Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008
Anda Bóbi que já enganámos outro?
Segunda-feira, 15 Set, 2008

Consigo imaginar uns quantos adjectivos que cabem como pelica enluvada na figura de Jorge Nuno Pinto da Costa. 'Vítima' não é um deles, convenhamos, 'coitadinho' dificilmente e 'inocente' só por brincadeira, vá lá, então? Sobretudo no âmbito deste fiasco dourado, apito pífio, arroz carolino, assistir à reivindicação de uma inocência virginal por parte do presidente do fêcêpê é ver o lobo queixar-se da avozinha, dizendo que esta o mordeu. É de estalo, cáspite! Mas agora o tribunal da Relação do Porto condenou o Estado português a pagar uma indemnização de 20 mil euros a Jorge Nuno, que considerou ter sido alvo de detenção ilegal no âmbito do caso Apito Dourado. E ele queria 50 mil, a primeira instância de Gondomar é que disse 'nem pensar nisso', mas a Relação do Porto pensou melhor nisso e decidiu isto. Vinte mil dos nossos euros e todas as nossas desculpas, se faz favor e muito obrigado. E assim se fez justiça. E assim se fez justiça?

 

Eu cá consigo imaginar uns quantos adjectivos que assentam como pelica enluvada na figura de Jorge Nuno Pinto da Costa. Uns são simpáticos, outros nem tanto, outros ainda são reveladores de alguma excelência, até, no desempenho deste ou daquele papel. Mas todos estão à medida das características específicas daquela pessoa, daquela personalidade, daquele nosso compatriota. De quem todos nós somos íntimos, caramba, íntimos mesmo, (já o vimos nu com um cãozinho ao colo, que diabo, quão mais íntimo se pode ser de alguém, afinal?!), já lhe vimos mil vezes aquela sua ironiazinha sempre a dar a dar, estivemos todos juntos nas suas brigas domésticas, nas vitórias e nas derrotas do Porto, nas suas brigas domésticas, nas zangas com o Benfica e com o mundo em geral, até nas suas brigas domésticas e nos seus não sei quantos casamentos de noiva alternada, aos quais fomos todos juntos com a Caras e com Vip's como o General Eanes, que ainda agora deitou fora uma data de massa a que tinha legítimo direito só para não macular a sua reputação de homem sério. Um homem com amigos destes é um alvo natural de invejas, rancores e muito falatório, é mais que sabido. Guloso de tudo o que pareça topo de gama, Portugal inteiro sente-se com direito a botar faladura, a opinar sobre as aventuras e desventuras deste boneco do Contra-Informação. E já se sabe, quando opina um português, opinam logo dois ou três. E mais eu, naturalmente.

 

Pois bem, muito sinceramente, para mim este 'inocente' não tem aquele corte esmerado que é costura habitual nos fatos de Jorge Nuno, nem sequer lhe assenta igual, antes longe, muito longe disso. E tanto se nota que também isso se escuta na rua e no café. Não cai direito, no prumo, como a farda de Ramalho Eanes, por exemplo a propósito. Na minha opinião fica-lhe curto nas mangas, destoa na frente e destapa as costas. E tem muito mais barriga do que a pouca que deixa antever. Talvez Jorge Nuno seja vítima de si próprio, neste caso, da sua circunstância. Afinal, quem fez da voz grossa e do tom intimidatório uma carreira de sucessos e excessos, alguns e outros por trilhos nem por isso isentos de lama, não se pode queixar agora de alguma confusão, até, no juízo que resulta da leitura popular desta sentença. Um tipo de apreciação que pouco liga aos factos, como se sabe, canta de cor com pouca atenção à letra e faz lá lá lá nas partes que não sabe bem, nem quer saber, pouco lhe interessam. Ou então talvez não, neste caso, talvez esta noite Pinto da Costa se ria a bandeiras azuis da Justiça nacional e da sua sorte particular nessa lotaria pública, quem sabe? Eu não, sinceramente. Não sei.

 

O Ministério Público já fez saber que tenciona recorrer desta sentença para o Supremo Tribunal de Justiça, como lhe compete depois deste espalhanço, enfim, talvez. Eu próprio também já disse que consigo imaginar uns quantos adjectivos que servem como pelica enluvada na figura de Jorge Nuno Pinto da Costa. Mas 'preocupado' aqui, tal como 'inocente' lá atrás, não me parece que faça parte desta lista, extensa porém criteriosa. Parece assim ser certo mais um final feliz para a colecção deste homem que tem todas as razões para celebrar esta noite, convidando toda a gente e fazendo desta decisão judicial mais uma grande festa do Porto e para o Porto. Por isso anda Bóbi. Vamos todos.

 



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De jv a 18 de Setembro de 2008 às 00:32
Quem poderá levar a sério esta justiça?
Que tristeza de país...
«Vamos todos» cantando e rindo...


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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