Sábado, 3 de Maio de 2008
O milagreiro das pedras
Sábado, 03 Mai, 2008
Estou envergonhado. Sinto-me pequenino, encolhido, microscópico pelo embaraço. Sem me querer esticar na imagem literária, impõe-se que vos diga que aquilo que outrora exibia (em ocasiões seleccionadas, é certo) os parâmetros considerados normais para um vistoso saco escrotal de um macho na flor da idade, é hoje e agora, por força da trapalhice, o enrugado envólucro pendido de um par de tintins d'alfinete, dois pequenos pontinhos na grande cueca sideral, se é que me faço entender.
Imagino sem dificuldade, nestas ocasiões, as caras de parvo da marujada da Santa Maria e restantes no dia em que Cristobal fez lá o truquezito do ovo pela primeira vez, pondo-o de pé. Ao ovo, claro. Meus Deus, há coisas tão simples, não é? Metem-se pelos olhos dentro, depois de vistas. São tão evidentes que só falta puxarem a manga da nossa atenção, enquanto a gente jaz para ali, facies embrutecido pelo esforço, em busca da miranbolância quando a simplicidade bastaria para resolver de pronto o nosso problema. Ai, as figuras tristes que a gente faz, caramba, já desde os descobrimentos!
Pois estava eu para aqui maldizendo o sapo quando eis que o próprio me liga, atento. Disse duas ou três coisitas e assapou todo contente lá para a vida dele. Eu cá fiquei agradecido, olha se não, claro que fiquei. Tinha até dado um abraço ao bicho, mesmo verde, pois mal fiz o que ele disse para fazer o meu problema ficou resolvido, foi tiro e queda. Mas a verdade é que não deu tempo, ele foi-se aos saltos e eu vim para dentro a pensar nessa coisa dos milagres que a gente ouve dizer que acontecem. Olhei para o monitor e estava tudo certo, tudo resolvido em duas penadas. Tenho um sapo milagreiro, talvez. Ou então qualquer um pode andar sobre as águas, desde que haja alguém para ensinar o caminho das pedras.


publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Pedro a 3 de Maio de 2008 às 21:38
É uma questão de ficar a conhecer os cantos à casa, não é nada demais


De Rui Vasco Neto a 3 de Maio de 2008 às 22:45
pedro,
não quero pecar por excesso no protesto da minha gratidão e só por isso não repito aqui o que venho dizendo desde que esta nossa aventura começou: esta tua atenção e carinho por este projecto comum tem sido uma forte motivação para mim, neste processo, sempre chato, de adaptação a um sistema completamente novo e diferente do que eu conhecia.
por isso este post é-te inteiramente dedicado e mais que merecido, diga-se.
és tu o milagreiro das pedras. (se a alcunha pega estás bem lixado, mas isso é outra cumbersa...)


De jonasnuts a 4 de Maio de 2008 às 01:27
Milagreiro das pedras não me parece mal.

Está adoptado :)

Pedro: estás lixado, ou melhor; milagreiro das perdas, estás lixado :)


De Rui Vasco Neto a 6 de Maio de 2008 às 01:46
joão,
é dar-lhe, amiga, 'castigar o couro do gato', como se diz no Brasil.
e depois já ouvi alcunhas bem piores, não?



De rogério cunha vaz a 3 de Maio de 2008 às 22:27
meu caro:
desculpe que lhe diga mas o seu post está sen-sa-cio-nal!! Parabéns. Brilhantemente escrito, não há muita gente a escrever com tanto requinte e qualidade como você, vai-me desculpar que lhe diga.
Um grande abraço e continue sempre assim!

Rogério


De Rui Vasco Neto a 3 de Maio de 2008 às 22:35
rogério,
pois vai-me desculpar mas eu não vou desculpá-lo, como me pede (duas vezes). E vai compreender, de certeza, repare: se o desculpar agora, que me elogia, que margem de manobra resta ao meu perdão no dia em que o meu caro me mandar à merda?
lamento mas nada feito. não desculpo, não desculpo e não desculpo.
mas cumprimento-o e sou homem até para um amplexo, tórax contra tórax. desculpas é que nada, néstes, nestum. Nunca o perdoarei pelo que disse.
abraço

rvn


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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