Quinta-feira, 26 de Junho de 2008
Maia (II)
Quinta-feira, 26 Jun, 2008
Ontem iniciámos esta aventura, hoje seguimos o passeio por terras açorianas pela mão de Daniel de Sá, que assim marca a cadência da passada no embalo das palavras. Recorde-se que este autor é natural e um residente desta mesma Maia de que hoje nos fala, em prosa inspirada como sempre, repleta de sons, cheiros, letras vivas que nos levam de volta à ilha como se nunca tivèssemos de lá saído. «Sair da ilha é a pior maneira de ficar nela», diz-se em "Ilha Grande Fechada". Sábias palavras, digo eu. Dele, claro. 

 

Em baixo: "Maia  (II)"
Sete vidas mais uma: Daniel de Sá

 

A vila que o não foi
 
 
Disse Gaspar Frutuoso que este lugar, de “bem compassadas e começadas ruas de casas telhadas”, “muitas vezes procurou ser vila e para isso repetia, porque moraram e moram nele homens muito honrados; era necessário ter jurisdição por si, pelo muito trabalho que passavam e passam os seus moradores em atravessar a serra, indo às audiências a Vila Franca.”
 
Nesse tempo, o lugar da Maia (o termo “freguesia” ainda não tinha conotação administrativa) abrangia toda a zona da costa, desde a ponta onde foi fundada até aos Fenais da Ajuda – que então se chamavam Fenais da Maia – e, pelo interior, até às Furnas. E uma das provas de que cedo alcançou notoriedade terá sido o facto de que Pedro Roiz da Câmara, tio do quinto capitão, Rui Gonçalves da Câmara – de quem foi lugar-tenente e em nome de quem governou a Capitania durante os sete anos da sua ausência antes da subversão de Vila Franca do Campo –, ofereceu um pontifical de damasco rosado à matriz de Nossa Senhora da Estrela e outro à igreja do Divino Espírito Santo da Maia.
 
Mas, se o desenvolvimento social e o bom aspecto do pequeno burgo estavam a favor das pretensões da Maia, os desastres naturais foram-lhe inimigos. É que, em consequência do tremor de terra de 22 de Outubro de 1522, e à semelhança do que aconteceu em Vila Franca devido a chuvas recentes e à fragilidade do solo onde predominava a pedra-pomes, a derrocada de uns montes que lhe eram sobranceiros arrasou parte do lugar, soterrando casas, bens e pessoas. E, em 1563, as cinzas do vulcão do pico do Sapateiro, trazidas pelos ventos de sudoeste, destruíram todas as culturas, tornando a terra estéril por algum tempo.
 
Melhor sorte tivera a Maia no ano de 1630, quando rebentou o vulcão no vale das Furnas – o que fez secar uma pequena lagoa, hoje conhecida como Lagoa Seca –, de tal modo que serviu de refúgio a alguns dos eremitas que ali viviam, os quais, transportando o Santíssimo que salvaram do eremitério, aqui se acolheram, enquanto que um outro grupo, que levava consigo as imagens sagradas, foi parar ao Porto Formoso.
 
Há uma referência curiosa do Dr. Gaspar Frutuoso que nos ajuda a perceber o considerável desenvolvimento social da Maia já no século XVI. Tendo sido o jogo da péla (antepassado do ténis) praticado sobretudo pelas classes mais evoluídas, diz-se nas “Saudades da Terra” que “Um Brás Dias, da Ribeira Grande, foi o melhor jogador de péla que houve em todas as ilhas dos Açores, porque, jogando de ambas as mãos, tanto lhe dava jogar com uma como com outra; e, logo após ele, António Roiz e Fernão Martins, do lugar da Maia.

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar

Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
mais sobre mim
vidas passadas

Piu

Crónica do Brufen

Eu, pombinha.

Falando com o meu cão

Chove, eu sei, mas tenho ...

Maria da Solidariedade

Hum, daí o meu dói-dói...

Portugal sem acordo

Não fui eu que escrevi ma...

Um dos

Abençoados 94, Madiba!

Sôdade

Não vás as mar, Tòino... ...

Ofertas FNAC: pare, escut...

Reflexão de domingo, perg...

É preciso é calma, já se ...

Definição de sacrifício n...

A questão

E pronto, eis que descubr...

.......

Bom dia. Se bem me lembro...

O princípio do fim

E, de repente.

Um azar nunca vem só

Diz que é uma espécie de ...

Força na buzina!!

Bom dia. Hoje chove em Li...

Depois do homem que morde...

Bom dia. É hoje, é hoje!!...

Boga ou Beluga?

arquivos

Junho 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Janeiro 2011

Novembro 2010

Outubro 2010

Abril 2010

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Restaurantes para fumadores
Consulte aqui a lista de restaurantes onde os fumadores também têm direito à vida.
sete vidas mais uma: Daniel de Sá
Um Nobel na Maia
Lagoa
Ribeira Grande
Vila Franca do Campo
Do Nordeste à Povoação
Dias de Melo, escritor livre
E se a Igreja se calasse?
O outro lado das tragédias
O meu Brasil português
A menina amarga (II)
A menina amarga (I)
Pelas cinzas de uma bandeira
O caso da Escola do Magistério
Uma confissão desdobrável
O gato e o rato
Contra a Inquisição
D.Diogo
Uma carta de Fradique Mendes
Acróstico
Monotonia
Maia (II)
Maia
Um nome acima de todos os nomes
Um palhaço de Deus
A ópera em Portugal - Conclusão (VIII)
A ópera em Portugal - Um novo estilo, Alfredo Keil (VII)
A ópera em Portugal - O Teatro de S.Carlos (VI)
A ópera em Portugal - Os Intérpretes: Luísa Todi e os Irmãos Andrade (V)
A ópera em Portugal - Marcos Portugal: vida e obra (IV)
A ópera em Portugal - Primeiros tempos / o triunfo (III)
A ópera em Portugal - Introdução da ópera em Portugal (II)
A ópera em Portugal - As origens da ópera (I)
Dois sonetos à maneira de Natália Correia
Duas garrafas de Macieira
As esponjas das lágrimas
Lição de Português
500 000 soldados
Depois do portão da casa
Auto da Mazurca
Auto da Barca de Bruxelas
Malino
Romance da Bicha-Fera
A Casa
Tremor de terra, temor do céu.
Cântico da mãe escrava ao filho morto
Passos Perdidos
A Lenda dos Reis
Daniel de Sá
Um sítio chamado Aqui
O protesto do burrinho
Sete vidas mais uma: Soledade Martinho Costa
Poema renascido
Sete vidas mais uma: Pedro Bicudo
RTP, Açores
As vidas dos outros
subscrever feeds
Sete vidas, sete notas