Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008
Chama
Sexta-feira, 19 Set, 2008

Ah!, meus amigos, que noite linda tive eu ontem sem o esperar! Perdi-me em Alfama, encantado, no fado do 'Mesa de Frades' e da Carminho, no talento do Pedro Castro, nos pormenores do 'meu' Diogo Clemente e na alegria de reencontrar a minha gente (quase) toda junta, numa daquelas noites raras que daqui por vint'anos alguém vai contar que aconteceu. Cantámos uns quantos, muitos muito bem, mas quando chegava a vez do Camané, por exemplo, o silêncio que se fazia parecia diferente, não sei, interior, talvez. Uma espécie de reverência de quem se sente na presença de algo maior, porque genial. Não sei se me expliquei bem, mas como a seguir vem este texto do valupi, pensei que talvez os senhores entendessem melhor aquilo de que falo. Ou, melhor, por que me calo.

 

Em baixo: "Chama"

Sete vidas mais uma: Valupi 

 

Imagina-te do lado de fora do Universo vai para 14 mil milhões de anos; ou coisa que o valha, que nessa desolada condição chega uma altura em que se perde a conta até aos milénios quanto mais aos anos. Repara na agitação das galáxias, sempre a cirandar à volta umas das outras, a namorarem, a fundirem-se. Olha com mais atenção, e acredita: por cada estrela, deves antecipar a existência de 10 planetas. Sim, é variado e não há falta de espaço, esteja este vazio ou por ocupar. Mas bastava um dos calhaus, aquele um pouco mais de azul. Cerra os olhinhos, consegues ver? Está cheio de gente. E de paisagens. De esperança. Pois, isso já não consegues ver. Tens de te aproximar da gente para que a esperança se aproxime de ti.

 

Agora, ainda aí onde te foste encafuar um quarto de hora antes de se inventar o tempo, e donde ficaste a olhar divinamente parvo para o Universo, imagina que te ofereciam a possibilidade de nascer nessa terra chamada Terra. Ou num dos seus sete mares. E que podias escolher a forma de vida. Ser peixinho ou passarão, árvore daninha ou erva-gigante, gatinho assanho ou leão de leite. E que tal nasceres com a capacidade de falar? E até de escrever, já agora e se não for muito incómodo? Que farias com um cérebro tão matreiro que conseguisse transformar açúcar em declarações de amor? Não respondas já, calma. Demora um segundo inteirinho a pensar na proposta.

 

O meu amigo Rui Vasco Neto, com quem nunca me encontrei ou falei ao telefone, celebra 1 ano do 7Vidas e deu-me a honra de participar nas festividades. Desconfio que os blogues não vão conseguir descobrir a cura para as doenças, acabar com a fome e as guerras ou tão-só baixar o preço dos combustíveis na Galp. Mas sei que eles juntam inteligências, memórias e vontades segundo duas antiquíssimas leis:

 

1- Os opostos atraem-se.

2- Os iguais procuram os iguais.

 

Assim foi e é. O que fazemos nos blogues, o que fazemos uns com os outros em liberdade, não passa de mais uma tentativa para manter esta paradoxal chama acesa. Para uns será luz, para outros calor. Nuns casos leva-se para a cozinha, noutros para o meio da rua. Faz-nos companhia, queima-nos. Porque tudo o que nos ajuda também nos pode destruir. E o que parece matar-nos pode ser a própria salvação.

 

Já não arrisco nada com esta conclusão: Rui, dá cá lume.

 

Valupi

(blogger do Aspirina B)

 



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De maya a 19 de Setembro de 2008 às 01:42
"Porque tudo o que nos ajuda também nos pode destruir. E o que parece matar-nos pode ser a própria salvação." Incendiário com palavras esse Valupi... que nunca se lhe apague a chama, digo eu! Dá-lhe lume, Rui, dá-lhe lume!



De Rui Vasco Neto a 19 de Setembro de 2008 às 14:51
maya,
Um deslumbre, este fantasma, não é?
Fique por isso tranquila no respeitante ao lume, a combustão é fácil e imediata na proximidade de uma chama assim.


De Valupi a 19 de Setembro de 2008 às 02:23
Ah, o fado... É que não podias ter escolhido melhor acompanhamento. E toma lá mais um abraço de parabéns. Tens um ano, mas estás crescidinho, ó pá. Qualquer dia vais para a escola, e daqui a nada és dr., cheio de responsabilidades. Olha, aproveita bem este tempo de brincadeira. É o melhor da vida (logo a seguir ao outro que há-de vir, o que estará sempre por vir - o porvir, claro).
__

maya, espero bem que ele oiça o teu conselho. E que o incêndio seja fértil.


De Rui Vasco Neto a 19 de Setembro de 2008 às 14:54
upi,
dr, um dia, dizes tu?
hum...

(só espero que não me traga problemas no IRS)


De Alfredo Gago da Câmara a 19 de Setembro de 2008 às 02:49
Com que então comemoras o primeiro aniversário do sete vidas com fado! E logo em Alfama. Ai que saudades! Que inveja...
Abraço-te amigalhão.


De Rui Vasco Neto a 19 de Setembro de 2008 às 03:04
fredo,
foste falado, e muito, porque o Diogo esteve agora aí com a Marisa (o Tó Neto está no luso, fixo, imagina, seria o teu viola se cá estivesses este ano...). E não teve nada a ver com o aniversário do 7Vidas, claro, foi a coisa mais inesperada possível. Já não ia ali há anos (uns 3, pelo menos) e ontem chego lá mais o Gastão, de passeio nocturno em Alfama e tropeço numa espécie de festarola cá fora: como não se pode fumar e aquilo é pequenito, no intervalo do fado veio tudo fumar cá para fora. E depois estava lá meio mundo, todos por acaso, se fosse combinado não se conseguia aquela mesma gente. Pronto, às duas fechou-se a porta e mais ninguém veio fumar para a rua.
Fui almoçar a casa. Tudo tem um limite.


De Rui Vasco Neto a 19 de Setembro de 2008 às 03:06
ah, é verdade: estrela da noite? o Gastão, unânime.
Tudo rendido.


De Anónimo a 19 de Setembro de 2008 às 13:28
"E não teve nada a ver com o aniversário do 7Vidas, claro, foi a coisa mais 'inesperada possível'. " inesperadamente... fiquei encantada com esta afirmação (tanto quanto me é possível)!!!!!!! ihihihihii
Abraço


De Tiago Moreira Ramalho a 19 de Setembro de 2008 às 20:56
Tenho estado um pouco alheado das novidades blogosféricas, razão pela qual não reparei que aqui o 7Vidas fazia um aninho. Os meus parabéns caro Rui, o 7Vidas continuará a ser uma terra por onde passarei muitas vezes durante muito tempo, espero eu. Um abraço e mais uma vez, os meus parabéns.

TMR


De Luís Policarpo a 20 de Setembro de 2008 às 20:00
Que grande texto!! Uma justíssima homenagem ao Rui que afinal não sabe só fazer televisão!!!!! Chego aqui via corta-fitas, onde o '7vidas dos gatos' foi classificado blogue da semana. Agora já percebo porquê.
Parabéns e continue assim!! E os parabéns ao valupi claro!! Grande parelha esta!!


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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