Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008
O fardo da farda
Quarta-feira, 12 Nov, 2008

Merece justificada preocupação, esta realidade dos suícidios na GNR, um fenómeno que não pára de alastrar e que ontem mesmo conheceu novo incidente, mais uma vida acabada com arma de serviço, elevando para onze os casos deste ano. Onze homens. A verdade dos números aleija, diz que a taxa de suicídio na GNR quadruplicou, nada menos, face à média dos últimos cinco anos, isto sendo que o ano passado tinha já sido o pior da última década, com cinco situações registadas no conjunto deste dispositivo com cerca de 25 mil elementos. Ora este décimo-primeiro caso coloca a taxa de suicídio na GNR em 44 por 100 mil pessoas, o que é significativo, no mínimo, se pensarmos que a taxa global em Portugal é de 11,3. Este é o retrato dos números, feio, convenhamos. Preocupante.

 

Mas existe um mundo de circunstâncias por detrás de cada um destes números que não é revelado, e todo um universo delas a sustentar a dramática contabilidade final, sempre a crescer. Daí que apurar e compreender qual o detonador da insanidade comum, entre as circunstâncias particulares destes militares, seja uma tarefa urgente e incontornável a ser executada com total ausência de espírito corporativo ou quaisquer outras pressões que a possam condicionar, ou de alguma forma falsear as suas conclusões. É que é muitíssimo delicado o que está aqui em jogo. Falamos de homens que servem a sociedade na mais melindrosa das missões: garantir a sua segurança em proximidade, em todas as horas, a segurança de todos em geral e dos mais fracos em particular, sejamos claros na elevação do dever. São eles que garantem o equilíbrio e a normalidade no país interior, num contacto directo e permanente com a população de que fazem parte, quantas vezes vizinhos de freguesia.

 

É a esses homens de importância capital que compete a primeiríssima instância da justiça, muitas e muitas vezes, no local e na hora do acontecimento. Por isso lhes é confiada uma arma, de serviço, mais a permissão junta para a usar em caso de absoluta e primeira necessidade. Da rectidão do seu julgamento depende a justeza da sua decisão, e desta dependem vidas e destinos, pelo que a formação destes homens e mulheres é importante, o seu equipamento é essencial e a sua competência é desejável sempre que possível. Mas o seu equilíbrio mental, esse, é imprescindível e insubstituível, pelo que requer um escrutínio sério e constante, particularmente realista nesta circunstância de excepção, não mais adiável, em que é preciso enfrentar o que está mais que provado ser um padrão na GNR. Sob pena de grande perigo, até para os próprios, como estamos infelizmente a ver acontecer.

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar

Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
mais sobre mim
vidas passadas

Piu

Crónica do Brufen

Eu, pombinha.

Falando com o meu cão

Chove, eu sei, mas tenho ...

Maria da Solidariedade

Hum, daí o meu dói-dói...

Portugal sem acordo

Não fui eu que escrevi ma...

Um dos

Abençoados 94, Madiba!

Sôdade

Não vás as mar, Tòino... ...

Ofertas FNAC: pare, escut...

Reflexão de domingo, perg...

É preciso é calma, já se ...

Definição de sacrifício n...

A questão

E pronto, eis que descubr...

.......

Bom dia. Se bem me lembro...

O princípio do fim

E, de repente.

Um azar nunca vem só

Diz que é uma espécie de ...

Força na buzina!!

Bom dia. Hoje chove em Li...

Depois do homem que morde...

Bom dia. É hoje, é hoje!!...

Boga ou Beluga?

arquivos

Junho 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Janeiro 2011

Novembro 2010

Outubro 2010

Abril 2010

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Restaurantes para fumadores
Consulte aqui a lista de restaurantes onde os fumadores também têm direito à vida.
sete vidas mais uma: Daniel de Sá
Um Nobel na Maia
Lagoa
Ribeira Grande
Vila Franca do Campo
Do Nordeste à Povoação
Dias de Melo, escritor livre
E se a Igreja se calasse?
O outro lado das tragédias
O meu Brasil português
A menina amarga (II)
A menina amarga (I)
Pelas cinzas de uma bandeira
O caso da Escola do Magistério
Uma confissão desdobrável
O gato e o rato
Contra a Inquisição
D.Diogo
Uma carta de Fradique Mendes
Acróstico
Monotonia
Maia (II)
Maia
Um nome acima de todos os nomes
Um palhaço de Deus
A ópera em Portugal - Conclusão (VIII)
A ópera em Portugal - Um novo estilo, Alfredo Keil (VII)
A ópera em Portugal - O Teatro de S.Carlos (VI)
A ópera em Portugal - Os Intérpretes: Luísa Todi e os Irmãos Andrade (V)
A ópera em Portugal - Marcos Portugal: vida e obra (IV)
A ópera em Portugal - Primeiros tempos / o triunfo (III)
A ópera em Portugal - Introdução da ópera em Portugal (II)
A ópera em Portugal - As origens da ópera (I)
Dois sonetos à maneira de Natália Correia
Duas garrafas de Macieira
As esponjas das lágrimas
Lição de Português
500 000 soldados
Depois do portão da casa
Auto da Mazurca
Auto da Barca de Bruxelas
Malino
Romance da Bicha-Fera
A Casa
Tremor de terra, temor do céu.
Cântico da mãe escrava ao filho morto
Passos Perdidos
A Lenda dos Reis
Daniel de Sá
Um sítio chamado Aqui
O protesto do burrinho
Sete vidas mais uma: Soledade Martinho Costa
Poema renascido
Sete vidas mais uma: Pedro Bicudo
RTP, Açores
As vidas dos outros
subscrever feeds
Sete vidas, sete notas