Sábado, 13 de Setembro de 2008
Tempos de crescer
Sábado, 13 Set, 2008

De entre os milhões e milhões de palavras da minha vida, escritas por mim ou por outros, ao longo de quase meio século, estas que hoje vos revelo são sem qualquer dúvida ou hesitação as mais significativas e importantes para mim. E não só para mim, tempos houve em que um punhado de jovens fez delas o seu hino e a sua bandeira de valores. Por mais que eu quisesse, a verdade é que não teria sequer como começar a contar, tanta e tão fantástica é a História que elas carregam. Uma história linda, linda, linda. Não foram escritas por mim, mas sim para mim, há trinta e cinco anos atrás. A autora, Luísa Sales Pontes, ainda não tinha os 14 anos feitos quando as escreveu e eu também não, tinha apenas 13 quando compus a música que até hoje as embala no meu coração. E no coração de todos os magníficos garotos daquele grupo, estou certo, que até hoje cantam estas palavras de cor. Hoje, dia 13 de Setembro, a Luísa faz 49 anos de idade e eu celebro a data com a sua poesia. Porque Amigo é mais que dimensão, mais do que ilusão e muito mais que um mero conceito.

 

 

 

Em nós

mil primaveras

mil tempos de crescer

e um sonho que nos ensina a escrever

com a nossa seiva

a vida por que esperas

 

Em nós Amigo é mais que dimensão

é mais do que ilusão e que conceito

é uma rosa a abrir, é um direito

fazer da existência uma canção

 

Há um Projecto Esperança nas palavras

e um 'não' que repudia os impossíveis

a nossa vida é terra que tu lavras

é um sol a nascer todos os dias

 

E em qualquer lugar há um 'aqui'

no tempo intemporal um verso nu

porque dentro da poesia existes tu

e uma gaivota ao sol dentro de ti

 

Em nós Amigo é mais que dimensão

é mais do que ilusão e que conceito

é uma rosa a abrir, é um direito

fazer da existência uma canção

 

Luísa Sales Pontes



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Cristina a 13 de Setembro de 2008 às 17:04
Meu querido
Lindo!Lindo!Lindo!
Deixo aqui as palavras de Vinícius e um belo FDS.
Amigos
(Vinícius de Moraes)

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor. Eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências ...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários. De como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, trêmulamente construí, e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida. Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo. Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer ... Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando
comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.

Beijinhos meu amigo...


De Rui Vasco Neto a 13 de Setembro de 2008 às 22:53
cris,
obrigado pelas palavras. Chegam num dia que sei de muita alegria para você. Só por isso, um dia de alegria para estes seus amigos aqui também!! :-)))
parabéns! e agora toque em frente nessa vida imensa que tem pela frente. ok?
beijo


De Cristina a 14 de Setembro de 2008 às 00:41
Xá comigo meu querido. No final sempre dá tudo certo é como as novelas da globo.Um monte de beijos brasileiros com sabor de carioca.


De Samuel a 13 de Setembro de 2008 às 19:53
Benditos treze e catorze anos!


De Rui Vasco Neto a 13 de Setembro de 2008 às 22:50
sam,
yeap!
:-/


De vovó Maria a 13 de Setembro de 2008 às 21:19

abençoados!!!!

beijocassssss


De Rui Vasco Neto a 13 de Setembro de 2008 às 22:50
vovó,
gadinho, viu?


De Alfredo Gago da Câmara a 13 de Setembro de 2008 às 22:53
Sem palavras. Estou certo que a melodia também ficou linda. Talvez um dia a conheça.


De Rui Vasco Neto a 13 de Setembro de 2008 às 22:57
fredo,
o esquecidinho do costume... ouviste-a no teu estúdio, ao vivo e a cores, só não foi em stereo porque estavas lá tu também, ó meu mono!!!:-))
abraço nesses ossos, ó da banza!!


De Anónimo a 13 de Setembro de 2008 às 23:45
"De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.


E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.


Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.


Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem."

Natália Correia

Se fosse viva, essa grande figura incontornável da poesia portuguesa, faria hoje 85 anos.



De Daniel de Sá a 14 de Setembro de 2008 às 02:05
Rui, não te enganaste na idade de poetisa enquanto jovem? É que um poema daqueles, para uns treze anos, é de génio.
Parabéns à Luísa com efeitos retroactivos.


De Rui Vasco Neto a 14 de Setembro de 2008 às 16:55
daniel,
no mistake, my friend.
that's my gal.
hug


De Anónimo a 19 de Setembro de 2008 às 21:49
Bonita homenagem, Vasco!
Mas... há sempre um mas nestas histórias. Se o tempo pudesse voltar atrás...teria sido tudo igual?


De Rui Vasco Neto a 21 de Setembro de 2008 às 00:11
...desculpe, não percebi o seu nome...?


De Raquel S a 20 de Julho de 2009 às 20:52
Que surpresa! Confesso que não conhecia este poema, embora o seu rascunho possa estar num qualquer espaço da minha casa. E quando leio e releio não me canso e até consigo imaginar a alegria partilhada por todos aqueles que acreditavam no Projecto Esperança e em tantos sonhos... São histórias e estórias que ouvi contar vezes sem conta que aqui estão espelhadas neste poema. Simplesmente fantástico e comovente.


