Domingo, 10 de Agosto de 2008
O gato e o rato
Domingo, 10 Ago, 2008

O meu amigo Daniel de Sá tem um passado, como toda a gente. E terá um futuro, longo e brilhante, por certo. E um dia, lá muito, muito para a frente, barrado às portas do Céu pelo serviço de estrangeiros e fronteiras, ele vai poder invocar a seu favor o facto de ter sido meu amigo (pode ser que ajude, mas duvido), ou as suas reconhecidas qualidades enquanto escritor e homem recto e bom durante a sua existência terrena. Mas vai ter problemas se um qualquer Nunes da ASAE lá do sítio souber do seu passado de político, deputado à Assembleia Regional dos Açores e militante partidário. Enfim, todos temos os nossos quês, essa é que é essa. É pois a esse passado aventuroso que ele vai hoje buscar o testemunho que se segue, presencial, de um momento que fez História assim, independentemente de como ficou para a História. «A verdade histórica é esta; o juízo de cada um fica à responsabilidade de cada qual», diz-me em recado privado. Tudo isto ainda nos ecos da comunicação de Cavaco e da bicada de Soares. As conversas são como as cerejas, é o que é.

 

Em baixo: "O gato e o rato"

Sete vidas mais uma: Daniel de Sá

 

 

Uma das coisas que me têm incomodado na relação dos Açores com Lisboa é esta espécie de jogo do gato e do rato, cujo último capítulo vai sendo o do Estatuto. Até que outro surja. E digo jogo do gato e do rato, porque umas vezes estas ilhas são apregoadas como umas coitadinhas cuja felicidade Lisboa quer destruir, outras vezes julgam-se tão importantes que imaginam que o País não pode viver sem elas e “tem de as pagar”.

 

Ora o problema dos Açores é que no porto de Angra há séculos que não ancoram os navios do comércio da Índia e das Índias; a Horta já não abastece de carvão as caldeiras dos transatlânticos nem serve de ponto de passagem das linhas do telégrafo; Ponta Delgada já não dá apoio aos transportes de tropas americanas a caminho da Europa; a era do jacto tornou o aeroporto de Santa Maria absolutamente dispensável para os voos longos; as Lajes podem ser substituídas por um porta-aviões, sem que as USAF sofram muito com isso.

 

Ora bem. A questão das bandeiras foi o acto de um drama num momento em que os Açores quiseram fazer de gato. E que hino e que bandeira são esses, de que o PSD ainda me acusa de não ter aceitado, bem como aos meus camaradas deputados regionais?

 

Resumo a história. Havia uma comissão de heráldica encarregada de estudar os símbolos da Região. Num certo dia, o Presidente do Governo Regional entrou de surpresa na sala do nosso grupo parlamentar. Trazia na mão uma cassete minúscula, com uma melodia qualquer tocada em piano pelo Teófilo Frazão. O que ele nos disse, mais palavra menos palavra, foi o seguinte: “Não sei onde acharam isto, mas é isto que vai ser aprovado amanhã como hino dos Açores.” E mostrou-nos o desenho de uma bandeira, semelhante à da FLA (Frente de Libertação dos Açores), fazendo notar que o milhafre, ou açor, não estava na posição correcta, mas que essa seria corrigida. Também era para aprovar. Quanto ao hino, não tinha letra ainda, haveria de ser feita mais tarde.

 

Deu-nos cinco minutos para apreciarmos ambos os símbolos. Do brasão, nem esboço nem sombra. O Emílio Porto, que até já recebeu uma comenda da Ordem do Infante a premiar os seus dotes musicais, tentou comigo descobrir o compasso daquela estranha melodia. Não conseguimos.

