Domingo, 9 de Novembro de 2008
Olhem, pssst, senhores professores, se fazem favor, já agora...
Domingo, 09 Nov, 2008

Tenho acompanhado, com interesse e alguma curiosidade, a desesperada incursão de uma lúcida mãe de um aluno do 5º ano de escolaridade no mundo aventuroso das reivindicações dos professores nacionais. Uma cruzada que começou aqui e aqui, sendo que aqui já o título dizia 'Ajuda, precisa-se!', com o porquê bem explicadinho logo a seguir: «Estou farta de andar à procura (site do Ministério da Educação, Site da Fenprof, etc.), e não encontro em sítio nenhum o documento que descreve, define e regula o modelo de avaliação dos professores que está na ordem do dia. Sendo parte interessada (sou mãe de um puto que está no 5º ano), e agora que enveredei por este caminho, tendo professores na família próxima e directa, e depois de ler os comentários ao meu post anterior, quero saber do que falo.» 

 

Quem fala assim não é gago, antes sensato na acção. É a blogger Maria João Nogueira que aqui usa o seu Jonasnuts para publicar uma carta aberta aos 'caros senhores representantes dos professores', num louvável esforço de  investigação com vista a um entendimento que mostra perseguir com uma tenacidade que promete engasgar qualquer Mário Nogueira que lhe  apareça pela frente com evasivas da treta. Eu cá vou continuar de olho no evoluir desta interpelação, feita com cabeça e directa ao que é o âmago desta questão delicada para qualquer encarregado de educação deste país: Senhores professores, não vos estamos a compreender de todo. Importam-se de explicar tudo outra vez e mais as que forem necessárias, assim como se andássemos todos na mesma escola a aprender?



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Mãe de estudante a 10 de Novembro de 2008 às 20:18
Pois, sou mãe de estudante, que não é exemplar, mas é educadinho. Não tenho razão de queixa dele, não quero um filho exemplar. Razão de queixa tenho, sim, de alguns dos seus professores. Se eu não lhe ensinar (o que posso e sei) em casa, na Escola, não ensinam, não têm tempo, já ensinaram, estivessem com atenção. Se eu avaliasse o meu filho e os amigos dele que melhor conheço, dava-lhas 10. A alguns professores, dava um 5, mesmo à rasquinha. Pra não falar dos " termos" em que alguns profs., os mais novos, utilizam nas aulas. Avaliem-se, portanto, acho bem, ou têm medo ?


De e eu sou a branca de neve a 10 de Novembro de 2008 às 22:52
Pois eu, se fosse a avaliar mães de estudante que:
- acham que fazem demais pelos filhos ensinando-os por forma a suprirem os défices provenientes de desatenção e desinteresse dos próprios;
- acham que o professor devia seguir o ritmo da atênção e do interesse deambulatório da criancinha, em prejuízo dos restantes alunos que sejam esforçados e atentos e
- acham que o seu filho é super porque até é "educadinho", como se não fosse normal, expectável e desejável que o fosse,
pois eu, repito, se fosse a avaliar, daria 1(um) para não entrar nos negativos.

Pois eu, se fosse a avaliar mães de estudante que generalizam e que mentem e que confundem, pois metem no mesmo saco " não ensinam, não têm tempo, já ensinaram" ( como se todos esses argumentos fossem equivalentes), eu avaliaria com 1(um) para não entrar nos negativos.

E... deixaria um conselho a essas mães de estudante: não ensinem os tais termos que os tais professores-mistério utilizam nas aulas pois se os não ensinarem, quando um desses fantásticos, entenda-se imaginários, professores mandar o seu menino, que até é "educadinho", para a outra banda, o menino pensará que o dito professor está a fazer-lhe um rasgado elogio e assim viverão felizes para sempre como nos contos tão de faz de conta como é de faz de conta essa história de haver professores que usam nas aulas termos pouco ortodoxos( não é que não apeteça!).

"Avaliem-se, portanto, ou têm medo?"
Sim, têm medo: têm medo da estupidez ( e até que não será um medo tão descabido , convenhamos, segundo o que se vai observando por aí !).


De mãe de estudante a 12 de Novembro de 2008 às 13:05
Vá tratar os sete anões, sim ?


