Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008
Deus ajuda, São Bento é que não.
Quinta-feira, 11 Set, 2008

Aqui entre nós, a chamada 'Educação Especial' é um dos exemplos mais flagrantes da desumanidade brutal que este nosso Estado tem para com os seus cidadãos mais desfavorecidos. E da falta de vergonha, também, do Estado e sobretudo dos estadistas que nos governam. Estes ou outros, a verdade é que vira o disco e toca o mesmo. Mas isso é conversa acabada antes de começar, não será por aí que se vai chamar a atenção para os problemas sociais concretos de solução eternamente adiada, de governo para governo e de governante para governante. Até porque as intenções expressas nos discursos oficiais, muitos deles proferidos em deslocações e visitas para cuja cobertura mediática foi requisitada a presença dos coitadinhos em causa, de forma a dar um colorido humano à fotografia que vai ilustrar as novas promessas para o sector, são sempre o último grito em matéria de 'agora é que é'. São sempre uma nova injecção de esperança num futuro melhor, dada ao vivo e a cores, com os necessitados em fundo. E à noite Telejornal, já se sabe.

 

Só que os meninos a quem há dez anos atrás foi prometida melhor educação especial já não são meninos e perderam essa oportunidade. Aos velhos a quem há dez anos atrás foi prometida uma velhice mais digna chegou mais cedo a morte que essa tal dignidade. Os doentes em lista de espera para tentar sobreviver, a quem há dez anos atrás foi prometida maior celeridade e eficácia na Saúde, apodreceram entretanto à espera de uma cura que muitos viram passar à frente, outros ao lado, ao alcance de um dedo. E aqueles que há dez anos já descontavam para o mealheiro social da sua reforma correm o risco real de só encontrar boas intenções no porquinho vazio daqui por dez anos, ou mais dez menos dez. Gerações de governados envelhecem a par das promessas dos seus governantes, morrem juntos, até, uns e outras. Uma vida inteira sempre um passo atrás da cenoura. E Portugal começa de novo todos os dias e todos os governos, sempre cheio de esperança.

 

Leiam isto, por favor. Digam-me se não vos é familiar esta conversa, se não ouviram já estas palavras ditas sobre este mesmo assunto, ou melhor: pensem quantas vezes já as ouviram repetidas nos últimos dez, vinte, trinta, quarenta anos. Pois para todas as crianças com deficiência, cuja integração no ensino regular está prevista acontecer até 2013 a acreditar na chamada reforma da educação especial, esta é a nova injecção de esperança num futuro melhor que o Estado tem para oferecer, a nova velha cenoura para uma nova geração de coitadinhos. Só é preciso acreditar, acreditar sempre, que Deus ajuda, diz o povo. E é bom que seja mesmo assim, porque quem estiver à espera de S.Bento está desgraçado, está visto.

 



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Daniel de Sá a 12 de Setembro de 2008 às 01:29
O problema é dramático. Quando falta dnheito para coisas destas, somos logo obrigados a pensar na sua abundâmcia no supérfluo.
Este problema é de dificílima solução. Nem sei se há mesmo uma solução satisfatória para todas as partes. Falo com algum conhecimento de causa, e o assunto levaria muito tempo a explicar... e nada conseguiria explicar. Fica, pois, apenas o lamento desesperado quanto a um OGE muito mal empregado às vezes.


De Rui Vasco Neto a 12 de Setembro de 2008 às 19:49
daniel,
Não estamos de acordo nesta questão, querido amigo.
'Este problema é de difícil solução', dizes tu? Será erro meu, então, mas não creio que exista situação similar onde se aplique com maior oportunidade e acerto a expressão 'vontade política' do que neste caso. 'Vontade política', é tudo o que requer a tal 'difícil solução. Ora diz-me, é assim tão difícil ter vontade de ser meramente decente, cortando uns almoços aqui, umas ajudas de custo ali, umas viagens de Falcon acoli, para assim juntar uns tostões que fossem gastos a dar alguma dignidade às misérias nacionais?
Não me parece, sinceramente. Se somos capazes de construir estádios e infra-estruturas de relevo para exibir o nosso futebol e o nosso dinamismo, também o seremos certamente no dia em que alguém decidir que ajudar a deficiência pode estar na moda e dar lucro ao mesmo tempo. Vai tudo na vontade de quem manda.