 

Ora, sem qualquer referência histórica ou outra a respeito do hino, sem uma explicação feita mais ou menos em termos de heráldica quanto à bandeira, entendemos que não havia condições para decidirmos em boa consciência. Mais ainda: a letra seria acrescentada mais tarde. Por isso avisámos de que não participaríamos numa sessão tão importante sem um mínimo de dados que nos permitissem votar com conhecimento de causa, até porque o assunto não estava agendado, e surgia à revelia do esperado parecer da comissão de heráldica.

 

Viemos depois a saber que aquela partitura tinha sido encontrada no espólio de uma banda filarmónica, e que a letra para que tinha sido composta era algo de quase absurdo. Ambas feitas durante a campanha política de que resultou a autonomia de 1895.

 

A letra acabaria por ser encomendada pelo Governo Regional à Natália Correia, que escreveu talvez o seu pior poema de sempre. Quer dizer que àquele hino aconteceu algo semelhante ao “Candles in the Wind”, que o Elton Johnn fez para a Marilyn Monroe e depois cantou para a Diana.

 



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Alfredo Gago da Câmara a 10 de Agosto de 2008 às 16:46
Quanto ás cenas passadas nos bastidores, não comento e nem me ocorre minimamente duvidar sequer um pouco, partindo de quem veio, presenciou e escreveu. Quanto à música, estou plenamente de acordo com o Daniel. Poderia ter sido bem melhor.
No que respeita à letra, não terá sido nada fácil "encaixa-la" num puzle que por si já é defeituoso, daí o facto de se notar alguma "desinspiração" na nossa grande Natália Correia.
O problema, depois de ter criado forma, ainda hoje continua o mesmo. Há políticos também são músicos, pintores, escultores, poetas, escritores, etc, etc... As suas vontades são ordens cumpridas por fiéis servidores. São senhores que dominam vários galhos da mesma àrvore.
Por exemplo: provavelmente ao invés de pedir a Tiófilo Frazão (que Deus o tenha) para tocar a partitura já escrita, lhe tivessem pedido para compor, a coisa ficaria de certo bem melhor.
Abraço, Daniel


De Saci a 10 de Agosto de 2008 às 18:40
Então mas pedirem-lhe que aprove uma coisa que está incompleta não equivale a pedirem que assine um cheque em branco?

Pois eu também não assinava.


De Açoreana a 10 de Agosto de 2008 às 19:03
Pois Saci, era assim, naquela altura, aqui pelas ilhas ... era o PPD de então, misturado com a FLA. Custa a acreditar ? Mas era ... Agora já não é !!!
E, já agora, qu é feito do seu blog ? Parou para reparações ?!?!!!


De Saci a 10 de Agosto de 2008 às 19:17
Blog? Que blog? Eu tenho um blog?
Bolas, eu tentar passar despercebida.
(O blog está de férias em parte incerta. Deixou cá alguma inspiração em folhas de Word.
É esperar pela vontade de partilhar :-))


De Militante PS "ex-activista" ... a 10 de Agosto de 2008 às 18:58
Meu Caro Professor,
Lembro-me perfeitamente dessa época. Vivi intensamente essa época. Era militante do P.S.. Por motivo que não quero, nem devo, aqui divulgar, sabia "muitíssimo" sobre a FLA. Atrevo-me até a pôr em dúvida se o João Bosco não teria sido rato mandado do José de Almeida nessa cena da bandeira e do hino ... (não estou a defendê-lo, mas sim a acusá-lo), o homem que depois chegou à Presidência da Assembleia da Républica !
Lembro-me que nessa altura o Governo Regional e a Autonomia, eram uma fantuchada e parece-me que agora, as coisas são tratadas com bastante mais seriedade e por pessoas (algumas) bem mais credívieis do que as daquela altura. Concordará comigo ? Porque é que não escreve mais sobre este tema ? A memória das pessoas é tão curta !!! E, a meu ver, não se poderá nunca comparar este comunicado do Cavaco, com o que o Soares na altura fez.


