Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008
Gatos e Cães
Quarta-feira, 01 Out, 2008

E pronto, entrámos em Outubro. Para o final desta festa de aniversário do 7Vidas faltam cinco dias e alguns convidados, que fizeram questão de marcar presença com as suas palavras. A escritora Soledade Martinho Costa é um desses casos. Ex-blogger do AspirinaB, de onde saiu para criar o seu Sarrabal, com vasta obra publicada e espalhada por várias editoras, a Sol é das visitas mais regulares cá da casa, faz parte do núcleo duro, chamemos-lhe assim, aquele que eu chamaria se fosse o Bush (credo!) para reunir de emergência e dar conselhos ao mundo. Wall Street afundar-se-ia na mesma, suspeito, mas a poesia e a literatura sairiam a ganhar, disso não tenho dúvidas.

Em baixo: "Gatos e cães"

Sete vidas mais umaSoledade Martinho Costa 

 

Tenho encontrado um pouco de tudo neste blog: brincadeira, humor, crítica, desabafos, notícias, poemas, textos eruditos. Mas, sobretudo, encontrei um coração grande, o do seu bloguista, aberto ao Mundo, lavrando o seu protesto contra as arbitrariedades, a incapacidade de amar o próximo, a incúria, a prepotência, a maldade, a tragédia, o drama.
 
A tocar na «ferida» e a deixar que as palavras, uma a uma, cheguem ao leitor menos atento ou sensível aos problemas alheios. Se nos calha uma dessas palavrinhas, quem sabe se o Mundo não pode melhorar um pouco mais? Se não nos dá um pouco mais de consciência, de responsabilidade, de solidariedade? Se o egoísmo deixa de governar o planeta em que vivemos?
 
O Rui, brilhante jornalista, tem feito isso. Com mão de mestre. Ao despertar em mim um sorriso ou uma gargalhada quando leio os seus posts, não quer isso dizer que não atinja o alvo sempre que as suas palavras fazem assomar uma lágrima aos meus olhos.
 
Em ambos os casos, um bem-haja e que conte muitos aniversários! Afinal, temos quase «a mesma idade», o meu Sarrabal fez um ano no passado mês de Julho (dia 23) e o 7Vidas agora, em Setembro.
 
Adoro gatos. Adoro cães. Não conheço o Gastão. Nem tenho o gosto de conhecer pessoalmente o dono do Gastão. Por email e por telefone, sim. A blogosfera tem destas coisas. Apenas conheço de longa data as sete vidas dos gatos. Uma de cada vez. Morrendo e renascendo. Embora rejeitando. Dizendo que não. Que não é mais possível. Que não se é capaz. Mas voltando sempre à vida mesmo depois de sete mortes. Para viver outras sete vidas, como os gatos.

 



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Daniel de Sá a 1 de Outubro de 2008 às 16:30
Tenho de saudar a Soledade, não apenas pela qualidade da escrita mas também porque ela foi vítima, no Aspirina, do mesmo tipo de canibalismo que me traumatizou até hoje. Nem sinto vontade de ir lá de vez em quando ver como as coisas andam. É que não acredito no que dizia o Oscar Wilde, que com bons sentimentos não se faz boa literatura. Se ele tivesse lido, por exemplo, "O Suave Milagre", de Eça de Querós, talvez tivesse mudado de opinião.


De sarrabal a 1 de Outubro de 2008 às 22:50
Caro Daniel de Sá:
Também eu deixei de ler o Aspirina pelas mesmas razões. Mas, tanto quanto sei, o blog hoje é um “deserto” comparado com aquilo que foi. Tanto em termos de colaboradores, como de comentadores. Sei também que, antes de mim, houve outra “vítima” e, depois de mim, o meu caro amigo. Agora, já não devem ter mais ninguém onde despejar o veneno. Foi inadmissível tratando-se de pessoas que se autodenominam correctos, cultos, críticos e intelectuais.

No meu caso, os comentários elogiosos aos meus posts estão lá, não assinados por mim com pseudónimos, mas assinados por eles: Valupi, João Pedro Costa (o execrável), a Susana, a Sininho, o Py e outros. O poema “Às Portas de Beirute” foi apenas um pretexto para o “ataque”. Como lhe aconteceu a si. Mas, passou. Tenho pena de lhes ter dado tanta atenção. Hoje, não o faria. Não devia, sequer, ter contestado as injúrias. Saía e pronto. Não o fiz, paciência. É difícil calar-mo-nos quando a injustiça, a maldade e a calúnia nos atingem. E a chacota igualmente, a requintada, a viperina. E eles eram (são?) peritos nisso.

Também não concordo com o Óscar Wilde. Os bons sentimentos espelham-se ou adivinham-se na boa literatura – ou no bom jornalismo (caso do 7Vidas). Se, com maus sentimentos, se escrevessem bons livros, onde caberiam eles no ramo da grande Literatura?

Sem permissão, vou enviar-lhe um email. Depois me dirá.

Abraço amigo da Soledade Martinho Costa


De Daniel de Sá a 2 de Outubro de 2008 às 00:04
Amiga, concordo plenamente com o que diz. E também me arrependo de não ter calado e saído. Mas, se me mantive até aos limites do insuportável, foi apenas porque tinha sido o Fernando Venâncio a convidar-me, e ele é um homem que eu adniro muito e que muito vale.
Venha o email, que o receberei com todo o gosto.
Um abraço do
Daniel


De Saci a 1 de Outubro de 2008 às 21:48
Sol

O seu último parágrafo é absolutamente maravilhoso.

E parabéns atrasados pelo aninversário do seu Sarrabal. Dizem os especialistas da blogosfera que um blog é um bébe dificil de criar mas se sobrevive ao primeiro ano então já vingou.

Beijinhos


De sarrabal a 1 de Outubro de 2008 às 23:03
Saci:

Conheço-a bem, aqui do blog, por ler os seus pertinentes comentários.
Grata pelas suas amáveis palavras. O Sarrabal espera continuar, vamos ver. Por sinal, estou convidada para a "festa" de um outro blog que faz CINCO anos. O Troblogdita, pelo menos, já anda na Pré-Primária!
O último parágrafo, bem, foi escrito com o coração e com a alma...

Bejinhos também para si da Sol


De sarrabal a 2 de Outubro de 2008 às 03:01
Caro Rui:

Por vezes, os últimos são os primeiros, é bem certo.
Venho agradecer a sua bondosa introdução (imerecida, acho) ao modesto texto que lhe enviei. Sabe que fiquei espantada com a quantidade de posts referentes à minha colaboração no Aspirina? E não estão todos. Antes não o tivesse feito. Mas, adiante.
O melhor, mesmo, é enviar-lhe um grande abraço!

Sol


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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