Quinta-feira, 1 de Maio de 2008
Eu e o velho eu
Quinta-feira, 01 Mai, 2008

O velho eu tinha bastas diferenças com este novo, nem sequer vou por aí, pela mudança em números, pela contabilidade pura e dura do que mudou. Deixem-se disso, vá lá, não é a altura nem o local, um dia, quem sabe. Concentremo-nos por agora só no que interessa para já, na circunstância: a informática. Isso mesmo, falemos de informática, enfim, mais ou menos.
O velho eu tinha um não sei quê com os computadores, eles e ele, ele e os ditos, enfim, não há por onde nem porque fugir, contornar o que era facto, melhor dizê-lo de uma vez: o velho eu era burro que nem uma porta, duas portas, todas as portas desde que fossem USB. Não era bem uma incompatibilidade, era mais a ausência total de qualquer compatibilidade que preenchesse os mínimos essenciais para a interacção dos dois, eu e o computador. Quer dizer, ele, o velho eu e o computador, era o que eu queria dizer, porque para este euzinho aqui, eu próprio, para este euzíssimo renovado e enxuto a coisa não tem espinhas e acabaram-se os dramas, ou quase. O esforço compensou e o milagre aconteceu.

Hoje eu trato por tu cada byte, já domino, aparo no peito, dou de calcanhar, enfim, com exagero e tudo, pronto, talvez nem tanto um bocadinho, mas o que eu quero dizer é que já consigo ligar e desligar, por exemplo, e fazer mais umas coisitas como escrever e postar os meus textos e fotos, tudo completamente sozinho e sem qualquer ajuda externa. Não é fantástico? Era isto que eu queria dizer. Já é bom, ou não? E era isto que eu queria fazer, o que era óptimo se conseguisse, mas acontece que não consigo e daí estar para aqui com esta conversa toda, a ver se passa incógnita a burrice desta súbita recaída na fatalidade de uma parecença com o velho eu, esse personagem abstruso e abominável que pensava que download era um ritmo, um compasso seis por quatro, sei lá, o inferno às quintas.

Pois todo esse pesadelo está de volta agora e antes fosse em Elm Street, mas não, aterrou no meu lap top ao mesmo tempo que o 7vidas aterrava no Sapo. Veio no pacote, por assim dizer. E agora, a cada tentativa de post, a cada nova experiência de fotografia, a cada coisa nova os terrores antigos da incomunicabilidade absoluta entre a máquina e o tal velhadas estão de volta, a galope. Invadem toda a área habitualmente reservada à capacidade de reacção e transformam o raciocínio numa tenda de circo e o pensamento numa mulher barbuda com três verrugas e a cara de um sapo. A sua imagem é tudo o que eu vejo na minha mente quando esta coisa bloqueia e fica a pensar, a pensar, a pensar. Eu penso no Sapo, só vejo a cara do sapo. E quando eu quero mudar um tipo de letra e mudam as cores, mudam os tamanhos, mudam os sinais, apagam-se os comentários, muda aquela merda toda e desaparece o texto todo menos aquelas duas linhazinhas, escondidas lá para o fim do que era suposto ser o post e exibindo, com um garbo suspeito, o tal tipo de letra que era a única coisa que eu queria ter mudado e não consegui? Eu cá penso no Sapo, na mulher barbuda, nos terrores informáticos e no sacana do velho que eu já julgava despachado de vez da minha vida. E vejo-me obrigado a concluir, nada a fazer, mesmo que só para os meus botões: esta mudança de endereço é coisa para ainda me sair carota nas contas do psicanalista.


publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar

Comentários:
De Saci a 1 de Maio de 2008 às 23:24
O ser humano tem uma capacidade inigualável de se adaptar ao desconhecido.

Daqui uns tempos vai ver que este Sapo se transforma em principe....ou princesa...ou o que desejar.

Bjos


De shark a 1 de Maio de 2008 às 23:59
Estou tão, mas tão solidário...
Também eu dei comigo enleado nessa pdi batráquia e em muitos aspectos ainda ando aos papéis.
Mas uma coisa que a malta da nossa geração possui são toneladas de persistência mais as litradas de paciência que resultam da vontade de não fazer má figura nestas modernices.


De Rui Vasco Neto a 2 de Maio de 2008 às 04:13
sharky,
agora é que tu acertaste na mouche: figuras tristes é que não, essa coisa de levar bigodes do pessoal nunca foi a minha especialidade, fui sempre um nadita para o 'se tem que ser tem que ser e mainada'. E isso é que fez a difeença para mim aqui na net, podes crer. Ver as minhas filhas olharem para mim com aquele tipo de resignação condescendente que só se usa nos tónhós, sabes? Tipo "ya, o cota não atina, é de outro tempo, tás a ver"
O caraças, pá! 'toneladas de persistência mais as litradas de paciência que resultam da vontade de não fazer má figura nestas modernices.' e tá a andar! Foi tiro e queda, até chegar o batráquio.