De Samuel a 11 de Agosto de 2008 às 00:43
Daniel

Sabendo nós do modo como se escreve, sobre o que se escreve e sobretudo o que não se escreve e sonega ostensivamente ao público, sabendo que o que ficar escrito nos arquivos destes jornais que temos é que será a fonte para se "conhecer" a História deste tempo, temo, se tiver a ousadia de viver mais 30 anos, que passarei por velho mentiroso ou pelo menos "delirante", em qualquer conversa com gente jovem, em que se fale destas histórias.
Por isso faz tanta falta gente que escreva sobre factos e histórias vividas, em livros, blogues, o diabo a sete...
Se por um golpe de sorte, isso for feito por gente que escreva como tu, então isso quererá dizer que para felicidade dos futuros interessados, o estudo da História será para além de (in)formativo, um grande divertimento.

Abraço


De Daniel de Sá a 11 de Agosto de 2008 às 01:09
Meus amigos
Agradeço os comentários, e concordo com o que neles se diz, inclusive com as observações do Alfredo quanto à dificuldade de pôr letra naquilo e ao facto de o Teófilo Frazão ser capaz de fazer melhor. Foi realmente um cheque em branco, mas era assim...
Quanto ao Samuel, tens toda a razão em alvitrar que se devem escrever essas memórias obscuras. O problema é que aqui todos nos conhecemos, e há sempre aquele receio de magoar alguém. Por outro lado, deixar que a História seja escrita pelos que a não viveram, sem poder haver a confirmação de fontes contemporâneas, como aqui se leu, é outro risco que decerto não compensa o desvirtuar da verdade. E se eu te falasse (talvez venha mesmo a falar) da rocambolesca fantochada com que o PPD tentou, e conseguiu, esvaziar a Escola do Magistério de um dos seus melhores corpos docentes de sempre, aí é que te chamariam mentiroso se repetisses a outros essa história.


De Rui Vasco Neto a 11 de Agosto de 2008 às 01:14
daniel,
qual é a história, mesmo, conta lá outra vez que eu não estava com atenção...?!?


De Daniel de Sá a 11 de Agosto de 2008 às 01:26
É compridinha, meu Caro. Tão comprida que transforma nas diferentes posições do acto sexual os nove estados de dsensolvimento do feto, nos nove meses de gestação. Vê lá como tudo começou e como foi longo acabar. E acredita que isto não é piada, é realidade mesmo. Eu fui parte do processo, porque fui o único que tomou posição num jornal contra tais baboseiras. Além disso, estava na Junta Regional como secretáro da Comunicação Social e Desporto, e a coisa passou-me toda pelas mãos. A história é tão incrível que, quando eu a contar, arrolo logo uma série de testemunhas, a começar pelo impoluto Tomaz Vieira, um dos perigosos subversivos que era preciso sanear.


De Samuel a 11 de Agosto de 2008 às 01:45
A coisa promete! :)


De Rui Vasco Neto a 11 de Agosto de 2008 às 02:26
(a coisa demora...)


De Alfredo Gago da Câmara a 11 de Agosto de 2008 às 03:02
Daniel, dá corda na caneta!!!


De João Pacheco de Melo a 11 de Agosto de 2008 às 23:26
Pelo Dr. José de Almeida ponho as minhas mãos no lume como ele nada teve a ver com a bandeira que tem as estrelas por cima do milhafre, e o escudo português no canto superior esquerdo.


De Daniel de Sá a 12 de Agosto de 2008 às 02:11
Ora via, João! Claro que o José de Almeida nada teve que ver com essa bandeira. Aliás, o PPD apressou-se a fazê-la aprovar para que a outra versão do milhafre e das estrelas deixasse de fazer sentido.


De Pachorrenta a 12 de Agosto de 2008 às 02:17
Tá a ver, Daniel de Sá ?? Estará este senhor a brincar ou a confusão já é tanta, que é mesmo preciso contar a história, hein, hein ??? Vá lá ........... (as memórias são tão curtas !!)