De Daniel de Sá a 12 de Setembro de 2008 às 20:51
Ó Rui, expliquei-me mal. A difícil solução que referi, ou a que pretendira referir-me, era a da integração destas crianças na escola normal. Porque, sem um apoio muito especial, não resulta nem para elas nem para as outras.
Entre os muitos erros que se cometeram no ensino depois do 25, um deles foi considerar que os alunos devem estar amontoados por idade cronológica e não por idade mental. O resultado acabou por ser esta coisa linda de poderem ter todos um diploma "de" ou "equivalente a" que lhes permite entrar na universidade sem saberem ler. E isto não é figura de retórica, é realidade.
Os alunos com deficiência sentir-se-ão melhor numa turma de crianças ditas normais, ou numa em que todos sejam mais ou menos semelhantes? Não sei. Só sei que, sem professores especializados que se encarreguem deles, é impossível dar umrumo normal a um aula.
Quanto ao dinheiro que não há, pois talvez seja mesmo tanto ou mais difícil de resolver do que isto. És capaz de convencer os nossos governos a poupar nos foguetes para gastar na mercearia?


De Teresa a 13 de Setembro de 2008 às 00:09
Porra. Devias ter vergonha na cara. Ou uma outra foto para ilustrar este artigo.
Eu tenho. Porque será que tu não tens?


De Rui Vasco Neto a 13 de Setembro de 2008 às 00:24
Ter uma praga na vida é ter uma carga de trabalhos nas costas, uma canga que se carrega dobrado e sem hipótese de escolha. Praga não tem primavera, é nada mais que um longo inverno de tempestades, raios e trovões alternados com aguaceiros ligeiros, a suplicar abrigo e a pedir solzinho por favor. E depois lá vem tromba de água outra vez, quando a gente já está esquecida e de calção novo, a banhos noutra praia. É molhado que não seca por mais calor que apanhe. Ter uma praga na vida é uma porra, acreditem.

O ódio é reconhecidamente uma praga, é certo, mas eu cá pergunto a mim próprio se o amor não poderá ser praga pior e mais corrosiva. Ser objecto da paixão assolapada de alguém é tragédia que nos deixa gregos. É nunca saber sequer que se deseja, é ter cá dentro um astro que bem podia ir flamejar outro, se faz favor, vá lá, irra, por obséquio, facilite e areje, pelo amor da santa! Mas nada feito. Foi uma atracção fatal assim que matou o gato ao Michael Douglas, quando Glenn Close acabou com o mito das sete vidas numa panela de água a ferver lá de casa. Não é a curiosidade que mata, é a paranóia. E ser o rosto fixado na imagem do acordar e deitar de alguém que não queremos em nós, mais a sua razão de viver para o resto dos dias, é mais e pior que telepatia de feira, é doença do foro psiquiátrico. Não é caso para brincadeiras.
Ser pragado é pior que ser praxado, na dureza e no tempo da provação. É explicar que não, não, desculpe, não, não dá. E ouvir que sim, sim, desculpe, sim, sim mas. É aparar golpe atrás de golpe sem estocar a espadeirada redentora do contra-ataque, insistindo na defesa por pruridos de nojo que nos vão levando à falência, moedinha por moedinha. E é carregar a cruz de Cristo numa via pouco sacra, onde nada é sagrado para a impiedade de quem nos nega descanso. Pura obsessão, teimosia, cegueira, despeito, loucura. Uma tristeza. Uma praga.


De Teresa a 13 de Setembro de 2008 às 00:29
Rui, a praga és tu, ainda não percebeste? Olha, só vim aqui porque me disseream, a Alexandra, lembras-te, que estava aqui este post... Fica bem.


De Teresa a 13 de Setembro de 2008 às 00:34
Já agora, ela disse que tinha comentado este post e não está aqui nada. Apagaste, foi? Que giro... Censura também aqui? Onde está a liberdade de expressão?


