumas delas francamente desprestigiantes para aquele prestigiado órgão de informação, outras que nem tanto e até aplaudem a decisão. Na blogosfera as opiniões não faltam, muitas apenas roçando o essencial ou até a verdade. A presença de Fernanda Tadeu entre cem mil manifestantes não é «é um facto político que não deve ser ignorado», como diz por exemplo Francisco de Almeida Leite no Corta-Fitas, onde também pode ser conhecida posição oposta com assinatura de João Távora. Nem Fernanda Tadeu é sequer «Professora universitária, militante do PS, ex-secretária de estado do ensino básico», como afirma Paulo Pinto Mascarenhas no seu Blogue Atlântico, a meio de uma piadinha menor desprovida dos mínimos de graça.

Não terá havido maldade em estado puro nesta opção editorial do DN, quero acreditar, antes um chico-espertismo incompatível com a estatura da credibilidade daquele jornal enquanto órgão de referência que é na comunicação nacional. Mas a intenção de chicana política, bem como um guloso oportunismo populista, são por demais evidentes em mais esta incursão do DN por terrenos lamacentos mais próprios do tablóide 24Horas. Recorde-se que tudo isto acontece apenas poucas edições após aquela que exibiu, também na capa do DN, a foto de gosto duvidoso de uma Alexandra Neno de roupas descompostas e peito desnudado, durante as tentativas de reanimação que acabariam por falhar. Dois deslizes graves, na minha opinião. Escusados. Sendo que este último traz um ruído desnecessário a uma questão fundamental que traz o país dividido e preocupado com o seu futuro, atento à importância das palavras e atitudes daqueles que são responsáveis pela política nacional. Não ao que fazem ou dizem as suas mulheres ou maridos.


publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Rui Vasco Neto a 14 de Março de 2008 às 22:34
daniel,
mais se passa para além da taprobana. Abre os olhos.


De Daniel de Sá a 13 de Março de 2008 às 01:52
Rui, bem analisada a questão. Que pode resumir-se nisto: se Portugal é uma democracia, a presença de Fernanda Tadeu na manifestação é praticmanente irrelevante; se não somos, afinal, tão democratas como gostaríamos de ser, estar lá a mulher de António Costa é um sinal de esperança digno de realce.


De Anónimo a 12 de Março de 2008 às 18:03
"você mesmo" : vá-se catar !!! Que vulgaridade ...


De Rui Vasco Neto a 12 de Março de 2008 às 17:50
eumesmónimo,
claro, claro, as vidas reais, o supremo argumento da inteligência superior. Não me admira que tivesse optado pelo anonimato. Mas registo a sua dificuldade em deixar um insulto, ficando-se pela tília. Considerando os considerandos e os apesares,parece-me um bom sinal. Para os dois.
cumprimentos.


De eu mesmo a 12 de Março de 2008 às 17:43
Ora, ora, caro Rui.
Depois das "vidas reais", acontece cada irrealidade neste mundo de Cristo...
Toma um cházinho de tília, vais ver que isso passa.


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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