De Pachorrenta a 12 de Agosto de 2008 às 02:14
Ora boa, tá bom, tá !!! Claro que não ... essa que descreve é a da Autonomia e não a da FLA do José de Almeida !!! Ainda bem, pra não queimar as mãos ...


De Daniel de Sá a 12 de Agosto de 2008 às 03:12
Pachorrenta
Percebo a insinuação, e essa é uma história para contar também. O jornal "Açores" inventou fabulosamente os autores da queima de uma bandeira da FLA, que aconteceu aqui na Maia. E digo que inventou os autores, porque disse que tinham sido o Francisco de Sousa e eu. A única verdade do malfadado artigo, que me custou complicações graves, e ao Francisco, foi que de facto a banderia foi queimada. Um dos autores da incineração foi-se apresentar ao jornal, e foi-lhe negada a possibilidade do desmentido. Quando tiver paciência, também hei-de contar essa em pormenor. Aliás, o "Diário dos Açores", através do Carlos Tomé, entrevistou várias pessoas da Maia, incluindo simpatizantes da FLA, que puderam confirmar o não comprometimento meu e do Francisco. Por ironia do destino, a única intervenção que eu tive foi precisamente para dizer que não queimassem a bandeira. Não por respeito à FLA, confesso, mas porque, para mim, o acto de queimar uma banderia só teve significado histórico com a do nazismo.


De Pachorrenta a 12 de Agosto de 2008 às 03:32
O Açores e o Açoriano Oriental, fartavam-se de inventar, lembro-me bem. Estamos todos pr'aqui, meio a sério, meio a brincar, mas quando penso no que se passou nesta abençoada terra, naqueles anos, ainda fico com pele de galinha ... Não só aí na Maia, por todo o lado, como os Vampiros do Zeca Afonso ... Muito fortes fomos nós todos, você, o Francisco, e tantos outros (até eu, que agora é que tenho este nome !!!). Abraços pra vocês


De Opsiquiatra de serviço a 12 de Agosto de 2008 às 11:06
Não deixa de ser curioso que Daniel Sá refira (e com o amém generalizado de correlegionários e detratores de regime, os característicos "contras") que todos os que lhe eram ou são caros sejam impolutos e quem estava do lado do Dr. João Bosco (esmagadora maioria democraticamente eleita e aclamada pelo povo açoriano) sejam os farsolas e sacanas dos apoiantes do sheriff de nottingham .Ademais o Daniel de Sá tinha um cargo de secretário regional, o que é admirável numa conjutura política em que o grupo onde se inseria era politicamente residual e popularmente mal visto! Basta reflectir sobre o clima de sectarismo, de confrontação e até de perseguição política que semeou na Maia. Mas essa é uma história para o Daniel contar.
É pena que o síndroma do paternalismo pátrio, tão exacerbado e exaltado pelo Mário Soares, tenha cá, nos Açores, também os seus discípulos. Só falta Daniel de Sá dizer que o PS foi o partido fundador da autonomia. Deixemos a história para frieza científica dos historiadores e anedotas conte-as quem quizer .


De Daniel de Sá a 12 de Agosto de 2008 às 17:33
Pois é, seu psiquiatra de serviço, a memória é curta. Eu já não me lembrava de que fui eu quem incendiou a sede do PCP e a casa do Jaime Gama em Ponta Delgada, vários automóveis, nem tão-pouco que fui eu quem pôs bombas aqui e acolá, que preparei uma "invasão" da Maia com cerca de cinquenta viaturas ( e que a PSP me convenceu a não o fazer), que dei quatro sovas no meu amigo Paulo Lima, e várias em outros, que entrei de faca na mão no quarto do também meu amigo Padre Dr. Manuel António Pimentel, em Angra, e que o expulsei de lá mais os Padres Avelino e António Manuel Moniz, que fiz duas ameaças de bomba ao "Correio dos Açores" e suspendi catorze assinaturas como protesto contra um artigo que eu mesmo escrevera, enfim, essa série de actos de heroísmo que a gente sabe, incluindo a expulsão do Mário Fraião do Faial. E ponha-se aqui um etc. de longo alcance. Quanto a você, terá promovido duas manifestações na Maia contra esse estado caótico das coisas. E nada mais.