De Rui Vasco Neto a 13 de Setembro de 2008 às 00:41
Terá um escasso par de meses que eu escrevi este texto, três, se tanto. E já na altura ele se me escapou porque estávamos em pleno ataque, mais um, outra vez debaixo do fogo cerrado de tanto azedume e malvadez que dir-se-ia verdadeiramente inesgotável esta fonte de ruindade alojada no lugar que deveria ser o de um coração de mulher. Em verdade vos digo que esta dor-de-corno, em particular, tem tudo para fazer história nos anais da dor-de-corno em geral, como um clássico de culto para todos os lunáticos da especialidade. O que, diga-se, poderia resultar deveras interessante do ponto de vista regional, social, psicológico, mesmo literário, se quiserem, não fora o facto de ser a minha própria história esta que está a ser escrita pela dor-de-corno de alguém evidentemente transtornado, para ser suave. Pois só esse pormenor já traz diferença que chegue à situação, da maneira que eu vejo as coisas; já estipula regras e limites para a indecência tolerável. Nada a fazer, por esse lado: antes o massacre sem resposta, do que descer ao nível rasteiro desta praga. Que se mantém activa, diga-se a propósito. Daí toda esta conversa.


De Teresa a 13 de Setembro de 2008 às 00:41
já agora, estes estão assinados, não são como a porcaria que deixaste no meu blog como anónimo... mas tu fazes isso e sabes, ou nem sei se sabes que és um nabo, que consigo identificar... quando quiseres ser esperto tenta ser mais que eu...


De Rui Vasco Neto a 13 de Setembro de 2008 às 00:42
Nos últimos dias, mais um novelo de intriga e má-língua rasteira se desenrolou e estendeu pelas vidas de uma, duas, três, cinco, dez pessoas, que sei eu! Quem pode garantir por quantas bocas passa um boato até finalmente se aquietar, nunca esquecido, num canto da memória colectiva ou individual? São assim as coisas, é assim a gente. A vida do 'gajo da televisão, sabem, aquele?', circulou mais uma vez em edição pirata, tão pirata que qualquer semelhança entre a verdade e a ficção só pode ser um mero descuido, não coincidência, da parte de quem mais uma vez se deu ao trabalho de inventar, desenhar, construir e colorir uma tragédia de brincadeirinha para achincalhar outra pessoa. Para cuspir e calcar, pela calada, iludindo toda a gente e ainda arregimentando para a causa um ou outro incauto que se ponha a jeito. É isto que é uma praga, um nojo de carácter. E eu tenho uma praga na minha vida, alguém tão desiquilibrado e ruim que os seus actos há muito revelaram não passar de um caso psiquiátrico, a requerer atenção médica urgente, que nunca mais chega. Mas que, por mais vergonha e embaraço que me possa trazer a mera constatação do facto, não deixa de ser mais um caso de polícia, tal como o de qualquer outro criminoso psicopata semelhante. Um caso de polícia exactamente igual àqueles em que um merdas qualquer persegue e agride sistematicamente alguém que não se pode defender. Um nojo de cobardia. Uma tristeza. Uma porra. Uma praga.


De Teresa a 13 de Setembro de 2008 às 01:01
Rui
Não me lixes. Tive no meu blog os comentários moderados por causa de ti. Da porcaria que descarregaste sob a capa do anonimato. Eu sempre que aqui venho assino o meu nome. E posso vir aqui, que se bem te lembras nem sabias o que era isto antes de te ter trazido pela mão.
Escreves melhor que eu, muito melhor, mas não entres em guerras destas que eu volto a perguntar - sabes o quê? fizeste o quê?
Sim, tens uma filha, minha também, quase igual à da foto. A Clara, aquela a quem telerfonas no dia dos teus anos, para te dar os parabéns, mas esqueces de telefonar no dia dos anos dela. S. Bento tem a culpa?
E tu, que já fizeste por ela ?Praga? Claro, essa é fácil. Mais se quiseres eu posso mandar as facturas que paguei hoje do material escolar. Praga? Sim, meu amor...


