Terça-feira, 1 de Julho de 2008
Histórias banais de um Deus misericordioso
Terça-feira, 01 Jul, 2008

Não é que eu não tente, sequer. As coisas não são bem assim, vejamos. Eu juro que faço um esforço danado para entender, que procuro mil e uma explicações razoáveis antes de me entregar a um desespero impotente, nesta ignorância que me aflige mais do que tudo o resto. Tem que ser assim porquê? Procuro, preciso, impõe-se uma razão. Pois se é certo que a razão é característica da condição humana, não é menos certo que ela é também o princípio ou fundamento que faz as coisas acontecerem como acontecem. Tem que haver uma razão, diz a gente, aparvalhada, sempre que não encontra uma e à beira de perder aquela que supostamente nos resta. Tem que haver uma razão.

 

Uma criança de dois anos e meio morreu asfixiada com um pedaço de salsicha que retirou do prato dos pais, domingo, à hora de jantar, num restaurante do Marco de Canaveses. O trágico incidente aconteceu pelas 19.30 horas, no restaurante Silva. Roberto Teixeira e Cristina Silva, ambos na casa dos 30 anos, residentes em S. Martinho de Recesinhos, Penafiel, e o filho, o pequeno Roberto Santiago, de dois anos e meio, foram jantar ao concelho vizinho do Marco de Canaveses. "Parece que o menino gostava muito de salsichas. O pai ainda chegou a dizer-lhe que a comida não era para ele, mas o bebé pegou num bocadinho de salsicha e meteu-a à boca", explicou, ao JN, Helena Silva, proprietária do restaurante, ainda incrédula com o sucedido. "Ao vermos o menino aflito, liguei para o 112, deram-nos instruções para o fazer tossir, mas quando cheguei cá fora o pai do bebé já tinha arrancado com ele para o Hospital", acrescentou. "Foram momentos dramáticos. Toda a gente se levantou das mesas para tentar ajudar, mas foi em vão". O médico de serviço nas urgências confirmaria o óbito, presumivelmente por asfixia.

O funeral do menino, filho único do jovem casal, realiza-se, hoje, às 9 horas.

 

Não é que eu não tente, sequer. As coisas não são bem assim, vejamos. Eu juro que faço um esforço danado para entender, que procuro mil e uma explicações razoáveis antes de me entregar a um desespero impotente, nesta ignorância que me aflige mais do que tudo o resto. Tem que ser assim porquê? Procuro, preciso, impõe-se uma razão. Pois se é certo que a razão é característica da condição humana, não é menos certo que ela é também o princípio ou fundamento que faz as coisas acontecerem como acontecem. Tem que haver uma razão, diz a gente, aparvalhada, sempre que não encontra uma e à beira de perder aquela que supostamente nos resta. Tem que haver uma razão. 

Alguém me diz onde está a razão desta história? Por favor?

 



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De sinhã a 1 de Julho de 2008 às 15:41
Não há razão: uma mudança, apenas, de temperatura. :-(


De Rui Vasco Neto a 1 de Julho de 2008 às 16:38
sinhã,
é certo.
é o que é.


De Anónimo a 1 de Julho de 2008 às 16:36
'A razão é um desvio...
A verdade é um acidente'


De Rui Vasco Neto a 1 de Julho de 2008 às 16:39
zénónimo,
há mil maneiras de ver, essa é uma delas. Das boas.


De Samuel a 1 de Julho de 2008 às 17:34
Não existe nenhum desígnio superior... ou se existe, falha, exactamente "à imagem e semelhança do homem".


De Rui Vasco Neto a 1 de Julho de 2008 às 19:26
sam,
quem organizou este festival não conhece a canção: «p'ra melhor está bem está bem, p'ra pior já basta assim».


De Lia a 1 de Julho de 2008 às 19:51
Se calhar há uma razão para este final trágico ou, se calhar, não há. A causa e a consequência anulam-se perante a evidência. E essa tem um nome que nos reduz à pequenês de nós mesmos. Alguém é capaz de me explicar porquê?


De Rui Vasco Neto a 1 de Julho de 2008 às 19:53
lia,
junte-se à fila dos que esperam respostas. Já as vi mais curtas...


De Lia a 1 de Julho de 2008 às 19:52
Se calhar há uma razão para este final trágico ou, se calhar, não há. A causa e a consequência anulam-se perante a evidência. E essa tem um nome que nos reduz à pequenz de nós mesmos. Alguém é capaz de me explicar porquê?


De Lia a 1 de Julho de 2008 às 19:55
Em vez de pequenez, escrevi "pequenês". Alguém é capaz de me encontrar uma razão?


De Rui Vasco Neto a 1 de Julho de 2008 às 20:45
lia,
julgo que não vale sequer a pena procurar enquanto não aparecer a Maddie. Afinal, há prioridades, compreenderá decerto.


De Saci a 6 de Julho de 2008 às 00:23
Há histórias que nem ao diabo lembra.


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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