De Pachorrenta a 13 de Agosto de 2008 às 01:30
Pois, seu psiquiatra : foi também o Daniel e os da sua "laia", que andaram a perseguir todos os elementos de uma esquerda "horrorosa" que havia aqui, correram com o João Coelho do então Emissor Regional, queimaram carros de oficiais do " exército ocupador", como o então Major Salgado, bateram em Mães, ameaçando perseguir-lhes os filhos, amolgaram automóveis (o meu por exemplo) em caravanas do PS, puseram bombas no Coliseu Micaelense, durante um Comício do PS, etc.etc,etc. E mais, eu sei muito, tinham até gangs de energúmenos formados nos EUA para andarem por aí às turras. E mais, eu sei muito, repito, reuniam-se todos (incluindo o João Bosco) numa Empresa de Ponta Delgada, para delinearem os seus planos de ataque, mas, coitadinhos acabaram todos presos no 6 de Junho, vítimas da tal esquerda vil que por aqui andava e do Comandante das Forças Armadas. Alguém tinha de pôr ordem neste caos, era quase a guerra civil ... psiquiatras de serviço nessa altura tinham feito falta, sim, mas para oa vigaristas da FLA, principalmente quando, depois da prisão - (na ilha Terceira, coitados, nem ao Tarrafal tiveram direito !) - dizia eu, depois da prisão, voltaram todos tão magritos, maltratados e doentes ... E olhe que eu sei muito, não minto, sei mesmo muito ! Claro que tambem foram os de esquerda, que corremos com o Dr. Borges Coutinho de Governador Civil, porque era comunista, mas tinha sido nomeado para este cargo a seguir ao 25 de Abril, porque era originário daqui e casado com uma Micaelense, tinha casa cá, filhos cá, mas era comunista e foi corrido do Governo Civil. Assisti pessoalmente a esta cena e à do João Coelho no Emissor Regional e, digo-lhe caro psiquiatra, os loucos eram os da direita da FLA, rodeados dos tais energúmenos perigosos, pagos para estes servicinhos mais porcos. São casos de que me lembrei agora, no seguimento dos enumerados pelo Daniel de Sá. Mas, com calma, talvez me vá lembrando de mais. Ai, pois, houve até uma família, coitadinhos, da tal Empresa onde havia as reuniões "clandestinas" da FLA, que esteve no exílio !!!! Nas Canárias !!!! Pai, Mãe, filha e genro e, se não me falha a memória, os netinhos também !!! Nas Canárias !!!! Coitados !!! Pra não serem apanhados ... Dinheirinho, então o nosso querido Escudo, mandado para Bancos nos EUA, não fossem os comunas pegar-lhe (belos Açorianos, estes, a tirar o dinheirinho daqui...). Claro, depois aparece o tal João Bosco com o seu PPD a apaziguar os ânimos, mas de braço dado com eles, os Vampiros, que eu vi, eu sei muito, eu sei que ele estava nas tais reuniões !!!
Ai, Céus, que nervos que isto me dá ... e andam estes gajos convencidos que são heróis !!! Boa noite, talvez, vou ver se durmo pra não falar mais, mas lembrem-se, quem quer que vocês sejam, psiquiaatras ou outros quaisquer que apareçam, que há gente viva que se lembra de tudo e que sabe tudo. Eu, na altura tinha vinte e poucos anos e tenho boa memória ! E estou viva. Mas pachorrenta, porque às vezes, não há pachorra mesmo ...