De Pedro a 2 de Maio de 2008 às 00:22
Diria que valeu quase (só quase!) a pena esses encontrões na nova casa só pelo post. Amanhã, cedo, trato de ajudar com as fotografias. Vamos fazer isto aos poucos, e tentar deixar de fora o psicanalista, para já pelo menos ;-)


De Rui Vasco Neto a 2 de Maio de 2008 às 04:17
pedro,
não sei, não sei... talvez as três caixas de Prozac que fui tomando entretanto ajudem, mas não sei... não sei...
foi forte, o abalo, como vês. ;)))

(tá combinado, mañana entonces)


De PypaMary a 2 de Maio de 2008 às 00:44
Fiquei tão feliz ao ler este post !!!!! É que tenho-te na conta de um homem inteligente ....


De PypaMary a 2 de Maio de 2008 às 00:45
Fiquei tão feliz ao ler este post !!!!! É que tenho-te na conta de um homem inteligente ....


De Rui Vasco Neto a 2 de Maio de 2008 às 04:18
pypa,
pois, e no entanto ela move-se...


De Sarocas a 2 de Maio de 2008 às 01:38
Quanto mais sabemos, mais sabemos que pouco sabemos. Mas isto de que o burro velho não aprende línguas é mentira! Ora vejamos, um quase analfabeto, disléxico ou coisa que o valha, agora com este acordo da língua portuguesa e adopção do estilo de escrita dos brasileiros conseguirá de uma vez por todas escrever bem (algumas palavrinhas)! Pode ser que saia um manual de normas e simplicidade da Microsoft ou que decidam fazer um acordo de abrandamento da velocidade das novidades na internet assim estilo MS-DOS, nunca se sabe. Estes blogs dão muito que falar. Não somos nós os desentendidos! O computador, que nos ajuda em tanta coisa, podia também ser muito mais compreensivo e paciente connosco.

Uma boa noite. Adorei o post!
Sara


De Rui Vasco Neto a 2 de Maio de 2008 às 04:20
sara,
e eu adorei o estilo, o seu. Diga mais coisas, venha mais vezes.


De Anónimo a 2 de Maio de 2008 às 09:52
Gostei especialmente da "imagem" do rítmo download...
a ser aquilo para que não foi "criado" seria algo situado na linha melodica, entre o RAP e o Fado. Imagino algo com os sons abruptos nazalados e riscados do RAP e os gemidos de uma guitarra, acompanhando uns a voz de um qualquer mad dog, outros a melodiosa Katinha. Tudo, tudinho mesmo ritmado pelo som seco dos seus temerosos dedos, matrcando o teclado enquanto a nossa memória visual recorda um plácida galinha de campo, bicando o chão em busca da gorda minhoca.
Desejo uma longa vida para este blogo-gato@.come
Bartolomeu


De Rui Vasco Neto a 2 de Maio de 2008 às 20:32
bart,
essa de substituir o metrónomo por uma galinha a bicar é de génio! assim elas aceitem pilhas duracell 1,5 pelo sítio do ovo acima e temos o mundo a compasso, nem mais.
volte sempre.


De Samuel a 2 de Maio de 2008 às 11:33
Calma!... Pensa no que ainda vamos "passar" nos próximos 50 anos de avanços tecnológicos, alguns (ao que nos prometem) em forma de choque... e respira fundo.


De Rui Vasco Neto a 2 de Maio de 2008 às 20:35
sam,
'...vamos passar nos próximos 50 anos..'? estás cheio de planos, fico feliz por ti, agora diz-me: estás a pensar ficar para o primeiro centenário do 25 de Abril?


De Saci a 2 de Maio de 2008 às 18:46
Shark

Afinal é o rvn que tem cunhas no Sapo. Bastou fazer-lhe um texto e apareceu logo ajuda. É aqui que tenho que deixar os meus pedidos ao Sapo.


De Rui Vasco Neto a 2 de Maio de 2008 às 20:44
saci,
profunda injustiça, perdoará mais tenho que corrigir, mesmo sendo uma piada.
nada mais errado que presumir a necessidade de insistência da minha parte ou muito menos 'cunhas'. a questão é que nem foi preciso nada disso, é da mais elementar justiça reconhecer que a equipa Sapo apareceu com oportunidade e sentido pragmático, coisa que outros teriam também, talvez, mas com um outro pormenor que fez toda a diferença: traziam vontade de trabalhar e capacidade invulgar de concretização sem alaridos ou show off's. Apenas mãos à obra. E continuam, pelos vistos, como se pode ver pela reacção do Pedro Neves a que a Saci se refere. Chegou-se imediatamente à frente, sem necessidade de empurrões. Daí que atirar para cima da mesa uma insinuação de cunha seria injusto para ele. E repare, Saci, que eu usei 'seria' e não 'é'. Porquê? Porque sei que você está a brincar, evidentemente.