De Rui Vasco Neto a 13 de Setembro de 2008 às 00:50
A minha praga já é uma rotina tão sabida, um frete já tão da casa, que a regularidade trouxe como que uma anestesia local em que a gente está a ver tudo, sabe o quanto nos dói e o mal que nos está a fazer mas escolhemos sentir menos, por mero mecanismo de defesa do organismo. Ou por pura cobardia, seja. E assim se vai vivendo, sobre. Não deixa de ser perverso, já que o ideal seria resolver, extirpar o tumor de vez, raspar as raízes e pôr um ponto final no assunto. Pois. Eu sei. Mas eu tenho uma praga na minha vida que é uma coisa assim... como dizer, diferente, talvez. Escrevi sobre isso recentemente, não me custa repetir, acho até que tem que ser. Não sendo o meu assunto preferido, a verdade é que chega uma altura em que não é mais possível fazer de conta que a casa ainda está de pé, enquanto olhamos para as ruínas que contam uma outra história bem diferente. Deve ser a isso que chamam o limite, creio eu. A parte curiosa é também eu ter um, pelos vistos.


De Rui Vasco Neto a 13 de Setembro de 2008 às 00:51
Ser pragado é pior que ser praxado, na dureza e no tempo da provação. É explicar que não, não, desculpe, não, não dá. E ouvir que sim, sim, desculpe, sim, sim mas. É aparar golpe atrás de golpe sem estocar a espadeirada redentora do contra-ataque, insistindo na defesa por pruridos de nojo que nos vão levando à falência, moedinha por moedinha. E é carregar a cruz de Cristo numa via pouco sacra, onde nada é sagrado para a impiedade de quem nos nega descanso. Pura obsessão, teimosia, cegueira, despeito, loucura. Uma tristeza. Uma praga.


De Teresa a 13 de Setembro de 2008 às 01:13
Há muito tempo que não tinhas tantos comentários numa caixa.... Cabra é cabra e tem este efeito.
Meu amor, também te amo muito, está vistio, não está?


De madrasta a 13 de Setembro de 2008 às 02:17
Ai, mas ele tem, Teresa, só que calculo que não goste de exibir qualquer um dos filhos na blogosfera ... como também não exibe a dele ...


De madrasta a 13 de Setembro de 2008 às 02:19
o comentário a isto das fotos, saíu lá em baixo. ele tem, Teresa, tem, mas são só dele ...


De sininho a 13 de Setembro de 2008 às 01:14
São estas e outras que me fazem ter vergonha de ser mulher. Que tristeza, sinceramente!! Olhe, você deve ser uma grande cama, é aquilo que eu lhe digo, ó Vasco Neto... Que melga, hem?!?


De Rui Vasco Neto a 13 de Setembro de 2008 às 01:19
sininho,
minha senhora, nem tanto, nem tanto... é doença, mesmo. Tadita.


De Teresa a 13 de Setembro de 2008 às 01:30
Sininho, estás coberta de razão... Grande cama,,, faz e dorme... é tão bom, é?

Ah, esqueci de me apresentar.. muito gosto, sou a praga de serviço... queres mais? conheço, pelo menos, mais três.


De Teresa a 13 de Setembro de 2008 às 01:34
Sininho, estás coberta de razão... Grande cama,,, faz e dorme... é tão bom, é?

Ah, esqueci de me apresentar.. muito gosto, sou a praga de serviço... queres mais? conheço, pelo menos, mais três.


De Teresa a 13 de Setembro de 2008 às 01:36
Sininho, estás coberta de razão... Grande cama,,, faz e dorme... é tão bom, é?

Ah, esqueci de me apresentar.. muito gosto, sou a praga de serviço... queres mais? conheço, pelo menos, mais três.


De Anónimo a 13 de Setembro de 2008 às 01:25
Isto quem gosta de sopeiras depois tem que se aguentar à bronca ó RVN eheheheh
;-)))))))


De Anónimo a 13 de Setembro de 2008 às 01:28
Quando a minha cadela está assim eu solto-a umas horas :-)))
fica resolvido, volta mansa que nem uma ovelhinha...
;-/


De Anónimo a 13 de Setembro de 2008 às 01:42
porque é que não a pões a dormir com a ovelhinha, ó RVN?
:-))) eheheheheh


De Cabra de Serviço a 13 de Setembro de 2008 às 01:42
É que não é uma ovelhinha, é mesmo cabra e de serviço.... e sininho, se quiseres umaa dicas eu dou... acredita, grande cama, é uma coisa nunc vista..... e aguenta que se farta, pior é depois mas sabes, ficamos pragas e apaixonadas,,, g?anda gajo...


