Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008
Uma confissão desdobrável
Segunda-feira, 11 Ago, 2008

Por aqui segue a conversa sobre os Açores, hinos e bandeiras, Cavaco e Soares, comunicações do Presidente, bicadas no Presidente, enfim, é Agosto. Desses pequenos nadas para os pormenores sumarentos e por contar dos bastidores da política açoriana no agitado final da década de setenta do século passado, foi um pulinho. O meu amigo Daniel de Sá faz as honras da conversa, ele é que é desse tempo, não sendo velho já é antigo. É ele a dar, nada na manga, o trunfo é contar com verdade o que a memória guardou. Os parceiros aguardam, o povo é sereno. Parece querer puxar a Escola do Magistério, mas salta-lhe de repente uma confissão feminina com muitos pecados e pouca roupa. Os parceiros estão atónitos, eu próprio estou que nem posso. Ele, impávido, nem pestaneja. Cá para mim é certo: o homem tem jogo. 

Em baixo: "Uma confissão desdobrável"

Sete vidas mais uma: Daniel de Sá

 

 

A história da questão da Escola do Magistério, acontecida no ano de 1976, é algo entre o absurdo e o solenemente irritante. Sendo assunto fastidioso, embora cheio de interesse como análise psicológica de uma época estranha, terei de arranjar uma boa dose de paciência e de tempo para alinhavar as linhas essenciais. No entanto, avanço com um episódio marginal, tão divertido quanto estúpido, que servirá de aperitivo.

 

A certa altura da discussão de razões, o ponta-de-lança dos interesses do PPD (ele escrevia no “Açores”, e eu no “Correio dos Açores”) acusou-me de enviar de Espanha pornografia para o padre Agostinho Tavares, actual reitor do Santuário da Esperança. Foi o momento de maior imaginação do homem, que teve outros também notáveis. Eu estive em Espanha a estudar Filosofia e Teologia em Valência e Granada, e o padre Agostinho é um velho amigo, que nasceu na rua onde eu nasci e cuja casa fica a uns vinte metros da minha. A única carta que lhe mandei na vida foi há um par de anos, a acompanhar um artigo que ele me pediu para o boletim inter-paroquial de Ponta Delgada. Contra uma acusação daquelas nada mais se pode do que soltar uma boa gargalhada. Foi o que fiz, e faço ainda de vez em quando ao recordar o episódio com  Monsenhor Agostinho ou com o Tomaz Vieira.

 

A imaginação, porém, ia muito mais longe, o que depois vim a saber. Ele explicou na escola onde trabalhava em que consistia o material pornográfico que eu teria enviado ao meu amigo sacerdote. Um colega que ouviu a narração contou-me. Vejam lá se não tive razão para mais uma gargalhada das boas. (E, Deus me perdoe, alguma pena também de não conhecer tão notável impresso.) Tratar-se-ia de um desdobrável sobre a confissão de uma rapariga. Por cada pecado que ela dizia ao confessor, tirava uma peça de roupa, acabando por confessar-se toda.



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Saci a 11 de Agosto de 2008 às 18:17
Nem nos dias mais frios de inverno eu teria roupa que chegasse.


De Rui Vasco Neto a 11 de Agosto de 2008 às 21:47
sacilinda,
tssss tssss tssss.... pois olhe que a este seu amigo um bikini não só chega como ainda não sei o que fazer a uma das partes (em princípio a de cima, que eu não faço downless. De resto tinha-lhe dito há poucos dias: o céu não é uma hipótese para si, cheira-me...
:-))


De Saci a 11 de Agosto de 2008 às 21:58
Rui

Urge a pergunta: para além da Floribela A.M.*, quantas pessoas é que acha que têm lugar garantido no céu?

Até aqui ainda apostava no nosso amigo Daniel de Sá mas depois destas revelações, não sei não.....

*Floribela A.M. é a piquena antes das mamas.


De Samuel a 11 de Agosto de 2008 às 19:06
Daniel

Assim à primeira vista, seria de pecar bué (ainda me custa a habituar à ideia de que isto é realmente uma palavra) durante o Inverno e arredores e confessar-se apenas em Agosto... mas em grande.
Ah... e já que o assunto veio à baila, agora já não tenho problemas em te dizer que aquela minha encomenda de "Playboys" e do vibrador (para massagem facial, obviamente) nunca chegou. Passados mais de trinta e dois anos, não vale a pena ficares a pensar nisso. Se calhar extraviou-se, sei lá...

Abraço


De Rui Vasco Neto a 11 de Agosto de 2008 às 19:15
Eu cá não sou de intrigas, mas já ouvi dizer que o nosso Daniel acha 'uma mulher muito interessante' a nossa Primeira Maria... as pessoas mesmo dizem e tudo....


De Rui Vasco Neto a 11 de Agosto de 2008 às 19:15
(eu acho o pormenor das aspas uma delícia...)


De Alfredo Gago da Câmara a 11 de Agosto de 2008 às 21:41
Daniel, já pensaste que o ponta de lança poderá ter marcado este golo, porque, ás tantas, alguém, despeitado, do banco de suplentes, entrou no jogo a convite do treinador (que também era o ponta de lança), e lhe passou esta bola para que ele a pudesse jogar rasteira?


De Rui Vasco Neto a 11 de Agosto de 2008 às 21:48
fredo,
bebes?
(já viste a resposta do Fernando Peixeiro, de Cabo Verde, sobre as tuas unhas, ó laião?)


De Alfredo Gago da Câmara a 11 de Agosto de 2008 às 22:30
Bebo moderadamente. Muito menos do que tu. O Daniel, que não bebe, está mais apto a entender este joguinho de futebol.
(gadinho pelo aviso das unhas. Como é que chego lá?)
Abraço-te, laiãozinho


De Paulo Pacheco a 12 de Agosto de 2008 às 00:06
....


De Daniel de Sá a 12 de Agosto de 2008 às 02:12
Ena, pá, tanta gente amiga a querer mandar-me para o Agosto do outro mundo!


De Alfredo Gago da Câmara a 12 de Agosto de 2008 às 02:27
Daniel, Agosto é um mês mau para se usar como comentário neste post. Afinal foi ou não foi o seu diminuitivo o teu cumplice em toda esta confusão!?


De Daniel de Sá a 12 de Agosto de 2008 às 03:01
Ó homem de Deus, o coitado do padre Agostinho tem alguma culpa de um destoutiçado ter inventado uma história rocambolesca como esta do desdobrável? Ou também temos de pagar pelos pecados que os outros dizem que a gente cometeu sem sequer os ter sonhado algum dia?


De Alfredo Gago da Câmara a 12 de Agosto de 2008 às 03:37
É claro que estou a brincar. Foi um jogo de palavras. Bem poderias ter falado em Setembro (ainda era verão, e quente). O Monsenhor Agostinho Foi meu professor de educação física no antigo colégio seminário, quando lá estudei como colegial interno, por na altura já só querer saber de guitarras e ramboia. Conheci-o ainda bem novo, a correr, cheio de inergia e nutro por ele o maior respeito. Se calhar na altura tentaste desencaminhar o homem com um desdobrável. (ih...ih...ih... Lá estou eu a provocar-te de novo).
Abraço


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