De Saci a 2 de Maio de 2008 às 21:06
Rui

Estava mesmo a brincar. E passo a explicar o contexto. Ontem no blog do Shark falavamos sobre as dificuldades que a malta que não tem blog do Sapo tem em comentar aqui e em seguir as respostas aos comentários. Ele respondeu que não tinhas cunhas no clã batráqio mas que a malta do Sapo é sempre atenta às nossas sugestões.
Relacionei esse facto com este texto e estes comentários e brinquei com a expressão "ter cunhas". Mas foi mesmo brincar porque de facto sou a primeira a saber que a malta do Sapo é muito competente e atenta.
Peço desculpa ao Rui e obviamente ao Pedro Neves.


De Rui Vasco Neto a 2 de Maio de 2008 às 23:59
tá-se bem, no harm intended or done.


De shark a 3 de Maio de 2008 às 17:14
Ah pois, Saci.
Eu é que sou o tubarão e tal, mas o peixe graúdo diz miau...


De João Pedro da Costa a 2 de Maio de 2008 às 20:48
O primito tem razão: teu blogue está lindíssimo. Parabéns.


De Rui Vasco Neto a 2 de Maio de 2008 às 23:58
joão,
um luxo a condizer com a tua vinda, diga-se. Bem bom que gostaste, aí está uma área onde te escuto com a atenção inteira, fala quem sabe.
A propósito, reparei na referência sub-entendida a umas tais 'tiras', no diálogo inter-primos, que não me escapou. Para quando, tens ideia?


Comentar post

Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
mais sobre mim
vidas passadas

Piu

Crónica do Brufen

Eu, pombinha.

Falando com o meu cão

Chove, eu sei, mas tenho ...

Maria da Solidariedade

Hum, daí o meu dói-dói...

Portugal sem acordo

Não fui eu que escrevi ma...

Um dos

Abençoados 94, Madiba!

Sôdade

Não vás as mar, Tòino... ...

Ofertas FNAC: pare, escut...

Reflexão de domingo, perg...

É preciso é calma, já se ...

Definição de sacrifício n...

A questão

E pronto, eis que descubr...

.......

Bom dia. Se bem me lembro...

O princípio do fim

E, de repente.

Um azar nunca vem só

Diz que é uma espécie de ...

Força na buzina!!

Bom dia. Hoje chove em Li...

Depois do homem que morde...

Bom dia. É hoje, é hoje!!...

Boga ou Beluga?

arquivos

Junho 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Janeiro 2011

Novembro 2010

Outubro 2010

Abril 2010

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Restaurantes para fumadores
Consulte aqui a lista de restaurantes onde os fumadores também têm direito à vida.
sete vidas mais uma: Daniel de Sá
Um Nobel na Maia
Lagoa
Ribeira Grande
Vila Franca do Campo
Do Nordeste à Povoação
Dias de Melo, escritor livre
E se a Igreja se calasse?
O outro lado das tragédias
O meu Brasil português
A menina amarga (II)
A menina amarga (I)
Pelas cinzas de uma bandeira
O caso da Escola do Magistério
Uma confissão desdobrável
O gato e o rato
Contra a Inquisição
D.Diogo
Uma carta de Fradique Mendes
Acróstico
Monotonia
Maia (II)
Maia
Um nome acima de todos os nomes
Um palhaço de Deus
A ópera em Portugal - Conclusão (VIII)
A ópera em Portugal - Um novo estilo, Alfredo Keil (VII)
A ópera em Portugal - O Teatro de S.Carlos (VI)
A ópera em Portugal - Os Intérpretes: Luísa Todi e os Irmãos Andrade (V)
A ópera em Portugal - Marcos Portugal: vida e obra (IV)
A ópera em Portugal - Primeiros tempos / o triunfo (III)
A ópera em Portugal - Introdução da ópera em Portugal (II)
A ópera em Portugal - As origens da ópera (I)
Dois sonetos à maneira de Natália Correia
Duas garrafas de Macieira
As esponjas das lágrimas
Lição de Português
500 000 soldados
Depois do portão da casa
Auto da Mazurca
Auto da Barca de Bruxelas
Malino
Romance da Bicha-Fera
A Casa
Tremor de terra, temor do céu.
Cântico da mãe escrava ao filho morto
Passos Perdidos
A Lenda dos Reis
Daniel de Sá
Um sítio chamado Aqui
O protesto do burrinho
Sete vidas mais uma: Soledade Martinho Costa
Poema renascido
Sete vidas mais uma: Pedro Bicudo
RTP, Açores
As vidas dos outros
subscrever feeds
Sete vidas, sete notas