De Daniel de Sá a 13 de Agosto de 2008 às 02:31
Ó Pachorrenta, às vezes é mesmo preciso ter muita pachorra. E nesse tempo então!
Eu estava nesse comício do Mário Soares, no Coliseu. Não foi propriamente uma bomba, embora tenha parecido. Foram explosivos postos no poste de elctricidade que fornecia o Coliseu, e que era mesmo por detrás da parede do lado do palco o que fez com que a luz se apagasse. Por incrível que pareça, foi o próprio autor da "proeza" que mo contou uns temos depois.
Posso confirmar tudo o que dizes, porque eu, por acaso, também sei muitas coisas desse tempo. Pois se até esive na sede do PS na reunião com o Frank Carlucci em que um dos temas abordados foi a questão dos independentistas!


De Alfredo Gago da Câmara a 12 de Agosto de 2008 às 19:54
Que idade tem, senhor psiquiatra? Se for velhinho, com todo o respeito, o melhor é consultar um colega seu, pois deve estar a ficar xéxé. Se for novino, a culpa poderá ser minha e dos da minha geração, porque permitimos que a história fosse contada pela "frieza científica" dos historiadores e não pela vergonhosa veracidade dos factos. Se presenciou e viveu estes maus momentos da história açoriana, então sim, voçê é brilhante como contador das tais anedotas que referenciou.
Cumprimentos


De Saci a 12 de Agosto de 2008 às 21:10
Alfredo

novino é um bovino novo?


De Alfredo Gago da Câmara a 12 de Agosto de 2008 às 21:22
Saci
Poderia ser, mas não é. A palavra novino ficou mal escrita. Faltou-lhe um "H" de homem, o que no caso até faz sentido e explica a própria palavra. (eh.eh.eh...)


De Daniel de Sá a 13 de Agosto de 2008 às 00:59
Boa saída, Alfredo! E eu que começava a pensar que estavas a ficar como aquelas velhinas que, só por ouvirem um palavrão, iam logo confessar-se.


De Carlos Melo a 13 de Agosto de 2008 às 12:28
Foi pena a FLA não vos ter limpado o sebo a todos. No fundo que que voçês são é uma cambada de ex-seminas frustados.


De Daniel de Sá a 13 de Agosto de 2008 às 14:37
Talvez não tivesse sido boa ideia. Ficariam poucos para manter estas ilhas a funcionar.


De Saci a 13 de Agosto de 2008 às 17:51
Também foi pena o tal FLA não ter ensinado a voCês a regra dos "C" cedilhados.


De Saci a 13 de Agosto de 2008 às 17:54
Daniel

Não sei porque vim parar abaixo de si mas obviamente que a resposta não era para si.

Olhe, a si deixo-lhe flores que porra é uma palavra feia para uma senhora.


De Pachorrenta a 13 de Agosto de 2008 às 18:25
Caríssima Saci : FLA é feminino = Frente de Libertação dos Açores ... LOLOLOLOL


De Saci a 13 de Agosto de 2008 às 18:27
:-)))


De Pachorrenta a 13 de Agosto de 2008 às 18:21
Ó Carlos Melo, ainda bem que não lhe limparam o sebo a si .... assim, tudo o que se disse fica confirmado pelas suas palavras ...


De Anónimo a 13 de Agosto de 2008 às 18:49
Oiça lá, seu quadrupedo. A sua mãezinha é que lhe devia ter lavado o sebo que o impregnou, desde o dia em que supostamente voçê deveria ter sido um aborto. Voçê está a falar de conterrâneos seus, de tal forma bruta que a sua índole de homem ainda se encontra muitos furos abaixo de um verme. Qualquer macaco, por mais estúpido que seja, verá facilmente que a palavra frustração e uma grande dose de estupidez é que fazem parte do seu ego e sentirá vontade de cuspir-lhe em cima. Eu cá por mim apenas o mando à merda, com respeito e dó do próprio escremento que fizer o favor de o acolher.


De João Pacheco de Melo a 13 de Agosto de 2008 às 18:49
Olá Viva.
Boa tarde.

