Terça-feira, 6 de Maio de 2008
A ópera em Portugal - O Teatro de S.Carlos (VI)
Terça-feira, 06 Mai, 2008
Estamos perto do final desta publicação de 'A ópera em Portugal', um trabalho do escritor Daniel de Sá, a estrear aqui no 7vidas, embora já na sua gaveta há uns tempitos: «Escrevi isto há uns anos, porque o meu filho precisava de saber umas tretas sobre a ópera em Portugal, estava a fazer o curso de Música na ESE de Setúbal e, como não havia nada publicado ...», diz-me em recado privado. Muito desenrascado, este meu amigo. Pois eu cá faço votos que os netos sigam Física Quântica, só para ver se o avô perde as peneiras.

Em baixo: "A Ópera em Portugal - O Teatro de S.Carlos"
Sete vidas mais uma: Daniel de Sá
         

Parte I : As origens da ópera

Parte II : Introdução da ópera em Portugal

Parte III : Primeiros tempos / o triunfo

Parte IV : Marcos Portugal: vida e obra

Parte V:  Os Intérpretes
Parte VI : O Teatro de S.Carlos


Para satisfazer o gosto pela ópera, que atingia praticamente todas as camadas sociais, foram construídos vários teatros nas principais cidades do país. Para além dos já antes referidos, obra grandiosa foi, no início do reinado de D. José, a Ópera do Tejo, destinada a rivalizar com as maiores e melhores da Europa. No entanto, o terramoto de 1755 destruiria o monumental edifício pouco tempo depois da sua inauguração.


Também há notícias de no Brasil se terem construído alguns teatros durante o domínio português, como a Casa da Ópera do Padre Ventura e o Teatro de Manuel Luís (este destinado mais ao teatro declamado), ambos no Rio de Janeiro. Mas foi D. João VI quem, em 1810, mandou construir o Real Teatro de São João, ainda hoje uma das mais notáveis salas de espectáculos daquela cidade, que passou a chamar-se Teatro João Caetano, em homenagem a um actor brasileiro.


No entanto, na história da ópera em Portugal é o Teatro de São Carlos, em Lisboa, que se tem mantido sempre como a sua principal referência. Embora quase quatro décadas depois do terramoto, foi para suprir a falta da Ópera do Tejo que um grupo de capitalistas tomou a iniciativa da sua construção. O intendente da Polícia Pina Manique, que criara a Casa Pia como uma forma de recuperar jovens delinquentes, contava que alguns dos seus lucros fossem usados em favor daquela instituição, pelo que deu todo o apoio a tal iniciativa. Assim se explica a extraordinária rapidez com que as obras decorreram, de tal maneira que, tendo sido iniciadas em finais de 1792, sete meses depois o teatro era inaugurado com a ópera La Ballerina Amante, de Domenico Cimarosa.

Foi autor do projecto o arquitecto José da Costa e Silva, que seguiu os modelos do Scala e do São Carlos de Nápoles, tratando-se o nome de uma coincidência em relação ao mais famoso teatro napolitano, pois que lhe foi atribuído em honra de D. Carlota Joaquina de Bourbon, mulher do príncipe herdeiro (D. João VI).


Nesse mesmo teatro, passou D. Pedro IV momentos de grande dissabor, pois que, realizando-se nele uma gala em homenagem à vitória dos liberais, depois da convenção de Évora-Monte, em 1834, o ex-imperador do Brasil foi obrigado a abandonar a tribuna real sob uma chuva de impropérios e de pesadas moedas de bronze, as chamadas patacas. Pelo Teatro de São Carlos têm passado as melhores vozes da cena mundial, sendo considerado por muitos um ponto de referência em qualquer carreira lírica.

(Amanhã: "Parte VII -  Um novo estilo")



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Saci a 6 de Maio de 2008 às 14:21
Daniel

Deixe o Rui falar, esse malandro.

Se os netos seguirem Física Quântica, como agradecimento dos maravilhosos textos aqui publicados, eu envio-lhe os meus apontamentos da Faculdade. E faço Heisenberg, Schrödinger e o nosso velho amigo Bohr encarnar em mim e ainda sou capaz de lhes dar umas lições.

Rui, como vê melhor que um desenrascado, é um desenrascado com amigos igualmente desenrascados.

Beijos aos dois.


De Daniel de Sá a 7 de Maio de 2008 às 01:59
Saci, eu dixo-o falar, sim. O Rui poderia ter tentado outra coisa, por exemplo a explicação para o facto de a clara e a gema do ovo endurecerem com o calor e a manteiga derreter, mas optou pela teoria quântica. Só para o chatear, eu ainda lhe prego aqui uma dança de quarks que ele fica com a cabeça a arder. Mas deixemo-lo sonhar, porque não quero dar-lhe pesadelos.
Obrigado pela disponibilidade dos livros, mas cá me desenrascarei se o nosso amigo teimar em pôr-me à prova. É que uma das minhas paixões é precisamente a Física.
Um abraço.


De Saci a 8 de Maio de 2008 às 00:38
Daniel

Essa da clara do ovo e da manteiga assim sem pesquisa é dificil.

Se fosse uma pergunta num exame, eu iria engonhar e responder:

Obviamente que a clara e a manteiga têm comportamentos diferentes quando sujeitos a altas temperaturas porque sendo constistuidos maioritariamente por proteínas e lípidos, respectivamente, possuem ligações inter e intra-moleculares diferentes. Depois falaria falaria do que caracteriza cada ligação e esperava que o professor pelo esforço me desse uns pontinhos.

Mas na verdade, a resposta objectiva não sei.

Quanto à sua paixão pela Física, espero que seja mesmo a Quântica porque a Clássica, para mim é detestável.


De Rui Vasco Neto a 8 de Maio de 2008 às 00:21
Pffff.
Duplo pffff.


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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