Terça-feira, 9 de Setembro de 2008
O ‘feedback’ do ‘self-checkout’
Terça-feira, 09 Set, 2008

Para mim é um facto, de que a blogosfera veio fazer prova final e não passível de discussão: há muito boa gente a escrever muitíssimo bem no nosso país, muita pena desconhecida do grande público capaz de produção de excelência, em cada um dos vários mundos que compõem o universo imenso da língua portuguesa. Diferentes formas de comunicar, descrever, informar, reflectir, dissertar, reportar, transmitir, enfim, escrever usando de base um mesmo instrumento comum, o único para todas as variantes e registos. Esse mesmo instrumento de que hoje nos fala Pedro Correia, jornalista do DN e um dos titulares do Corta-Fitas, blogue de referência obrigatória (cá da casa e não só). Profissional duplamente atento, ao que se passa no jornalismo e também ao que vai acontecendo na blogosfera, que segue e promove como poucos, Pedro Correia não podia faltar nesta mesa de amigos que por aqui se vão juntando por ocasião deste primeiro aniversário do 7Vidas. Curiosamente foi ele a primeira pessoa a dar-me as boas vindas ao meio, num dos seus 'postais blogosféricos' que certamente já esqueceu, eu é que não. Faz agora um ano.

 

Em baixo: "O feedback do self-checkout"

Sete vidas mais uma: Pedro Correia

 

 

“Agora, uma viagem aérea pode ser comprada e o check in feito em máquinas automáticas on line. Já é possível em vários estabelecimentos comerciais usar caixas automáticas, em que é o próprio cliente a registar as suas compras em scanners de códigos de barras e a fazer o pagamento. Com o self-service, as empresas tornam-se mais competitivas. Há já o exemplo dos call centers. E há outras vertentes. A primeira é a apetência que um certo grupo de consumidores, os early adopters, tem por experimentar e testar novas formas de oferta. E apenas 5 por cento de clientes de supermercados se recusaram a utilizar serviços de self-checkout. O feedback dos clientes é muito positivo porque o self-checkout permite uma passagem em caixa mais rápida, sendo que o sistema é user-friendly. Mas falta ainda uma espécie de incentivo, como um voucher que desse descontos, e colocar pequenos chips nos produtos, cuja informação pode ser lida automaticamente.”


Este texto de leitura tão penosa resulta de uma montagem de frases que fiz, todas extraídas de um artigo saído recentemente num dos principais jornais portugueses. Um artigo que demonstra pelo menos duas coisas. Por um lado, a vontade de comunicar com o leitor, da parte de alguns jornalistas, é mínima – o que me deixa perplexo. Por outro, sem que quase nos apercebamos disso, é cada vez mais evidente que os nossos jornais começam a ser escritos com frequência numa espécie de crioulo luso-americano, povoado de termos de importação tecnocrática que se pretende transpor a martelo para o discurso comum.


É feio. E triste. E é sobretudo muito sintomático de um certo provincianismo mental português. Que pode aparecer com um verniz modernaço mas que é quase tão antigo como a fundação da nossa nacionalidade.

 

Pedro Correia

(do blogue Corta-Fitas)



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar

Comentários:
De Samuel a 9 de Setembro de 2008 às 20:56
É uma kind of melting pot da treta.


De Daniel de Sá a 10 de Setembro de 2008 às 00:11
Ai Pedro, Pedro, Vénus ainda diria desta linguagem que "com pouca corrupção crê que é latina?"
Olha que talvez... Ela até poderia encontrar aí reminiscências de linea, servitium, centrum, adoptare, usus...


De Pedro Correia a 13 de Setembro de 2008 às 12:57
Mais uma vez parabéns, meu caro. E obrigado pelas tuas palavras amigas. Foi um prazer colaborar contigo.
Abraço


Comentar post

Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
mais sobre mim
vidas passadas

Piu

Crónica do Brufen

Eu, pombinha.

Falando com o meu cão

Chove, eu sei, mas tenho ...

Maria da Solidariedade

Hum, daí o meu dói-dói...

Portugal sem acordo

Não fui eu que escrevi ma...

Um dos

Abençoados 94, Madiba!

Sôdade

Não vás as mar, Tòino... ...

Ofertas FNAC: pare, escut...

Reflexão de domingo, perg...

É preciso é calma, já se ...

Definição de sacrifício n...

A questão

E pronto, eis que descubr...

.......

Bom dia. Se bem me lembro...

O princípio do fim

E, de repente.

Um azar nunca vem só

Diz que é uma espécie de ...

Força na buzina!!

Bom dia. Hoje chove em Li...

Depois do homem que morde...

Bom dia. É hoje, é hoje!!...

Boga ou Beluga?

arquivos

Junho 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Janeiro 2011

Novembro 2010

Outubro 2010

Abril 2010

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Restaurantes para fumadores
Consulte aqui a lista de restaurantes onde os fumadores também têm direito à vida.
sete vidas mais uma: Daniel de Sá
Um Nobel na Maia
Lagoa
Ribeira Grande
Vila Franca do Campo
Do Nordeste à Povoação
Dias de Melo, escritor livre
E se a Igreja se calasse?
O outro lado das tragédias
O meu Brasil português
A menina amarga (II)
A menina amarga (I)
Pelas cinzas de uma bandeira
O caso da Escola do Magistério
Uma confissão desdobrável
O gato e o rato
Contra a Inquisição
D.Diogo
Uma carta de Fradique Mendes
Acróstico
Monotonia
Maia (II)
Maia
Um nome acima de todos os nomes
Um palhaço de Deus
A ópera em Portugal - Conclusão (VIII)
A ópera em Portugal - Um novo estilo, Alfredo Keil (VII)
A ópera em Portugal - O Teatro de S.Carlos (VI)
A ópera em Portugal - Os Intérpretes: Luísa Todi e os Irmãos Andrade (V)
A ópera em Portugal - Marcos Portugal: vida e obra (IV)
A ópera em Portugal - Primeiros tempos / o triunfo (III)
A ópera em Portugal - Introdução da ópera em Portugal (II)
A ópera em Portugal - As origens da ópera (I)
Dois sonetos à maneira de Natália Correia
Duas garrafas de Macieira
As esponjas das lágrimas
Lição de Português
500 000 soldados
Depois do portão da casa
Auto da Mazurca
Auto da Barca de Bruxelas
Malino
Romance da Bicha-Fera
A Casa
Tremor de terra, temor do céu.
Cântico da mãe escrava ao filho morto
Passos Perdidos
A Lenda dos Reis
Daniel de Sá
Um sítio chamado Aqui
O protesto do burrinho
Sete vidas mais uma: Soledade Martinho Costa
Poema renascido
Sete vidas mais uma: Pedro Bicudo
RTP, Açores
As vidas dos outros
subscrever feeds
Sete vidas, sete notas