Quando, por contraponto a: “João Bosco não teria sido rato mandado do José de Almeida nessa cena da bandeira e do hino” (ex-militante), aceitei colocar as mãos no lume pelo Dr. José de Almeida, sabia que as não queimava.
Embora fosse dispensável, por se tratar de quem é, e da indiscutível credibilidade que lhe reconheço (não só sobre este tema), não posso deixar de agradecer a Daniel de Sá a pronta e clarificadora intervenção que logo a seguir teve. É que, nestas coisas, com paixões ainda muito fortes – embora aparentemente adormecidas -, o mais normal são os equívocos, o que facilmente se comprova pelos dois outros comentários seguintes (Pachorrenta; 02:14, 02:17).

Já agora…
em abono da verdade, com um pouco mais de pachorra e recuando no tempo, julgo importante aqui deixar estes dois registos:

1 – Ainda antes de acontecer o que é descrito, com bastante ligeireza diga-se (o próprio Daniel de Sá até já corrigiu alguma), no comentário (De Pachorrenta a 13 de Agosto de 2008 às 01:30), aconteceram outros episódios de violência e vandalização, entre os quais (só para não me tornar ainda mais exaustivo) o assalto à sede do MAPA. O interessante da questão é que, parte dos operacionais destes desacatos foram os alguns dos “tais energúmenos perigosos, pagos para estes servicinhos”, só que na ocasião, estavam, também, a soldo do PS. (eu vi, estava lá).
Tal como vi (estava lá e senti no pelo), e foi alguém do PS que também lá estava – alguém que ainda é do PS, está vivo, bem vivo, e tal como eu, recorda-se perfeitamente do ocorrido – quem evitou que a cena pudesse ter consequências muito graves para a minha integridade física, contactando directamente o então “capataz dos energúmenos” (que também ainda anda por aí) dizendo-lhe para não me baterem por que eu era – e sou! -, seu amigo. O “meu crime” foi estar, ali, numa sessão de esclarecimento do CDS – eu ainda nem tinha 20 anos, e o meu curso intensivo de política passava por assistir a todas as “sessões de esclarecimento” que podia, independentemente que quem as fazia. Tanto ia às do CDS como ia também às do POUS e Cª Lda. Esta curiosidade foi a mesma que, dois ou três anos antes, ainda no “tempo da velha senhora”, depois de munido do respectivo convite (entregue clandestinamente), me havia conduzido a um primeiro andar da Rua de São João, por cima da “Copa”, para uma sessão de esclarecimento da CDE, e um pouco antes ou depois (de memória a coisa já não vai), também, ao celebre jantar no Restaurante Sagres (ainda em abono da verdade, devo dizer que não entrei; quando lá cheguei já a confusão estava instalada).
Bom. Fiquemos por aqui, que isso de remexer memórias é como comer cerejas.

2 – Também estava no Coliseu no célebre comício com Mário Soares. Independentemente dos muitos “heróis” que depois se perfilam, juro que – e sobre estes assuntos julgo ter informação privilegiada – ainda estou por saber se aquilo foi mesmo um petardo ou apenas um curto circuito provocado por um arame com contrapesos em cada uma das pontas, atirado para os fios que saíam do tal posto de transformação.
Facto é que a minha memória regista mais claramente o intenso cheiro a “peidos engarrafados” que na altura estava no geral, assim como o inesperado apagão, que gerou enorme pânico, do que propriamente o característico barulho dos petardos muito em voga.

Permitam-me um desabafo final; triste é assistir ao flutuar “das rolhas”. Algumas vieram de Portugal para cá ao serviço da contra revolução, comeram na manjedoura de tudo o que foi poder (PS inclusive, e estou convencido que se o PC também chegar ao poder, eles também se serviam), e estão aí para as voltas. Espertos!