De Rui Vasco Neto a 21 de Julho de 2009 às 01:24
Raquel??!!?
Há uma Raquel possível na história desta história, na leitura que faço. Uma menina que já sendo mulher ainda mora menina no meu pensar. Serás essa? Só podes, a ajuizar pelo que dizes e como o dizes, cada palavra servida com o carrêgo daquilo que os genes fazem às pessoas, as parecenças indeléveis! O caso não é para menos, convenhamos. Carregas uma enorme responsabilidade no nome, sabias? No que me diz respeito, a simples ideia de ti agita todos e cada um dos meus nervos, belisca as minhas emoções mais antigas e assim acprda todo um mundo de recordações, do tempo eu que eu era bonito. Espero que sejas essa Raquel da história, a tal e única com lugar cativo nela por direito adquirido de berço. Sabes quem és, querida Raquel, nem mais nem menos? Tu és o Projecto Esperança!
Anda, vem mais vezes. E deixa rasto, deixa palavras, partilha connosco isso que tens e não sabes, às tantas. Mas vai por mim nesta e acredita: está lá tudo, pelo que vejo.
Vem mais vezes. E aceita na testa um beijo do... sei lá, tio Vasco, talvez..


De Rui Vasco Neto a 21 de Julho de 2009 às 02:35
só mais uma coisinha..
«Que surpresa! Confesso que não conhecia este poema», isso sim é uma surpresa. Para mim, claro.
Não é por nada, mas não conhecer este poema seria abrir mão de um conhecimento precioso sobre o mais precioso da sua autoria, ao tempo. Que o tempo só terá refinado, suspeito. E que deu frutos, constato.


De eu a 21 de Julho de 2009 às 14:31
qualquer coisa me diz
que um dia, qualquer dia
à beira do caminho
hei-de encontrar
um verso que já fiz ...


De Rui Vasco Neto a 21 de Julho de 2009 às 15:20
diz-me, eu: és tu?
:-)))


De Raquel S a 21 de Julho de 2009 às 16:05
Rui,
Obrigada pelas suas palavras comoventes. O comentário de ontem era mesmo de quem pensava. Cresci e herdei os tais genes de que fala.
Não sei quem escreveu o comentário anterior, mas não tem nada a ver com a pessoa em quem provavelmente está a pensar.
Talvez voltemos a falar um dia destes. Há tanto por dizer.


De Rui Vasco Neto a 21 de Julho de 2009 às 20:48
eu,
Sim, eu conheço estas palavras. Sei de quem são, quando nasceram, sem engano.
Sim, eu conheço estas palavras. E...?


De P a 31 de Julho de 2009 às 22:19
Vasco, na altura não percebeste o nome porque não quiseste. Curiosa e bonita a forma como a Raquel comentou o teu texto. Aliás, bonita como ela. Voltei aqui porque hoje falámos de ti. Quanto a ti, Vasco, sabes que só depende de ti voltares a ser bonito como eras. E tu queres, eu sei! Mas tens de dar o primeiro passo!


De Rui Vasco Neto a 1 de Agosto de 2009 às 04:20
Continuas portanto no negócio dos conselhos, palpites & derivados, ao que vejo. :-))) Um caso raro de vovação precoce, a meu ver. E sim, claro que sim, muito bonita a gaiata, lindíssimo todo o episódio, de resto. É a Vida a desenhar os seus próprios caminhos, indiferente às vontades de quem cá anda na teima de fazer canteiros da paisagem, arrumar as coisas, sei lá. Querer é um luxo, pouco conta nas horas decisivas, suspeito. Dizes que não, tu?

(Já agora: 'P'??!! De 'praça pública', talvez???!)


De Anónimo a 1 de Agosto de 2009 às 08:36
Claro que não. P de "Praça Privada".
E quem mais poderia ser P senão eu?


De Rui Vasco Neto a 1 de Agosto de 2009 às 23:12
Pois Pronto, Percebi, Pesculpa Pualquer Poisinha...


De Anónimo a 1 de Agosto de 2009 às 23:27
Até te teres esquecido que faço hoje anos!


De Rui Vasco Neto a 2 de Agosto de 2009 às 00:37
Bem, vejo que a praça se animou, de repente, é já uma pequena multidão aquela que aguarda neste momento a chegada dos ciclistas....

oara b´rns a você, la la la la la, nesta data querida, la la la la la...


De Anónimo a 2 de Agosto de 2009 às 16:06
Pois. não tens Pesculpa !
Um canteiro numa paisagem pode ser uma imagem linda. Depende do canteiro e da paisagem. Um dia, quem sabe, revemos a paisagem.


De Xana Teixeira a 17 de Outubro de 2011 às 15:24
Olá Rui,

Espero que estejas bem.

Por mais anos que viva, esta musica, este hino, este poema não sai da minha memória, gostava tanto de a ouvir novamente cantada por ti.

Bjs

Xana Teixeira


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