Domingo, 21 de Setembro de 2008
A amizade
Domingo, 21 Set, 2008

A acreditar no próprio, 'Confúcio Costa terá, ao que tudo parece indicar, nascido'. As suas 'Intermitências da Corte' são um mundo de reflexão dado à estampa em conclusões de truz. Nesta aguarela de autores, que por este mês se juntam aqui no 7Vidas com o fraco pretexto de um aniversário, Confúcio, o Costa, é mais uma tonalidade inconfundível e imprescindível ao retrato de grupo, neste Setembro em festa que vai ficar para a blogoposteridade. Em nada deslustra o resto da pandilha que por estes dias me traz blogofeliz. Aliás (mais uma vez a acreditar no próprio) somos até semelhantes, eu e ele: “Somos, de facto, muito iguais. Ambos temos a certeza, inabalável, de que somos únicos.” É assim o meu convidado de hoje.

 

Em baixo: "A amizade"

Sete vidas mais uma: Confúcio Costa

 

 

A amizade pode ter muitas faces. Mas tem, sobretudo, a face que não se vê. A face de estar – sem necessitar de estar; de sentir – sem necessitar de tocar.

De gostar – sem necessidade de importunar.

 

A amizade pode ser muitas coisas: um abraço, um carinho, uma palmada nas costas, um berro, um conselho. E letras. Sim: a amizade pode ser letras. Só isso: letras. Umas atrás das outras. E, no entanto, todas à frente. De nós, claro. E dos outros também.

 

A amizade pode ser – e é – muitas coisas. Mas não é, com toda a certeza, deixar de responder o mais simnoro dos sim’s (ou: em inglês, dos sin’s – sem ponta de pecado) quando nos é pedido que o sejamos: amigos.

 

E oferecer a amizade é oferecer aquilo que a amizade é – aquilo de onde ela nasceu, cresceu e se reproduziu (em parágrafos de diálogo por dialogar). Sim: em letras.

 

E é em letras – nas que acabaram de passar – que se expressa o sim. O sim de estar aqui – a abraçar sem braços e a dizer olá sem voz – a amigar em hora de celebração.

 

É um ano – sim. Mas já parecem muitos. Porque os anos, entre amigos, não se contam em tempo. Os amigos, entre os anos, são uma forma de tempo.

 

Confúcio Costa

(Blogger do 'Intermitências da Corte')

 



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De alguém a 21 de Setembro de 2008 às 21:33
Interessante, muito interessante, este tema, uma lição de amizade, para RVN ler e publicar. Muito interessante. Mesmo.


De sinhã a 22 de Setembro de 2008 às 00:42
para beber e transpirar. palminhas. :-)


De Daniel de Sá a 22 de Setembro de 2008 às 02:10
Rui, Confúcio, estou confuso! Mas que raio de tipo é este que escreve desta maneira, de uma maneira que nem se dá pela presença das palavras? É como um violino em que só se ouve o som da música, como se não houvesse cordas nem arco...


De Bertica Pequenica a 22 de Setembro de 2008 às 17:09
Divino !

Bertica Pequenica


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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