De Alfredo Gago da Câmara a 13 de Agosto de 2008 às 19:18
Caro João Pacheco de Melo
O seu comentário foi um exemplo cívico de como se devem tratar as coisas. Mesmo as partes e as visões diferentes dos acontecimentos, quando expostas desta forma, se gerarem discordância serão, de certo, compreendidas por gente de bem, que é o que voçê aqui demonstrou ser. Tenho pena de ver ainda hoje opiniões impregnadas de ódio, como foi o caso do comentário acima de Carlos Melo que a meu ver, não me merece qualquer resposta.
Cumprimentos


De Daniel de Sá a 16 de Agosto de 2008 às 10:34
João
Só agora dei por este comentário. Confirmo, obviamente, o que a memória não atraicçoou na reordação destes factos. Mas, quanto ao corte de energia no Coliseu, foi mesmo (se não me falha agora a mim a memória) uma carga de explosivos que destruiu os fios. Pelo menos é esta ideia que tenho do que me contou o autor do boicote. Suponho que até saberás quem foi ele. Sou seu amigo há muitos anos.
"Heróis"? Isso é como depois da contagem dos votos. Há sempre mais votantes no partido vencedor do que o número que as urnas confessam...


De O Psiquiatra de serviço a 16 de Agosto de 2008 às 12:10
Tal como na política, quem se mete com a poderosa escola do elogio mútuo da litreiratura do basalto, do peido e da gaivota leva. O coro está bem e recomenda-se, mesmo quando algum banbino, sob o originalíssmo pseudónimo de Anónimo escreve esta pérola bilial, digna de um qualquer nobel bolchevique:

"Oiça lá, seu quadrupedo. A sua mãezinha é que lhe devia ter lavado o sebo que o impregnou, desde o dia em que supostamente voçê deveria ter sido um aborto. Voçê está a falar de conterrâneos seus, de tal forma bruta que a sua índole de homem ainda se encontra muitos furos abaixo de um verme. Qualquer macaco, por mais estúpido que seja, verá facilmente que a palavra frustração e uma grande dose de estupidez é que fazem parte do seu ego e sentirá vontade de cuspir-lhe em cima. Eu cá por mim apenas o mando à merda, com respeito e dó do próprio escremento que fizer o favor de o acolher."

Um verdadeiro "exemplo cívico de como se devem tratar as coisas".

Julgava-o mais bem acompanhado, meu caro Daniel..





De Anónimo a 16 de Agosto de 2008 às 23:36
Senhor psiquiatra
Acredite ou não, mas sou incapaz de fazer mal a alguém. O texto que o senhor fez o favor de escrever de novo, foi uma resposta à "pérola bilial" de Carlos Melo, este sim, impregnado de ódio, que o senhor fez o favor de não escrever antes do meu, naturalmente por distração. Não sendo assim, o caso é bem mais grave, pois irá dar a impressão de que o senhor concorda que as vitimas de bolchevique é que deveriam receber o prémio nobel de má conduta.
O senhor psiquiatra naturalmente sabe que é nas guerras que as pessoas "limpam o sebo" uns aos outros, não sabe? Acha que nesta pequena e bonita terra açoriana isto deveria ter acontecido?
Não lhe ocorreu, ou não percebeu, que a minha intervenção apenas se referenciava à má índole e ao mau carácter de quem (em minoria) desejava a morte de conterrâneos seus?
Não acha que se os grandes ditadores da história mundial, responsáveis de chacinas e genocídeos, tivessem o "sebo lavado" (alma lavada, percebeu agora o que eu disse?) ou, pura e simplesmente, tivessem sido um aborto, o mundo teria sido muito mais feliz?
Finalmente, queria só dizer-lhe que apenas conheço Daniel da Sá por ter lido algumas coisas que publicou, mas quero assegurar-lhe que: comigo ele estaria muito mais bem acompanhado do que com alguém que lhe apelida de semina e acha que lhe deveriam ter "limpado o sebo".
cumprimentos


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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