Terça-feira, 30 de Setembro de 2008
Vão desculpar a pergunta, mas PJ quer dizer 'Pela Janela'?
Terça-feira, 30 Set, 2008

A Polícia Judiciária foi assaltada, o que já de si tem alguma graça. E não estamos a falar do hall de entrada ou de uma salinha de visitas qualquer, mas sim das instalações daquela polícia onde funciona a DCCB, supostamente os Pinkerton dos nossos detectives, os mísseis das nossas fisgas, a nata dos Dirty Harry cá da terra quando se fala de criminalidade violenta. Isso, convenhamos, já tem menos graça.

 

A mercearia lá do meu bairro também foi assaltada, levaram bolachas, champô e leite condensado, entre o que havia. Numa sapataria mais à frente os ladrões levaram sapatos, do café da esquina levaram tabaco e bolos e de uma obra em curso levaram as ferramentas todas de pedreiro que encontraram. Ora, corrijam-me por favor se eu estiver enganado, não me quer parecer que houvesse leite condensado na DCCB, tabaco também não (que o edifício é de não-fumadores e as forças policiais não vão ao casino como o Nunes e seguramente não desrespeitam a lei), shampô talvez mas sapatos também duvido, a não ser usados e odorosos. Assim, toda a questão se resume às ferramentas que possa ter levado este atrevido ladrão, sendo que dificilmente se encontrarão escopros e martelos na PJ, que é sabido trabalhar com ferramentas mais... sofisticadas, chamemos-lhe assim. O que nos traz de volta à questão primeira: que raio queria este maluco roubar da DCCB? Ou, mais e pior, quanto de quê conseguiu este maluco levar da DCCB, isso sim.

 

Pelo comunicado entretanto divulgado pela direcção nacional daquela força policial não ficamos a saber grande coisa, convenhamos. «O homem, um toxicodependente com 31 anos, entrou "furtivamente" no edifício da Direcção Central de Combate ao Banditismo (DCCB), em Lisboa, na madrugada de sábado e por meio de escalamento, tendo roubado alguns objectos, que foram recuperados posteriormente», diz e acrescenta, em princípio sem ser por piada: «Não foi revelado o valor do assalto». Pronto. É tudo o que nos é dado saber por aqui. Tudo tudo também não, diz ainda o comunicado oficial que «na sequência do assalto, a Polícia Judiciária (PJ) determinou a abertura de um inquérito interno para "reavaliação de procedimentos de segurança e apuramento de eventuais responsabilidades disciplinares», o que nos descansa a todos, evidentemente. E acaba com a informação aparentemente mais importante para a PJ: «O suspeito conseguiu fugir mas acabou por ser detido. Depois de ser detido, foi presente a um primeiro interrogatório judicial e foi-lhe aplicada a medida de coacção de prisão preventiva.» E pronto, notícia encerrada.

 

Os senhores não me vão levar a mal, mas a mim sobram-me umas perguntinhas que, à falta de melhor sítio para as poisar, ficam por aqui mesmo. Por exemplo: não há ladrão que não queira sair da Judiciária, o que raio levou este em particular a querer entrar? E depois, entra-se assim sem espinhas, num local onde só há polícias e se faz a instrução de processos que levam à cadeia cidadãos, na maioria criminosos? E armas, havia por lá? E levou-as, este ladrão, ou só fanou o Toffee Crisp do inspector e a sandes de presunto do senhor agente que tinha saído, coitado, talvez para um xixi? E o senhor ministro Rui Pereira, aquele do elogio fácil à bravura, vai assobiar para o lado desta vez, a ver se a coisa passa, ou vai ceder à sua reconhecida compulsão de dizer coisas sobre 'uma das melhores polícias do mundo' e bacorar umas coisitas a propósito?

 

Só mais uma, vá lá, a última, eu prometo: esta história é uma piada, ou é Portugal que é de anedota?

 



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De RaposinhaOff The Record a 30 de Setembro de 2008 às 21:40
A DCCB guarda nas suas instalações, entre outras coisas, o resultado de apreensões (telemoveis, dinheiro, computadores, etc). As chaves e os documentos dos carros também são lá guardados mas os carros estão no parque da PJ, uns quarteirões acima. Droga apreendida vai diariamente para as incineradoras. O problema são os documentos.
E um plano até elaborado para chegar a um lugar de dificil acesso.

Respondendo à pergunta: sim, Portugal é uma anedota. Muito mal amanhada.


De artesaoocioso a 30 de Setembro de 2008 às 22:00
Será que foi um toxicodependente, ou alguém a mando de alguém para procurar outras coisas?
Seja como for, a casa não fica muito prestigiada.
Cumprimentos


De ZÉZÉ a 30 de Setembro de 2008 às 22:04
Lamento informar o sr. Raposinha que anda muito mal informado acerca dos affaires da DCCB.
Escreva antes sobre a natureza ou escreva um diário, não sobre o que desconhece.
A seu tempo se saberá o que realmente aconteceu.


De Raposinha a 30 de Setembro de 2008 às 22:25
Lamento dizer-lhe mas se há assunto sobre o qual não me falta informação é precisamente sobre os affaires da DCCB.

A seu tempo se saberá o que se quer que se saiba e se disser o contrário então é o senhor que se deve informar melhor.


De ZÉZÉ a 30 de Setembro de 2008 às 22:40
Ao sr. Raposinha:

Como o seu próprio nick o indica, e foi o sr que o criou, o sr. é mesmo "off the record". Resumidamente, se é tudo isso que sabe, mas vale guardar a buzina.

Nem sei onde vocemessê foi buscar essas da droga. O "D" de DCCB não quer dizer DROGA, entendeu ?
Sabe aquela da mosca ...? ... do fechar a boca ...? Ora aí está uma resposta para si ...

FALE DO QUE SABE, NÃO INVENTE. É QUE AS PESSOAS PODEM ACREDITAR NO QUE VOCÊ ESCREVE.


De Raposinha a 30 de Setembro de 2008 às 23:02
Sr. Zézé

Tenha calma, não grite que eu até oiço bem.

Eu falei em Droga? opsssss.... disse alguma coisa que não devia? É politicamente incorrecto?

Claro que eu sei que a Direcção ( e D é de Direcção ) Central de Combate ao Banditismo não tem como ónus a investigação de droga. A DCITE na sua maioria encarrega-se na disso. Agora, daí a achar que as brigadas da DCCB nas suas investigações nunca tropeçam em droga, isso já é tentar meter-me os dedos pelos olhos.

Basta consultar ( e na página da PJ deve lá estar) as competências da DCCB para perceber que os seus alvos não são bons rapazes e que têm que arranjar forma de financiar os seus crimes. Daí uma coisa estar ligada à outra (nalguns casos), mesmo que seja incómodo falar disso.

E não tenho culpa se as pessoas acreditam em tudo o que lêem. Pior é acreditar que um moço, pobre rapaz, toxicodependente até, um dia lembrou-se de assaltar sozinho a DCCB. E conseguiu.


De Daniel de Sá a 1 de Outubro de 2008 às 03:33
Se eles a si se guardam assim, como guardarão os outros?


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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