Sábado, 6 de Setembro de 2008
Odiozinhos de estimação
Sábado, 06 Set, 2008
Eu sabia. É por estas e outras que eu nunca, mas mesmo nunca, pego sequer no 24Horas, de lê-lo então Deus me livre, jamé!. Desde que lá vi a notícia da minha morte recente que (vá lá perceber-se porquê) me sinto no direito de duvidar de tudo o que lá possa dizer, até da data que traga no cabeçalho. Mas desta vez lá fui, em busca da foto de que falava aqui, confirmando antes de comentar, regra de base; e pronto, foi o que bastou. Tiro e queda. Tropecei na página 12, Nacional, toda dedicada a mais uma acutilante investigação sobre o 'caso Maddie', da autoria de um intrépido colega que assina Carlos Tomás, e que escreveu um extenso artigo que começa exactamente assim: «"Eles entraram e foram imediatamente reconhecidos por todos os passageiros e tripulação. Não apresentavam qualquer sinal de sofrimento. Foram arrogantes. Olharam para nós com um ar de enorme desprezo e ocuparam os respectivos lugares. Não pareciam pessoas que tinham perdido uma filha. Não vimos qualquer expressão de dôr em qualquer um deles". As declarações foram feitas ao 24Horas por uma hospedeira que efectuou serviço no avião em que viajaram os McCann no dia em que decidiram abandonar Portugal, logo depois de constituídos arguidos.» Inacreditável, não é? É Deus no céu e o 24Horas na banca, o divino e o adivinho das culpas alheias, escultor de verdades infalíveis. Um luxo, até aqui. Mas há mais.


Da boca da mesma 'fonte da tripulação', supostamente 'uma portuguesa a residir em Inglaterra', colhe o 24Horas o 'furo' da culpa dos McCann e a reportagem exclusiva da viagem, mais uma pérola digna do Troféu Nova Gente: «Pareciam com um ar de culpa. Depois de o avião descolar pediram um café que beberam com as cabeças baixas e foi nessa posição que fizeram toda a viagem». Digam-me: os senhores não acham isto um nojo? Sou só eu que sofro o vómito? Alguém que me explique, é urgente que eu cresça de uma vez por todas: então se eu carrego por lei, estampado no embrulho dos meus cigarros, o grito histérico 'Fumar mata' para me avisar os pulmões; se por lei me informam dos perigos da exposição solar em cada bronzeador que compro; se por lei me protegem do colesterol, da cafeína, da cocaína, da D.Joaquina (que faz pastéis em casa), dos brinquedos que matam crianças, das bolas de berlim e da ginginha assassina, qual, meu Deus!, qual é a bendita razão para não ser obrigatório um sinal luminoso intermitente em cada exemplar daquele pasquim, que faz diariamente aos seus leitores a mesma coisa que o capitão Roby fazia às moçoilas que engatava mas só de vez em quando? Coisa da mais elementar decência, só para avisar que o consumo prolongado de mixórdias como este 'furo' dos McCann intoxica a alma da gente, apela à bestialidade e tira-nos o norte da informação. Se o sexo ocasional requer preservativo, aqui um aviso luminoso era o mínimo, obrigatório, já. Uma questão de saúde pública, entenda-se.

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar

Comentários:
De Daniel de Sá a 7 de Setembro de 2008 às 00:45
Rui, lembras-te de cada uma! Ou de cada um! Agora foi do capitão Roby, que, ainda para mais, não engatava apenas mocinhas desprevenidas. Ele informava-se primeiro da conta bancária, e nem queria saber do BI ou das rugas.
Só sei da existência do "24 Horas" por citações de tipos como tu. Por mim, ele não teria publicado mais do que o 1º número. E, mesmo assim, pelo que fui sabendo dele, teria sido um número a mais.
Boa noite e boas próximas 24 horas.


Comentar post

Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
mais sobre mim
vidas passadas

Piu

Crónica do Brufen

Eu, pombinha.

Falando com o meu cão

Chove, eu sei, mas tenho ...

Maria da Solidariedade

Hum, daí o meu dói-dói...

Portugal sem acordo

Não fui eu que escrevi ma...

Um dos

Abençoados 94, Madiba!

Sôdade

Não vás as mar, Tòino... ...

Ofertas FNAC: pare, escut...

Reflexão de domingo, perg...

É preciso é calma, já se ...

Definição de sacrifício n...

A questão

E pronto, eis que descubr...

.......

Bom dia. Se bem me lembro...

O princípio do fim

E, de repente.

Um azar nunca vem só

Diz que é uma espécie de ...

Força na buzina!!

Bom dia. Hoje chove em Li...

Depois do homem que morde...

Bom dia. É hoje, é hoje!!...

Boga ou Beluga?

arquivos

Junho 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Janeiro 2011

Novembro 2010

Outubro 2010

Abril 2010

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Restaurantes para fumadores
Consulte aqui a lista de restaurantes onde os fumadores também têm direito à vida.
sete vidas mais uma: Daniel de Sá
Um Nobel na Maia
Lagoa
Ribeira Grande
Vila Franca do Campo
Do Nordeste à Povoação
Dias de Melo, escritor livre
E se a Igreja se calasse?
O outro lado das tragédias
O meu Brasil português
A menina amarga (II)
A menina amarga (I)
Pelas cinzas de uma bandeira
O caso da Escola do Magistério
Uma confissão desdobrável
O gato e o rato
Contra a Inquisição
D.Diogo
Uma carta de Fradique Mendes
Acróstico
Monotonia
Maia (II)
Maia
Um nome acima de todos os nomes
Um palhaço de Deus
A ópera em Portugal - Conclusão (VIII)
A ópera em Portugal - Um novo estilo, Alfredo Keil (VII)
A ópera em Portugal - O Teatro de S.Carlos (VI)
A ópera em Portugal - Os Intérpretes: Luísa Todi e os Irmãos Andrade (V)
A ópera em Portugal - Marcos Portugal: vida e obra (IV)
A ópera em Portugal - Primeiros tempos / o triunfo (III)
A ópera em Portugal - Introdução da ópera em Portugal (II)
A ópera em Portugal - As origens da ópera (I)
Dois sonetos à maneira de Natália Correia
Duas garrafas de Macieira
As esponjas das lágrimas
Lição de Português
500 000 soldados
Depois do portão da casa
Auto da Mazurca
Auto da Barca de Bruxelas
Malino
Romance da Bicha-Fera
A Casa
Tremor de terra, temor do céu.
Cântico da mãe escrava ao filho morto
Passos Perdidos
A Lenda dos Reis
Daniel de Sá
Um sítio chamado Aqui
O protesto do burrinho
Sete vidas mais uma: Soledade Martinho Costa
Poema renascido
Sete vidas mais uma: Pedro Bicudo
RTP, Açores
As vidas dos outros
subscrever feeds
Sete vidas, sete notas