Sábado, 28 de Junho de 2008
Irratêpê!!!
Sábado, 28 Jun, 2008

Numa jogada de finíssimo recorte estratégico, o Canal Um da RTP transmitiu esta noite o espectáculo comemorativo do 90º aniversário de Nelson Mandela, em Hyde Park, Londres. 46664 pessoas, diz a organização, em absoluto delírio com o desfile non-stop de grandes vedetas, inspiradas, que foram prestar homenagem a um dos grandes nomes da História mundial deste século misto, vinte/vinte e um. Uma noite de luxo, para qualquer programador.

 

São neste momento duas e pouco da manhã e 'Amy Winehouse vem fazer o grand finale', avisa o comentador de serviço, apesar da cantora ter acabado de sair de cena neste preciso instante e de estar anunciado ainda Bono Vox, entre muitos outros. Há um momento de expectativa e eis que entra em palco um nêgão enorme, de bigode. Não é Amy, aparentemente. Eu juro que já não acho estranho. É que tenho estado a ver a transmissão do espectáculo, quase desde o princípio. E, lamentavelmente, a ouvir uma das maiores colecções de disparates que o mundo alguma vez já ouviu na história das transmissões em directo, seja daquilo que for, futebol incluído (o que torna a coisa mesmo grave). A tradução simultânea do discurso de Mandela, por exemplo, (que o próprio não reconheceria se assistisse à RTP), ficará seguramente para a posteridade como um dos momentos altos do anedotário da radiotelevisão portuguesa, que esta noite bateu todos os recordes da asneira numa só transmissão televisiva.

 

Só para dar uma pequena ideia a quem não viu, a actuação de Amy Winehouse, que foi repetidamente anunciada como o grande momento da noite, foi preenchida na sua quase totalidade pela RTP com um lindíssimo intervalo publicitário (igual a uma série interminável de intervalos comerciais metidos 'a martelo' neste directo, no maior desrespeito pelo espectáculo em si, com promoções ao 'Dança Comigo' e ao 'Terminator', domingo à tarde...) que começou logo a seguir a 'Rehab' e só terminou quando Amy, ela própria, estava também a terminar a sua actuação. Fomos todos, no entanto, ainda a tempo de assistir à sua saída de palco, logo contrariada pelo tal aviso da sua eminente reentrada, adivinhada pelo comentador RTP. «E aí vem então Amy Winehouse para o grand finale desta noite» Foi quando chegou o tal nêgão de bigode, e depois dele o resto da transmissão, que ainda dura. Abençoada RTP. Que seria de Portugal, de todos nós, sem ela? Um enorme, imenso bocejo, por certo.

 



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Saci a 28 de Junho de 2008 às 03:09
Felizmente não cortaram a actuação dos Queen. Nem a coreografia das 46 mil pessoas. Sempre são mais de 90 mil mãos. ( isso disse o comentador, juro!)


De Rui Vasco Neto a 28 de Junho de 2008 às 03:44
saci,
mas onde é que eu já li isto???


De Ninguém a 28 de Junho de 2008 às 03:13
E porquê tanto espanto com essa Amy não sei o quê ? Só porque é uma desgraçadinha que nem corpo tem, muito menos voz ? devia era parar e ir se tratar. Vajamos os Queen que esses vale a pena, porra.


De Irra RVN a 28 de Junho de 2008 às 03:21
Já viu a grande finale ? afinal não estavam tão enganados assim.


De Rui Vasco Neto a 28 de Junho de 2008 às 03:42
Quase nada, de facto. Apenas quarenta minutos e uns quinze artistas... Minudências, desculpe-me.


De Alfredo Gago da Câmara a 28 de Junho de 2008 às 03:50
Por favor, senhores. Esta senhora (juro que nem sei o nome), até não deve ser má pessoa. Muito pior, de certo, serão os responsáveis da comunicação e imagem, que vendem cagalhões e deixam as morcelas, alheiras, chourições, linguiças e chouriços na prateleira... E a gente, coitadinhos, somos obrigados a comer merda. Ah...E quanto mais e se fala dela, mais ela cheira e se implasta nos nossos sapatos. Rui, limpa os pés na pocinha, já!!!


De escandalizadix a 29 de Junho de 2008 às 23:31
Alfredo, Alfredo, olha a esmerada educação que recebeste na Suíça! Chiça !


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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