Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008
Que nojo!
Quinta-feira, 20 Nov, 2008

Qualquer médico que desmaie à vista de sangue tem um problema para resolver no seu dia-a-dia profissional, digo eu. O mesmo se pode dizer de um telefonista gago, de um taxista perneta ou talvez até mesmo de um advogado honesto, pese mais raro  de aparecer. Pois quem lida com a  informação diária tem igualmente as suas condicionantes, os seus quês operacionais, chamemos-lhe assim. São factores que cada um tem de vencer, contornar, ultrapassar, chamem-lhe o que quiserem, de acordo com cada circunstância. Sob pena de inquinar o produto final do seu trabalho.

 

Um estômago sensível, por exemplo, não ajuda grande coisa à profissão de jornalista, pelo menos no que toca à isenção que requer o tratamento noticioso que há que dar aos acontecimentos, antes de os reportar. Isto para já não falar no desgaste próprio, na sua sanidade pessoal, consequência primeira desse tipo de distúrbio gástrico. Daí que seja comum, desejável até, que um bom jornalista desenvolva um certo calo protector das suas emoções privadas, de modo a conseguir investigar os factos da notícia sem sujar os sapatos no seu próprio vómito. Porquê este aranzel? Pois os senhores que leiam isto que logo percebem. E toca a limpar os sapatinhos no final, seus amadores.



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Samuel a 21 de Novembro de 2008 às 01:05
Agora, mesmo sem ser médico, preferia desmaiar por ver uma data de sangue a correr do nariz da dita bancária...


De Alfredo Gago da Câmara a 21 de Novembro de 2008 às 01:52
Agora mesmo, sem ser advogado, preferia passar fome do que ter que arranjar subterfúgios para defender um abutre destes em tribunal.


De Daniel a 21 de Novembro de 2008 às 02:41
O Montalverne de Sequeira morava naquela casa apalaçada muito perto do cemitério de S. Joaquim. Recebia os possíveis clientes no primeiro andar. Se eles queriam que os defendesse a respeito de um crime que tivessem de facto cometido, ele corria-os a pontapé pelas escadas abaixo. Imagina-se o que faria a uma besta destas.
(Samuel, se um polícia causar esse sangue nas ventas da avantesma, ficarás com pena? O D. Pedro I é que trataria estes casos a preceito. Mandava, no mínimo, deitar uma panela de água fervendo por cima da alimária. Digo isto com raiva, e sem pretender fazer qualquer tipo de humor.)


De Samuel a 21 de Novembro de 2008 às 17:11
Daniel
Não sei se me fiz entender. Eu adoraria ver a "alimária" desfazer as trombas contra um muro e só não defendo que seja a polícia a fazê-lo porque isso desclassifica... a polícia.
De qualquer maneira, na falta de uma providencial "justiça poética", espero que seja presa e que logo nas primeiras horas haja lá dentro quem lhe ministre o tratamento que alguns prisioneiros reservam para quem molestou , violentou, ou de alguma maneira prejudicou crianças...

Abraço


De Daniel a 21 de Novembro de 2008 às 17:47
Excelente alternativa, Samuel.


De Maria a 21 de Novembro de 2008 às 17:18
Desculpe Daniel de Sá, mas pode especificar qual é a casa a que se refere ? Será a que fica à direita do Cemitério, quando estamos de frente para este ?


De Daniel a 21 de Novembro de 2008 às 17:46
É essa mesma, Maria.


De Maria a 22 de Novembro de 2008 às 23:44
Acho que se enganou. Montalverne de Sequeira nunca morou nessa casa apalaçada. Quem lá morava era o Avô do actual dono que era meu Avô também. A casa pertencia aos meus Bisavós e o apelido não era este. O meu Avô era advogado e sempre ouvi contar que deixou de exercer a advocacia por não ter feitio para aturar certas coisas. Ganhou então a vida como chefe de secretaria da então Junta Geral. A cena dos pontapés nos clientes é capaz de ter um pouco de verdade (eheheh), mas o nome do senhor não era este.


De Daniel a 23 de Novembro de 2008 às 02:10
Maria, disparate meu! Claro que não poderia ser o Montalverne de Sequeira, que até não era advogado mas médico. Por se tratar de um dos autonomistas, saiu-me aquele nome, na pressa de ir a outras escritas.
A história conta-se é do Aristides Moreira da Mota. Mas olhe lá que, tanto quanto sei, ele não foi um simples funcionário da Junta Geral, mas seu vice-presidente e depois presidente.
Será que desta vez acertei?
Se não acertei, o erro é de quem contou a história. Mas tem graça. E, pelos vistos, condiz com a figura do AMM.


De Maria a 23 de Novembro de 2008 às 15:40
Não, Daniel, não acertou ainda. Certamente contaram-lhe a história mal, trocando o nome do Homem que ali viveu. Meu Pai nasceu naquela casa em 1926 e o Pai dele, meu Avô, é que era o advogado que corria com os clientes e deixou de exercer advocacia. Portanto já lá vão muitos anos e essas histórias vão-se deturpando, de boca em boca ...
Quando passar por lá, Daniel, repara na placa que está colocada na porta de um consultório médico que lá existe agora. Ficará sabendo de que família era aquela casa. Só não lhe digo, porque estou achando graça à "charada" !!!!


De Daniel a 24 de Novembro de 2008 às 02:00
E eu também. Mas hei-de resolvê-la, descanse.
Depois digo. Naturalmente fiz confusão com a história, contada creio que pelo Carlos Melo Bento num programa em que falou dos autonomistas. Daí a minha troca.


De Daniel a 21 de Novembro de 2008 às 02:44
Mais ponderadamente, apetece-me citar, a propósito, uma quadra de Guerra Junqueiro:
"Sim, creio que depois do derradeiro sono
Há-de haver uma treva e há-de haver uma luz,
Para o vício que morre ovante sobre um trono,
Para o mártir que morre inerme numa cruz."


De Cindy a 21 de Novembro de 2008 às 11:28
Mesmo caso para dizer: "Que nojo!"

E sabes que conheço uma rapariga simpática, surda total de um ouvido e com 20% de audição noutro que é telefonista!! Pelo menos não tenho conhecimento de que roube!

Bom fim-de-semana!


De sinhã a 21 de Novembro de 2008 às 21:44
eu vomitava-lhe 30 000 vezes em cima e obrigava-a a vomitar o meu vómito. :-D que tal?


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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