De sininho a 13 de Setembro de 2008 às 01:53
Passo bem sem dicas tuas ou de mulheres parvas como tu!! O que tu queres sei eu!!! Vai-te mas é tratar, ó querida, estas figuras que fazes metem dó... Se o gajo é tão mau porque é que não largas, pá??? Sim tá bem, blá blá blá blá... mas andas aqui, não largas o osso!!!
Vai-te tratar, pá!! Achas que ser cabra é uma piada?? F.....!!!!
Não bates, pá!


De Rui Vasco Neto a 13 de Setembro de 2008 às 01:46
Pesam-me os dedos para bater nesta tecla, tenho que dizer. Venho a pegar de empurrão, a querer fugir da raia, gato escaldado que estou, medroso e cioso das vidas que me restam, se é que me resta alguma. Venho a fingir que não mas a dizer que sim, a olhar para o lado mas a evitar pisar, contornando. Só que isto é merda que salta, não poia quieta e sossegada no seu canto. Faz questão de se bostar no meio do passeio para se colar em pedacinhos ao chinelo (de preferência) de quem passa e, na passada, a leva consigo já para casa. Daí até se habituar a ela é uma questão de tempo, já reza o dito que primeiro estranha-se mas que depois é o que se sabe, entranha-se, quantas vezes em afinidades, almas gémeas, chinelo igual, raiva comum. É isto que é uma praga. E eu tenho uma, alapada na minha vida há treze, catorze, quinze anos, mais um menos um, who's counting? Então e como é ter uma praga na vida? Numa palavra, insuportável. Não se deseja ao pior inimigo. A minha praga já é uma rotina tão sabida, um frete já tão da casa, que a regularidade trouxe como que uma anestesia local em que a gente está a ver tudo, sabe o quanto nos dói e o mal que nos está a fazer mas escolhemos sentir menos, por mero mecanismo de defesa do organismo. Ou por pura cobardia, seja. E assim se vai vivendo, sobre. Não deixa de ser perverso, já que o ideal seria resolver, extirpar o tumor de vez, raspar as raízes e pôr um ponto final no assunto. Pois. Eu sei. Mas eu tenho uma praga na minha vida que é uma coisa assim... como dizer, diferente, talvez. Escrevi sobre isso recentemente, não me custa repetir, acho até que tem que ser. Não sendo o meu assunto preferido, a verdade é que chega uma altura em que não é mais possível fazer de conta que a casa ainda está de pé, enquanto olhamos para as ruínas que contam uma outra história bem diferente. Deve ser a isso que chamam o limite, creio eu. A parte curiosa é também eu ter um, pelos vistos. Ter uma praga na vida é ter uma carga de trabalhos nas costas, uma canga que se carrega dobrado e sem hipótese de escolha. Praga não tem primavera, é nada mais que um longo inverno de tempestades, raios e trovões alternados com aguaceiros ligeiros, a suplicar abrigo e a pedir solzinho por favor. E depois lá vem tromba de água outra vez, quando a gente já está esquecida e de calção novo, a banhos noutra praia. É molhado que não seca por mais calor que apanhe. Ter uma praga na vida é uma porra, acreditem. O ódio é reconhecidamente uma praga, é certo, mas eu cá pergunto a mim próprio se o amor não poderá ser praga pior e mais corrosiva. Ser objecto da paixão assolapada de alguém é tragédia que nos deixa gregos. É nunca saber sequer que se deseja, é ter cá dentro um astro que bem podia ir flamejar outro, se faz favor, vá lá, irra, por obséquio, facilite e areje, pelo amor da santa! Mas nada feito. Foi uma atracção fatal assim que matou o gato ao Michael Douglas, quando Glenn Close acabou com o mito das sete vidas numa panela de água a ferver lá de casa. Não é a curiosidade que mata, é a paranóia. E ser o rosto fixado na imagem do acordar e deitar de alguém que não queremos em nós, mais a sua razão de viver para o resto dos dias, é mais e pior que telepatia de feira, é doença do foro psiquiátrico. Não é caso para brincadeiras.
Ser pragado é pior que ser praxado, na dureza e no tempo da provação. É explicar que não, não, desculpe, não, não dá. E ouvir que sim, sim, desculpe, sim, sim mas. É aparar golpe atrás de golpe sem estocar a espadeirada redentora do contra-ataque, insistindo na defesa por pruridos de nojo que nos vão levando à falência, moedinha por moedinha. E é carregar a cruz de Cristo numa via pouco sacra, onde nada é sagrado para a impiedade de quem nos nega descanso. Pura obsessão, teimosia, cegueira, despeito, loucura. Uma tristeza. Uma praga. Terá um escasso par de meses que eu escrevi este texto, três, se tanto. E já na altura ele se me escapou porque estávamos em pleno ataque, mais um, outra vez debaixo do fogo cerrado de tanto azedume e malvadez que dir-se-ia verdadeiramente inesgotável esta fonte de ruindade alojada no lugar que deveria ser o de um coração de mulher. Em verdade vos digo que esta dor-de-corno, em particular, tem tudo para fazer história nos anais da dor-de-corno em geral, como um clássico de culto