De sou Professora a 11 de Novembro de 2008 às 01:01
( Podem ir preparando a câmara de torturas e ateando a fogueira)
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( Podem ir preparando a câmara de torturas e ateando a fogueira) <BR class=incorrect <a name="incorrect">1-Souprofessora</A> </A>. <BR class=incorrect <a name="incorrect">2-Sei</A> </A>muito pouco deste modelo de avaliação. <BR class=incorrect <a name="incorrect">3-Sou</A> </A></A></A>contra este modelo de avaliação. <BR class=incorrect <a name="incorrect">4-Dificilmente</A> </A></A></A>concordarei com um modelo de avaliação. <BR><BR class=incorrect <a name="incorrect">Concluiram</A> </A></A></A>e aparentemente com toda ou alguma lógica que: <BR><BR>1- É professora. <BR>2- Não quer ser avaliada. <BR>3- Não quererá nunca ser avaliada. <BR><BR>Pois é. Só acertaram no "é professora". De resto, chumbaram em tudo. <BR>Eu sei, porque conheço, implícita e explicitamente, as regras da coerência frásica e os articuladores do discurso, que o que parecia dever "lá" estar era: <BR class=incorrect <a name="incorrect">1-Sou</A> </A></A></A>professora. <BR>2- Nâo obstante conhecer pouco este modelo de avaliação, <BR>3- estou contra ele <BR>4- e, dificilmente, concordarei com algum modelo de avaliação. <BR><BR>Proponho a seguinte re )leitura: <BR>Sou professora. <BR>Apesar de conhecer pouco este modelo de avaliação, sei que não serve porque a observação de aulas tem, nele, o peso de 1 em vinte. Assim, e ainda que todos os outros itens estejam correctos, este modelo não poderá nunca avaliar bons professores mas, sim, técnicos do ensino. <BR>Conhecendo bem, por um lado, a complexidade que está inerente ao cargo de professor e que advém do facto de ser uma profissão aonde o humano, o pedagógico e o científico ( e às vezes até o divino, quando é preciso paciência de santo!) se entrecruzam e interpenetram, e, por outro lado, a intenção de facilitismo economicista que subjaz ao espírito dos governantes, constato e antevejo que futuros modelos de reforma resultarão, identicamente, insatisfatórios. <BR>Ser-se professor é ser-se pessoa. O cientista ou o linguista ou o literato que está por detrás do professor é, apenas uma parte do todo. E é sempre a mais fácil e , não raro, a menos importante. Aprende-se, na universidade, a matemática, as línguas, a literatura.... <BR>Até as pedagogias. Nenhum professor teme, estou certa, ser avaliado nas suas competências específicas ou melhor, nos conteúdos das disciplinas que lecciona. Isso seria um alívio! <BR>O que os professores temem ( digo-o por mim e , estou certa, por muitos outros ) é serem avaliados com instrumentos que vão privilegiar aspectos que estão muito longe de serem os mais importantes na sua profissão. Eu diria mais: aspectos que tipificam um medíocre professor e que, como tal, estão a anos-luz da excelência. Ora, se os professores que estão aquém do bom temem a avaliação, os professores que estão além não menos a temem. <BR>E isto por uma razão muito simples: <BR>este modelo de avaliação é tão pernicioso ou mais para os muito bons ou excelentes professores do que para os maus professores. É a história daqueles alunos ( os chamados sobredotados, por exemplo) que, por estarem na vanguarda, são tão ou mais afectados do que os alunos que estão aquém. A escola é niveladora e nivela pela mediania. <BR>Ora, o presente modelo de avaliação, nivela pela mediania e pela mediocridade. Ele, pura e simplesmente, não dispõe de instrumentos e mecanismos adequados a medir a excelência e, muito menos, a genialidade. Este modelo de avaliação privilegia o indivíduo certinho, que planificou a aula, que não se afasta do que planificou, o cumpridor que jamais se atrasa, o burocrata que escreve que se farta, que puxa dos apontamentos, o indivíduo de pensamento do tipo maniqueísta, enfim, o que reproduz e não produz, Por outras palavras, aquelas criaturas insípidas, de inteligência asinina , que desornamentam o ensino, e de quem ninguém se lembrará de dizer " aí está um professor que nunca vou esquecer" subirão ao primeiro lugar do pódio porque um instrumento medíocre de avaliação só poderá medir o que é medíocre. . <BR>O que for além-mediocridade será, se não desvalorizado , no mínimo, não valorizado <BR>Por outras palavras, Sancho será rei de verdade e Quixote, amordaçado. <BR>Ah, e depois, não deixa de ser bizarra e perversa a forma como exigem que os professores sejam excelentes cont )


De sou Professora a 11 de Novembro de 2008 às 01:28
( ora bolas, depois de tanto trabalho, de suprimir tanta coisa que o número de caracteres era excessivo, aparece essa borrada toda!)

Como pode um professor exercer o sentido de justiça e pugnar pela melhoria do ensino no país se está cerceado e limitado por percentagens estipuladas à priori pelo ministério?
Para finalizar: estou no escalão máximo. A avaliação não mexe nem com a fímbria de uma roupa minha. Em toda a minha vida profissional, fui mais prejudicada do que beneficiada pelo facto de ver os professores aferidos pela mesma bitola. Quero, sim, ser avaliada. Mas não esqueçam nada do meu curriculum: tenho um curso de 5 anos de universidade,( numa das mais prestigiadas do país), seguidos de 2 de estágio ( presentemente, para o curso e grau equivalente- licenciatura e estágio- cinco anos bastam ou até menos, com os Bolonha!). E, sobretudo, não se esqueçam de dar a palavra aos meus alunos.<
BR>Bom, vou parar por aqui. Cansada. Cansadíssima. E,acreditem ou não, muito mais pelo que eu não disse do que pelo que disse.



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