Terça-feira, 15 de Abril de 2008
Ó patego: olha o balão!
Terça-feira, 15 Abr, 2008
Mais uma grande operação policial faz hoje as parangonas da imprensa nacional. E vai abrir os telejornais da noite, isso é certo. E vai ser muita imagem, muita reportagem, muita entrevista, muita gente empenhada em acabar com o tráfico de droga em Portugal, tudo e todos esparramados a cores na pantalha da opinião pública, esta noite e à hora do jantar da nação. Vamos poder ver as forças policiais no terreno, com mais de cem agentes para passar em revista os bairros de Padre Santa Cruz, Serra da Luz, Horta Nova, em Carnide, e o bairro da Apelação, em Loures. Foram detidas onze pessoas, doze foram constituídas arguidas e foram também apreendidos «estupefacientes como haxixe, cocaína, heroína, dinheiro, seis armas, seis viaturas e material relacionado com o tráfico de droga».

Apesar de não ter sido especificada a quantidade de drogas encontradas, a verdade é que no total não terão passado de poucas gramas numa escassa meia dúzia de doses individuais, rebuscadas nos bolsos de outros tantos vendedores de rua. Dificilmente se poderá considerar 'um rude golpe' no tráfico, digo eu. Mas essa será uma informação que se passará despercebida por entre o foguetório de tão visível e fotogénico combate das autoridades. Foi um sucesso, esta operação, confirma o subintendente Pratas da PSP e essa será a memória futura de mais este dia, outra coisa não seria possível, de resto. Embora quanto às tais quantidades apreendidas a mesma fonte tenha admitido terem sido «reduzidas» uma vez que «esta rede se dedicava ao pequeno tráfico». Pois.

Que não haja confusão na leitura da intenção destas minhas palavras. A minha posição é clara e inequívoca, pese politicamente incorrecta. Não é que esta operação policial de hoje não seja de louvar, tal como quaisquer outras que visem o combate sem tréguas a este flagelo absurdo que vai dizimando a sociedade dos dias modernos numa escala assustadora. Tudo o que se fizer para minimizar as perdas e danos desta guerra será sempre pouco e benvindo. A questão é outra, a meu ver. Tem a ver com a relação eficácia/rentabilização de meios, que me parece aqui altamente desproporcionada. Ou, pondo as coisas em termos mais objectivos, saber quantas mais centenas de agentes serão precisas por grama apreendida, a continuar este tipo de política de investigação e repressão do tráfico de estupefacientes. Quantos mais mortos por overdose, quantas mais famílias destruídas, quantas vítimas mais serão necessárias para manter este escudo invisível que protege, com as unhas e dentes do próprio sistema, aqueles que de facto mandam e comandam o grande negócio da droga. E que nunca serão apanhados assim. Essa é que é a questão. O resto é folclore.


publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Raposinha a 15 de Abril de 2008 às 22:47
Pois eu n�o concordo nada. As rusgas policiais neste tipo de bairros t�m como objectivo combater uma s�rie de actividades criminosas como tr�fico de drogas, de armas, de pessoas, roubos, homic�dios, falsifica�o de documentos e de dinheiro, etc. T�m ainda como objectivo identificar pessoas e bens. E na identifica�o de pessoas est� inclu�do provavelmente a angaria�o dos ditos �chibos� t�o �teis em futuras investiga�es policiais.

Estar a resumir estas opera�es apenas �s gramas de droga que se apreendem � ter em conta uma �nica vari�vel de uma equa�o bastante complexa. Sobretudo quando nesta apreens�o para al�m da droga foi apreendido dinheiro falso, cheques, armas de fogo, armas brancas, muni�es e ve�culos ilegais.

P.S.-O jornalista do Di�rio Digital n�o sabe, porque provavelmente nunca l� entrou, mas o Bairro da freguesia de Carnide chama-se Bairro Padre Cruz, e n�o Bairro Padre Santa Cruz e Serra da Luz pertence � freguesia da Pontinha, concelho de Odivelas, nunca pertenceu a Carnide. N�o � importante mas se nem nas localidades o Di�rio Digital acerta, � de suspeitar dos n�meros.


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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