Sábado, 20 de Setembro de 2008
O Gato das Sete Vidas faz um ano
Sábado, 20 Set, 2008

Somos colegas de profissão e fomos colegas de estação, na TVI, ele na redacção e eu, curiosamente, vivendo a única experiência que fiz na apresentação de entretenimento, em 28 anos de jornalismo. Para mim é das vozes mais fiáveis, na área da Saúde, onde escava informação há um ror de tempo (com trabalhos verdadeiramente notáveis n'O Independente', ainda antes da TVI), bichinho álacre e sedento, num perpétuo movimento. Convidei-o para se juntar à exposição de aniversário do 7Vidas, pois claro, a comissão de festas de Carimbais de Cima teria feito igual, tenho a certeza. Saiu-lhe o texto antes mesmo da resposta, que veio a seguir: «Não é preguiça, essa saudável parideira de virtudes, ou desapreço pelo retratado. Ainda ponderei escrever outro texto mas, por incrível que possa parecer-te, convenci-me de que não sairia tão próximo do que penso como o primeiro». Por mim está tudo bem, isto é assim mesmo, houve um senhor que trouxe um bolo de ananás e eu fiquei feliz na mesma. A questão não é essa. Mas tinha mesmo que lhe dar para os retratos, pergunto eu?

 

Em baixo: "O Gato das Sete Vidas faz um ano"

Sete vidas mais uma: Carlos Enes

 

Para o escravizado mordomo de um cão com blog era irresistível tornar-me assíduo do gato. O Petra faz que não gosta, como lhe compete, por isso visito-o às escondidas. A melhor hora é a terceira da madrugada, com o copo de plástico do último bombay da esplanada do miradouro a verter para o teclado. É como entrar numa casa de fado e gostar da música.

O gato é um escritor de canções. Letras longas, feridas fundas, densidade, lucidez e estilo. Uma incarnação improvável de Bruce Springsteen, Tom Waits, Albert Ayler, Chico Buarque e David Byrne. Ele que me desculpe, mas não consegui meter aqui a Mayra Andrade. Estou a sério e julgo ter encontrado a precisão jornalística.


Vi o gato uma vez na vida, na noite de Lisboa. Não me recordo do assunto, mas sei que nos entendemos. Não tem tanto a ver com estar de acordo como com estar-se acordado numa corda de trapézio a que se chama vida. Ele tem sete, por isso salta melhor e mais vezes. Fortuna dele, pequeno prazer de quem o visita, azar de quem o atiça.

 

Carlos Enes

(blogger do 'Fragmentos do Apocalipse')

 



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Maria a 21 de Setembro de 2008 às 20:06
parabéns e Bom Ano Novo !


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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