Quinta-feira, 8 de Maio de 2008
A ópera em Portugal - Um novo estilo, Alfredo Keil (VII)
Quinta-feira, 08 Mai, 2008
No penúltimo capítulo deste trabalho, Daniel de Sá aborda o novo estilo que surge com o século XIX, bem como a figura de Alfredo Keil, o autor do hino nacional português. Mais duas achegas para este rol de informação pesquisada e coligida com o rigor a que este autor nos habituou, nesta publicação que amanhã conhece o seu termo.

Em baixo: "A Ópera em Portugal - Um novo estilo, Alfredo Keil"
Sete vidas mais uma: Daniel de Sá
         

Parte I : As origens da ópera

Parte II : Introdução da ópera em Portugal

Parte III : Primeiros tempos / o triunfo

Parte IV : Marcos Portugal: vida e obra

Parte V:  Os Intérpretes
Parte VI : O Teatro de S.Carlos
Parte VII : Um novo estilo, Alfredo Keil


Um novo estilo


É com Joaquim Casimiro Júnior (1808/1862) que a ópera portuguesa deixa de ter como modelo único o estilo italiano. Tendo estudado a expensas pessoais de D.João VI, entusiasmado com o seu talento depois de ter assistido no palácio da Bemposta a improvisações que fez no órgão, trata-se de um caso notável e raro de compositor, porquanto nunca saiu de Lisboa, onde nasceu e morreu. Mas conseguiu acompanhar a evolução do tempo, sendo ele mesmo um factor determinante na mudança de mentalidade nacional, ao criar um estilo pessoal em que é perceptível uma mistura de influências de Bellini, Rossini e Donizetti, quanto à linha melódica, mas com características pitorescas de Auber e Adam e o rigor harmónico de Meyerbeer. O êxito da sua carreira terá sido sem dúvida prejudicado pelo isolamento em que se manteve sempre na sua cidade natal. Legou uma enorme quantidade de partituras de música sacra e para teatro.

Augusto Machado (1845/1924), que Eça de Queirós retratou como o Cruzes em Os Maias, viria a acentuar esse distanciamento em relação à matriz italiana, vendo em Massenet uma espécie de guia artístico, mas contando um pouco como seus modelos também Gounod e Saint-Saëns. A propósito desta tendência não italianizante, disse dele Freitas Branco: “Parece ter considerado mais viável uma arte caracteristicamente portuguesa no domínio ligeiro.”

 

Alfredo Keil

 

O autor de A Portuguesa, um hino republicano que viria a ser proclamado como hino nacional, era um artista genial que, além de outros talentos, foi pintor de grande mérito. Nasceu em Lisboa em 3 de Julho de 1850 e estava destinado a uma carreira que o fez famoso não apenas em Portugal mas o projectou também no estrangeiro. Revelou as extraordinárias aptidões aos doze anos com Pensée Musicale.


Aos 17 anos fixou-se em Nuremberga, onde estudou desenho, na Academia dirigida por Kremling, e música com Kaulbach. De regresso a Portugal três anos depois, dedicou-se tanto à música como à pintura, recebendo, devido aos seus trabalhos como pintor, várias distinções (menção honrosa em Paris, medalha de ouro no Rio de Janeiro, condecoração com a Ordem de Carlos III, em Espanha, e com a Ordem de Cisto, em Portugal).


Estreou-se no Teatro da Trindade, em Lisboa, com a ópera cómica Susana, em 1883, à qual se seguiu (com outras composições pelo meio, como duas tocatas e um poema sinfónico) D. Branca, em 1888, cujo libreto foi extraído do poema de Almeida Garrett. Em 1893 foi cantada, no Teatro Régio de Turim, Irene, com tal êxito que o rei Humberto I o condecorou.


Mas a sua coroa de glória seria Serrana, estreada no Teatro de São Carlos em 13 de Março de 1899. Desta ópera se pode dizer que estamos finalmente perante uma obra inteiramente nacional, não apenas pela língua em que é cantada mas também por todas as suas outras características, caminho esse já começado a trilhar com D. Branca e Irene.

 

(Amanhã: "Parte VIII -  Conclusão, Bibliografia")


publicado por Rui Vasco Neto
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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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