Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008
Na tartaruga a mudança
Sexta-feira, 08 Ago, 2008

Já aqui vos falei deste blog diferente, várias vezes. Chama-se Atlântico Expresso e é uma espécie de postal ilustrado de Cabo Verde, sempre actual e pintado com as cores reais do dia-a-dia daquele palop, nas crónicas epistolares que Fernando Peixeiro escreve da cidade da Praia com destino a António Martins Neves, também jornalista, que em Lisboa completa o par de autores deste blog. São prosas fascinantes, todas, poéticas algumas, sofridas muitas, hilariantes uma ou outra. No conjunto, geniais. São prosas como esta, publicada no dia 4 deste mês de Agosto e da qual retirei o pequeno excerto que se segue, verdadeiramente imperdível. E autêntico, enquanto documento político-social da actualidade cabo-verdiana. Ora vejam, por favor.

 

«(..)Há mais de 10 anos que é proibido matar tartarugas em Cabo Verde, mas também nesse tempo nunca ninguém foi impedido ou penalizado por o fazer. Só que agora as coisas estão a mudar e se o governo pouco fez é outro tipo de penalização que começa a nascer, como as ervinhas mal cai uma chuvada, a penalização social. E há três dias, num gesto que eu acho muito louvável, José Maria Neves pediu aos cabo-verdianos para que a partir de agora não comam “nem mais uma fatia de tartaruga”. Aproveitando a inauguração da primeira Feira Ambiental do país (coisa bonita também), o primeiro-ministro não fez ameaças, não falou de novas leis, não criticou ninguém. Pediu. “Um dos nossos desafios é o de que ninguém coma ou mate tartaruga a partir de agora. É um símbolo de Cabo Verde, da nossa beleza, da nossa grandeza. Cabo Verde deve ter um crescimento com forte sustentabilidade ambiental”. Dito isto o primeiro-ministro pediu ainda ao povo que dê as mãos nesta cruzada, que proteja as tartarugas e que condene na praça pública não só aqueles que matam mas também os que comem a carne.


Tinha de te falar disto porque parece-me a mim que é sinal de que alguma coisa está a mudar. Pelas associações, pelos programas na televisão, pelas prisões e pelo des
ejo bem expresso do governo de que é preciso proteger o ambiente (pelo menos desejo). As tartarugas mas também as praias, a gestão do lixo, o impacto ambiental, a apanha de areia… é certo que ainda se partem garrafas em qualquer lado, se deita lixo pelas janelas dos automóveis, se apanha areia na praia para construir casas. É certo que as praias ainda funcionam como casa de banho e que as acácias continuam desenfreadamente a parir sacos de plástico. Mas, caro amigo, tenho muita esperança em que as coisas estejam a mudar. E lá onde é preciso, na cabeça das pessoas.»

 

Já aqui vos tinha falado deste blog diferente, várias vezes. Chama-se Atlântico Expresso e é uma espécie de postal ilustrado de Cabo Verde, essa terra maravilhosa onde a mudança vai chegando aos poucos, muito, muito devagar. A passo de tartaruga.



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Samuel a 8 de Agosto de 2008 às 23:27
Todos avançamos para o progresso dando os passos que temos mais à mão... como não temos tartarugas, nós por cá, vamos a passo de caracol.

Obrigado pela dica do blog, Rui! Ora deixa lá ir ver...

Abraço


De Rui Vasco Neto a 9 de Agosto de 2008 às 02:20
sam,
não tem coisas fabulosas?


De Saci a 8 de Agosto de 2008 às 23:50
(bolas, chego sempre atrasada. também vinha fazer a chalaça do caracol e da tartaruga mas o samuel adiantou-se. e ainda bem porque eu não faria com tanta mestria.)


De Rui Vasco Neto a 9 de Agosto de 2008 às 02:21
para a próxima já sabe: asinha, asinha.


De Alfredo Gago da Câmara a 9 de Agosto de 2008 às 01:34
Só que cá comem-se caracois e tartarugas não. Ainda bem. Rui, lembras-te daqueles caracolinhos que petiscamos no pópulo?
Deixo aqui um pedido: se alguem tiver um bocadinho de casca de tartaruga, não a ponha fora. Agradecia encarecidamente que ma enviasse, pois é do melhor que há para fazer unhas para a guitarra portuguesa e tenho imensa dificuldade em arranjar isso.


De Rui Vasco Neto a 9 de Agosto de 2008 às 02:22
fredo,
se quiseres eu peço ao Peixeiro para pedir ao primeiro-ministro para pedir à população que não coma as tartarugas, que só as descasque.
serve assim?


De Alfredo Gago da Câmara a 9 de Agosto de 2008 às 02:38
Rui, sempre foste um exagerado! Coitadinhas, pode ser de alguma que tenha tido morte natural. Afinal elas vivem muitos anos, mas não duram sempre.


De fernando peixeiro a 11 de Agosto de 2008 às 16:37
Rui, não é preciso despir as tartarugas. Ainda no outro dia em Porto Mosquito, ilha de Santiago, miudos brincavam com uma carapaça. Enorme. O resto já se sabe. Infelizmente ainda se arranja suprimento de unhas para a vida inteira...


De Rui Vasco Neto a 11 de Agosto de 2008 às 22:39
fernando,
o melhor mesmo é mandar o guitarrista para Cabo verde, sempre fica perto das tartarugas... ele ia adorar e a terra também ia gostar dele, garanto.
aceita um abraço deste teu fã assumido
e não te atrevas a parar de escrever.


De Samuel a 9 de Agosto de 2008 às 03:03
O Alfredo Gago da Câmara, sem querer, fez-me lembrar do irrepetível Carlos Paredes que nos proporcionava nos bastidores ou durante as viagens, horas e horas de verdadeira partilha dos grandes mistérios da qualidade, macieza, ou (tragédia) da falta das célebres unhas para tocar a guitarra. Dei todas essas horas por muito bem passadas e quem me dera mais!

Abraço


De Rui Vasco Neto a 9 de Agosto de 2008 às 03:16
sam,
fiz ano e meio de espectáculos com o nosso Alfredo. Por pudor e respeito pelas crianças nem te vou dizer o que ele me 'proporcionava nos bastidores ou durante as viagens, horas e horas...'.
manda os putos para a cama que eu digo.
:-)))))


De Samuel a 9 de Agosto de 2008 às 12:37
E eu lá tenho idade para ter cachopos em casa?!
Aqui e além, uma neta...


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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