De anónimo a 13 de Setembro de 2008 às 02:10
Rui : "Que pena, que pena, que pena ..."
Teresa Cabra : não há lavandarias por aí ? lave a roupa em casa, querida, na piscina talvez, no lago perto da quinta, sei lá ... mas em público ? Não está no tribunal, minha cara, provávelmente só lá para Abril, não ? Parecia-me mais educada, sabe ? Com tantos servidores em casa, com tão boa educação, família respeitável, toalhas de renda, talheres de prata, Cantanhede, Mira, Coimbra, tanto, tanto, mas ... e o berço, querida, onde ficou ? Controle-se, cara ex- advogada ... See you in April !


De Teresa a 13 de Setembro de 2008 às 02:11
Sininhos e Ruis e o raio:
Chamo-me Teresa, sou a praga e a cabra de serviço e sou também mãe de duas das filhas do Rui. O mesmo Rui por quem vivi anos e anos seguidos sem viver a minha vida. O mesmo Rui que eu admiro e que acho que podia ser um génio ao mesmo tempo que acho que é uma besta.
Sim, claro, venho aqui cuscar, ver o que escreve e do que escreve. e tento, a maior parte daas vezes, não abrir a boca,. a história da praga, conhecem?, mas há alturas em que é demasiado difícil.
Esta foi uma delas e se, RVN, foste tu qiue abriste o jogo, eu acho que posso dar também.
Não admito posts destaes. Não tens autorização para tal. E sim, eu posso dizer isto, tu não. Eu, nós, Rui, temos uma filha, a Clara, que sempre usou e abusou do ensino especial. São Bento? Sim, São Bento. Até agora ela tem tido o que de melhoe podia ter. E sempre no ensino público. Sabes o que é isso? De certeza que não1 Rui, não abuses, escreve sobre flores e passarinhos e borboletas que eu fico no meu canto, não escrevas sobre o que, infelizmente, não conheces.
E agora queres fazer outro escandalo sobre Ordem dos Advogados e a minha suspensão? Podes fazer. A seguir manda a morada. Posso mandar a factura do material escolar das tuas filhas. Da minha parte são duas. Paguei hoje. Quers dividir ou é a praga do costume?
Queres que reserve isto para o privado? Sim, eu reservo, mas tenho primeiro de saber para onde mando a corresondência. Meu amor, claro1.


De Rui Vasco Neto a 13 de Setembro de 2008 às 02:16
Sinceramente, ainda acham que é uma piada, a história da praga?


De anónimo a 13 de Setembro de 2008 às 02:33
cá eu já sabia isso tudo e acredite, estou ansiando conhecê-la pessoalmente, com ou sem cabra .. não costumava levar o bicho para o tribunal ... será que em abril, sendo o mês dos carneiros, vai começar e levar a cabra pra me dar umas marradas ? e não seja injusta. fui eu que falei na suspensão, lembra-se ?


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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