Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008
Parabéns ao IDT. Pela trabalheira que tem.
Quinta-feira, 13 Nov, 2008

O senhor Presidente do Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT), Dr. João Goulão, foi ontem ao parlamento fazer uma espécie de prova de vida e mostrar trabalho, prestando contas da conta calada que custa esta sua luta e justificando assim a pesada existência da estrutura que dirige no orçamento deste Estado magro que somos. Afinal, é neste especialista e na sua estrutura especializada que reside toda a esperança oficial no combate ao flagelo da droga que vai minando a sociedade portuguesa, mais e pior todos os dias.

 

E a sua missão é esta, descrita na página oficial do próprio IDT: «O Instituto da Droga e da Toxicodependência, IP. tem por missão promover a redução do consumo de drogas lícitas e ilícitas, bem como a diminuição das toxicodependências.» Pois bem, hoje foi dia de avaliar os progressos deste ano e dos anteriores. De colher os frutos da esperança semeada com tanto e tão doloroso dobrar de costas, há tantos e tantos anos. Dia de ver os números. E o Dr. João Goulão não foi parco em números, antes pelo contrário, teve-os para todos os gostos. Para explicar que a cannabis "subiu de 12,4 para 17 por cento -, mas regista-se neste caso um aumento considerável da cocaína, que aumentou de 1,3 por cento para 2,8 por cento", por exemplo, ou que "a heroína manteve-se em 1,1 por cento, mas o ecstasy subiu de 1,4 para 2,6 por cento", ou ainda que "ao nível da União Europeia, Portugal aparece em oitavo lugar numa lista de 11 países" ou mesmo que "No fim da lista surgem a Lituânia (0,7) e Chipre e Hungria (1,4).", tudo coisas assim importantes e que só os verdadeiros especialistas sabem explicar bem, porque nada é o que parece e é preciso estudar muito muito. Mas hoje e ali no parlamento, lamentavelmente, tudo se resumiu no leed da notícia, no essencial da informação comunicada aos deputados, a saber: «Entre 2001 e 2007, o número de consumidores de droga subiu de 7,8% para 12%». Ponto. Da situação.

 

Eu por mim, que desconfio mais destes números que do próprio Bruno Paixão, fico-me pelo "subiu". Se subiu chega-me, que era para descer. Mas subiu, como sempre. Subiu, o consumo. Subiu o tráfico. Subiu a dependência, subiu a miséria, subiu tudo o que era para descer mas que continua a subir sempre, teimosamente, neste caminho onde nos vamos perdendo todos, guiados por meia dúzia que diz que sabe e outra meia que diz que sim senhor, siga este caminhar para um norte que aparentemente passa por virar para sul e seguir em frente, acreditando sempre que é por aqui. «O Instituto da Droga e da Toxicodependência, IP. tem por missão promover a redução do consumo de drogas lícitas e ilícitas, bem como a diminuição das toxicodependências.», sim ou não, afinal? Sim, está certo, fica assim, mas hoje foi o que se pôde arranjar e mainada, tenha paciência. Sabe Deus que podia ter sido bem pior se Einstein não tivesse provado que tudo é relativo. Mas para mim,  quando sobe em flecha o que devia cair pela base, este ano como há anos e como sempre, já não é relativa mas sim absoluta e definitiva a incompetência desta gente que nem placebo consegue ser, quanto mais cura do mal. Mas que é comprovadamente inocuo-emplastro-adesiva.

 

A grande questão põe-se assim a outro nível, forçosamente. Afinal tem que haver uma razão para a insistência nos mesmos médicos e na mesma dose do mesmo remédio, mesmo perante o confessar oficial do resvalar progressivo da doença em praga fatal. Uma razão superior, especializada. Alguém deve andar satisfeito, no meio disto tudo, digo eu. Alguém teve que gostar deste relatório o bastante para continuar a encomendar uns quantos iguais todos os anos, mais do mesmo, vamos por aqui que por aqui é que é o caminho. Ora eu, que não sou ninguém para insistir na contrária de quem manda e sabe e pode, só tenho é que enviar daqui as minhas calorosas felicitações ao senhor Presidente do IDT e a toda a equipa de especialistas que combatem a toxicodependência em Portugal por mais um ano de sucesso na missão a que abnegadamente se submetem para bem de todos nós e dos nossos filhos. Pois um grande bem-haja, ou coisa assim. E parabéns, claro. Muitos parabéns.



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Alfredo Gago da Câmara a 13 de Novembro de 2008 às 03:03
Conheci um senhor inteligentissimo que andava constantemente embriagado. Hoje ouvi uma história dele (mais uma) que me fez dar umas boas gargalhadas. Pois o senhor há uma semana que não bebia e, ao passar em frente a uma tasca, dizia em alto e bom som: - José, domina-te! Tens que ser muito forte. A bebida não te pode vencer. Tens que superar isto e seguir em frente. Vai lá, José. Tu consegues! Tu és capaz!
José conseguiu! Passou a tasca por mais de vinte metros. Depois... Aplaudiu-se muito e disse: Boa, boa, José! Tu és um grande herói, conseguiste. Por este grande feito mereces voltar atrás e comemorar o teu esforço bebendo um copo naquela tasca.
José já morreu com o fígado desfeito. A tasca continua aberta e com todas as licenças camarárias em dia.
Como esta, suponho que também em Lisboa existam várias tascas que se encontam a 20 metros da "Avenida da Liberdade". Daí, é tão fácil chegar ao Rossio...

Tenho saudades de beber um copo contigo e de te chagar a paciência. Grande abraço.


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