Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008
Ai, amor a quanto obrigas
Segunda-feira, 01 Set, 2008

Ai!, amor a quanto obrigas

(quem ama, naturalmente)

e às vezes quanto castigas

gente só pelo que sente

 

Ai! amor, quanto me pedes

por estes dias de Outono

(quase Inverno, a bem dizer...)

e que pouco me concedes:

festas de cão sem dono,

e uns ossos para roer

 

Ai, amor, que sacrifício!!

Na beira de um precipício

colocaste o meu viver.

Dou um passo atrás e corro?

Ou um passo em frente e morro?

É o que me dás a escolher.

 

Ai, amor: tu não existes!

E eu que andei a vida inteira

a acreditar que sim…

só faço figuras tristes

nesta triste brincadeira.

O amor não é para mim.

 

Mas se (oh! suprema ironia!)

me aparecer ao postigo

um amor que queira entrar

(que queira, sei lá… amar?!

hum, que doce fantasia

ter a partir desse dia

o amor sempre comigo

até o mundo acabar

até a noite chegar…)

Aí sim, vou em cantigas

e sei bem o que lhe digo:

depois de ‘podes entrar’,

«Ai, amor!, a quanto obrigas!»

 



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Samuel a 2 de Setembro de 2008 às 00:31
"Estamos" então inspirados...
"Dou um passo atrás e corro?
Ou um passo em frente e morro?"... é muito bom!

Abraço


De Rui Vasco Neto a 2 de Setembro de 2008 às 01:02
;-)


De Alfredo Gago da Câmara a 2 de Setembro de 2008 às 04:19
Vira-te lá ao contrário,
Dança, roda e rodopia.
Salta fora do calvário
Do abismo, da agonia...

Ouve lá atentamente
Já te disse, c’o diabo:
Ó meu cabeça de nabo
Não tens precipício em frente!
Um copinho de aguardente
Nunca sai de um fontenário...
Eu também já fui otário.
Deixa-te disso, ó esperto,
Teu caminho pode estar certo!
Vira-te lá ao contrário.

Depois disso podes dar
Meio passo para trás
Com cuidado, és bem capaz!
Serve só p’ra te embalar,
Dar-te-á forças e gás
Na partida já tardia
Que, apenas por teimosia,
Foi encalhar num pavão
Que na vida, por condão,
Dança, roda e rodopia.

“Ai amor, a quanto obrigas”,
Dizes tu e tens razão:
Quando há fartura de pão,
Muitas vezes faz-se migas.
Só com beijos e cantigas,
Faz do teu peito um armário.
Se acaso és destinatário
De um coração que te ama,
Não apagues tu a chama,
Salta fora do calvário.

“Qual amor, qual sacrifício”,
Achas que estes dois combinam!?
Não são cordas que se afinam
E o amor não é suplício:
É ponte de precipício
Que aparece por magia!
Pode até ser calmaria
De um temporal que se acalma
E que um dia até nos salva
Do abismo, da agonia...

Abraço

Alfredo Gago da Câmara
2008/09/02


De Samuel a 2 de Setembro de 2008 às 12:55
Umas décimas bem feitas... lavam a alma. Ou como diria o outro "na verdade, na verdade vos digo, que muitas décimas serão as primeiras!"


De vovó Maria a 2 de Setembro de 2008 às 09:16

Caro Rui!

sou assídua visitante, embora ache que os meus estudos são poucos para comentários :)...
não pasmo, porque já me habituei à enorme qualidade deste blog, mas vibro com o belo escrito que aqui deixou!
o Daniel de Sá e o Rui, que leio religiosamente ... e agora um seu comentador, Gago da Câmara ( pelo nome, julgo que também nosso conterrâneo), são fantásticos!!!!
bem hajam!
beijocasssssss




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