Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008
D. Diogo
Sexta-feira, 01 Ago, 2008

Diz-se o meu amigo Daniel de Sá, num bilhetito singular, encantado com a descoberta que fez: «É um soneto de um autor do século XVIII, de que, por se lhe desconhecer o nome, eu assumo a responsabilidade.» Mais encantado diz ficar ainda se "isto te fizer pelo menos sorrir por dentro". Não faltou abracito, mais faltaria faltar, olha agora, homessa. Eu cá publiquei logo, nem a rogo, tanto fogo, a história de D.Diogo. 

 

Em baixo: "D.Diogo"

Sete vidas mais uma: Daniel de Sá

 

Vai Diogo vergado pela idade.
Não a sua, que está no meio cento,
E para andar conserva bom alento
Qual se gozasse ainda a mocidade.
 
Basto suor lhe põe forte humidade
Pingando desde a testa até ao mento,
Como se até o próprio pensamento
Tivesse do suar a propriedade.
 
Por razões que a Diogo assim consomem,
Igual consumição sempre há-de ter
Em igual condição um qualquer homem.
 
Que é a mulher com quem está casado,
E que em só vê-la se há grande prazer,
Que por ser moça o traz em tal cuidado.

 



publicado por Rui Vasco Neto
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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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